O retorno do Estado à fase amarela do combate à covid-19 volta a restringir a socialização e atinge as expectativas do comércio de recuperar até o Natal parte das vendas perdidas desde abril. Por isso, com tamanhos reflexos, espera-se que o Governo Dória e os prefeitos da região sejam eficientes com as medidas disponíveis para abreviar a fase restritiva ou mesmo evitar avanço para uma etapa mais rigorosa em plenas festas de fim de ano, se é que há clima para realizá-las. A vantagem é que as autoridades já experimentaram alternativas de contenção e é possível apontar iniciativas com boas chances de resultados. A principal delas é a prevenção. Por mais que se fale da necessidade da higiene e de não haver aglomeração, existe uma parcela disposta a se descuidar, muitas vezes motivada pelo individualismo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Esses cidadãos acham que serão assintomáticos e não se preocupam em prejudicar o próximo, muitas vezes familiares mais velhos ou desconhecidos com a saúde vulnerável. Como muitas das ideias negacionistas já foram desacreditadas, só é possível concluir que teimosia e ganância para faturar com atividades agora inapropriadas justificam comportamentos sabidamente incorretos. Contra tais atitudes, as autoridades precisam exercer suas obrigações de fiscalização - e de forma bem rigorosa. Para isso é que foram eleitos ou ingressaram no setor público. A área sanitária precisa ampliar os testes, enquanto estratégia para conter a doença. Muitas pessoas optam pela testagem por conta própria, como se fosse uma garantia de que estão imunes, ignorando que há uma fase de incubação. No final das contas, há mais desinformação e continuidade da transmissão. É preciso multiplicar os testes (a possibilidade deles venceram aos milhões por falta de uso é um escândalo) desde que associados a um eficiente isolamento dos doentes. O anúncio da fase amarela um dia depois do segundo turno gerou muitos comentários de que a medida foi eleitoreira. Resta ao Governo Dória provar que agiu com base técnica, pois se a impressão do critério político ganhar voz as campanhas contra o coronavírus sairão seriamente prejudicadas. Essa seriedade será fundamental se, numa situação mais grave, for preciso convencer a população a cancelar as tradicionais festas familiares e de confraternização de fim de ano. Por outro lado, o Governo do Estado tende a tomar medidas de restrição das atividades de lojas, restaurantes e bares. A fase amarela reduz os horários de funcionamento e a ocupação desses ambientes, deixando praticamente certo o comprometimento do faturamento. Por isso, é preciso que as autoridades sejam certeiras para que os resultados venham rapidamente e o impacto seja o menor possível. Porém, não se deve esquecer que a saúde vem em primeiro lugar, lembrando que, apesar de tanto se falar em vacina, a cobertura não será instantânea e sim gradual. Assim, sob desleixo, o vírus ainda terá muitos meses para se multiplicar.