(Sílvio Luiz/AT) Bicicletas elétricas e veículos autopropelidos, como patinetes e skates elétricos, já fazem parte da paisagem nas principais cidades do Brasil. Se em um primeiro momento eles eram utilizados como forma de lazer, esporadicamente, com o passar do tempo viraram meio de transporte para quem vai trabalhar ou se deslocar por ruas e avenidas. Com isso, acidentes e episódios em que por pouco não houve colisão ganharam escala e geraram preocupação. Dessa forma, é positiva e necessária a iniciativa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos de ampliar a fiscalização do trânsito desses veículos. Como a maioria dos modelos não exige que o condutor tenha CNH, o uso fica facilitado. Além disso, a desobrigação do emplacamento é outro incentivo para quem deseja adquirir um modelo leve e de baixa velocidade – nas lojas, essas características são destacadas pelos vendedores. Assim, em um cenário de poucas restrições, é fundamental que se exerça algum tipo de controle e regramento para a segurança não só de quem pilota, como também de terceiros. Diretor-presidente da CET, Antonio Carlos Silva Gonçalves relatou em reportagem publicada ontem por A Tribuna que, após a realização de aproximadamente mil abordagens de caráter educativo entre os meses de maio e outubro do ano passado, a partir de agora haverá um esforço conjunto com a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Polícia Militar (PM) para o início de uma fiscalização disciplinar sobre o uso desses veículos. Segundo Gonçalves, apesar das orientações transmitidas ao longo do tempo, ainda é possível perceber a ocorrência de excessos – notadamente de velocidade – por parte de alguns condutores. Os veículos elétricos, de fato, ajudam a preservar o meio ambiente por não usarem derivados do petróleo. Também têm a vantagem de proporcionar uma locomoção dinâmica e a facilidade do estacionamento, o que não é pouca coisa nos dias atuais. Contudo, a segurança tem de vir em primeiro lugar. Em Santos, é obrigatório o uso de capacete para os condutores. Nas ciclovias, o limite de velocidade é de 20 km/h. Esses parâmetros são importantes porque, Brasil afora, acidentes com bicicletas elétricas têm aumentado com vigor, usualmente envolvendo colisões com carros, quedas por alta velocidade ou manobras arriscadas, resultando em ferimentos graves ou mortes, especialmente de adolescentes. As estatísticas ainda são embrionárias, mas no Rio de Janeiro, por exemplo, o Corpo de Bombeiros registrou 215 ocorrências entre janeiro e setembro de 2025, ante 112 no mesmo período de 2024. Entre os casos estão atropelamentos e até incêndios. Para piorar, pedestres relatam bicicletas circulando em calçadas e condutores desrespeitando sinais e placas de trânsito. Vários dos casos estariam acontecendo na hora do almoço, quando jovens saem das escolas e, a bordo de bicicletas e patinetes, ignoram o bom senso.