(Imagem ilustrativa/Ben Mullins/Unsplash) Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), para a década que terminou este ano, era que ao menos 33% dos jovens entre 18 e 24 anos estivessem cursando o ensino superior, uma forma de ampliar a qualificação profissional em sintonia com as demandas da sociedade. O ano de 2024 termina com menos de 20% desse público matriculado em uma instituição de ensino superior. Revisado e debatido com vários segmentos ligados à Educação, o PNE para a próxima década amplia o desafio: a partir de agora, a meta é chegar a 40% de jovens na formação universitária. O desafio está posto e não se discute, aqui, se outras formas de qualificação profissional, como os próprios cursos técnicos, podem servir para ampliar a formação e garantir o desenvolvimento pleno do País em lugar de ir em busca do diploma universitário. Aqui, vale a observação de que a Educação Profissional e Tecnológica foi a modalidade de ensino que mais cresceu na educação básica no último ano, com um aumento de 12,1% nas matrículas entre 2022 e 2023, segundo o Censo Escolar 2023. Ainda que esse seja um fator positivo e sinalize ampliação de horizontes para os jovens e indicativo de desenvolvimento profissional, os cursos de nível superior têm a propriedade de permitir o acesso a outros campos do conhecimento e vagas de trabalho diferenciadas. Para alguns, são o caminho natural após a conclusão do ensino técnico. Para que a mesma curva ascendente se faça presente, é preciso garantir instrumentos de acesso no setor privado, já que a oferta de vagas nas universidades públicas é insuficiente e, em geral, privilegia estudantes que tiveram boa educação básica nas escolas particulares. Um desses instrumentos é o Programa Universidade para Todos (ProUni), do Governo Federal, que concede bolsas de estudo parciais e integrais para alunos de baixa condição socioeconômica. Importante estudo conduzido pelo Instituto Semesp, a entidade que reune as universidades privadas do País, mostrou que, em nível nacional, houve redução de 34% no número de matrículas entre 2019 e 2023, indicativo de qua fatores que vão além das bolsas podem estar freando o interesse ou a condição do jovem aluno acessar o ensino superior. Especialistas indicam alguns desses fatores: baixa divulgação do programa e das formas de acessá-lo por parte do Governo Federal; pouca informação sobre a necessidade de realizar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) como condição primeira para pleitear o ProUni e, tão importante quanto: oferecer ajuda de custo para que alguns estudantes carentes consigam se manter durante o curso. Atingir a meta prevista no PNE vai exigir esforço extra do Governo e dos setores ligados à Educação, como o próprio Semesp, que tem produzido importantes diagnósticos do segmento, com indicativos de soluções. Mais do que uma meta, ampliar o número de formados é uma estratégia essencial para impulsionar o desenvolvimento social, econômico e cultural de um país.