[[legacy_image_342141]] O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, divulgado na quarta-feira (13), mostra que o País ainda não conseguiu resolver duas de suas piores fraquezas, a desigualdade social e o ensino ineficiente. Enquanto o recomendável é passar 12 anos na escola básica, o brasileiro médio hoje estuda apenas 8,3 anos. A pesquisa foi feita pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com dados de 2022, referentes à educação, renda e saúde. Quanto mais perto o índice de 1, melhor será o desenvolvimento humano. Esse levantamento apontou IDH de 0,760 para o País, que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera um nível alto, acima da pontuação de nações pobres, como a Nigéria, de 0,548, mas abaixo dos Estados Unidos (0,927), e dos três líderes mundiais: Suíça (0,967), Noruega (0,966) e Islândia (0,959). Porém, o Brasil ficou bem atrás do Chile, Uruguai e Argentina, estando na 89a posição, após cair dois postos em relação a 2021. Na série histórica, o Brasil tem melhorado seu IDH, que era de apenas 0,62 em 1990. Mas o problema é que recentemente o Brasil reduziu o ritmo de ascensão, assim como melhorou menos do que a média dos países, sem considerar os mais pobres, a maioria na África. Nas últimas décadas, apesar do desenvolvimento do agronegócio, da descoberta do petróleo do pré-sal e da redução do crescimento da população, o País não apenas não resolveu suas mazelas sociais, como não conseguiu crescer mais rapidamente. Trata-se de uma situação diferente de muitas economias asiáticas, como China, Índia, Coreia do Sul, Indonésia e até Bangladesh, com aumento do Produto Interno Bruto (PIB) mais consistente, com consequente melhora do padrão de vida. Este último IDH também impressiona por revelar o padrão do desenvolvimento, desde a pandemia, de concentração de riqueza. Foi gerada uma elite bilionária, parte dela oriunda de negócios de inovação tecnológica, ao mesmo tempo em que há mais pobres do que dez anos antes e mais gente com fome, como é o caso do Brasil. Há questões pontuais, como Afeganistão, Mianmar e Sudão, que passaram por golpes de estado, mudança violenta de governo e guerra civil, com o desenvolvimento humano retrocedendo. Outro exemplo dramático é o da Ucrânia, cujo IDH é o mais baixo desde 2004. O Pnud demonstrou preocupação também com a polarização política, que prejudica o atendimento à população, como questionar a eficácia das vacinas, e a pandemia. Muitos países não conseguiram se recuperar do impacto da covid e estão com seu progresso econômico e social atrasados. Por outro lado, o Brasil, com sua dimensão continental e imensas riquezas, demora a dar sinais de que vai subir para o grupo com IDH muito alto (de 0,8 ou 0.9), o que é uma decepção. A chave para melhorar é investir na educação, mas sucessivos governos não conseguiram obter resultados nessa área.