(Unsplash) Com a migração do consumo para o meio on-line em ritmo acelerado, era previsível que os golpes ao varejo digital também aumentassem rapidamente. O estudo realizado pela Equifax BoaVista, empresa especializada em dados de crédito, trouxe resultados impressionantes – a fraude nas compras pela internet feitas entre o meio-dia e 17h59 cresceu 40% no primeiro semestre, em relação à igual período do ano passado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa prática criminosa se deu basicamente em celulares, atingindo a proporção de 75%, com os 25% restantes nos computadores. Além disso, um terço dos ataques foi realizado entre as 18 horas e meia-noite. Na distribuição pelo País, de cada dez golpes praticados, quatro ocorreram no Estado, o que não surpreende pela importância econômica de São Paulo, renda mais elevada e a inserção acentuada das novas tecnologias no dia a dia dos paulistas. O mais importante é que esse diagnóstico facilita o trabalho da polícia de concentrar suas investigações nos horários de maior risco para o consumidor. Também é fundamental educar a população sobre essas fraudes, divulgando os golpes mais praticados e orientando as vítimas mais visadas, como idosos e compradores com pouco conhecimento sobre os celulares com dispositivos cada vez mais sofisticados e de rápida execução. Um guia da Polícia Civil sobre crimes cibernéticos lista os vários golpes virtuais praticados, a maioria deles associada ao comércio on-line. Por exemplo, receber pelo WhatsApp a oferta de um link com código promocional de uma loja que vai permitir a clonagem do aplicativo ou realizar a compra em um site muito parecido ao de uma loja conhecida e acabar fazendo o pagamento de produto inexistente. Como forma de convencimento, são oferecidas promoções com vantagens irrecusáveis, como descontos elevados que estimulam a compra compulsiva. O varejo on-line e as instituições financeiras também têm papel importante nessa orientação ao consumidor e no investimento em sistemas que dificultam os golpes. O problema é que os criminosos são altamente criativos e inventam novas modalidades assim que uma se torna amplamente conhecida pela polícia e a população. Táticas antigas para enganar, agora em meio digital, como abordagem de surpresa, promessa de vantagem financeira e ameaça do constrangimento, como revelar dados e imagens, podem gerar grande prejuízo até em quem se considera bem informado sobre tecnologias e as tecnologias de pagamento instantâneo. As instituições financeiras, o comércio on-line e as redes sociais têm adotado mecanismos de segurança, como dupla verificação e fotos faciais, para proteger os consumidores, mas muitos se descuidam pela pressa ou impaciência. Porém, a conscientização é o melhor caminho para blindar a população contra bandidos que estão trocando a criminalidade das ruas pelo digital, que agora movimenta valores cada vez mais elevados.