A cada mês, o noticiário traz uma nova empresa famosa em dificuldades, recorrendo à recuperação judicial, como os casos de Americanas, Coteminas e Casa do Pão de Queijo (Divulgação) A cada mês, o noticiário traz uma nova empresa famosa em dificuldades, recorrendo à recuperação judicial, como os casos de Americanas, Coteminas e Casa do Pão de Queijo. Elas apelaram à proteção contra credores, sob compromisso de apresentar um plano de reestruturação, o que inclui a remodelação do próprio negócio. Conforme a Fundação Dom Cabral, com base em dados da Serasa Experian, entre as companhias médias, esses pedidos aumentaram 68% entre 2021 e o ano passado. Considerando todos os portes, 4,2 mil negócios solicitaram recuperação judicial no primeiro semestre, segundo a consultoria RGF, em reportagem do portal g1. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Cada empresa tem motivos específicos para suas dificuldades, como fraude, má gestão ou um baque durante crise econômica, que é uma constante no Brasil. No caso das recuperações pedidas, destacam-se as varejistas, de diagnóstico parecido. Perderam vendas e clientela na pandemia, o que resultou em queda de faturamento, levando ao endividamento. Passado o auge da covid-19, a inflação, o desemprego e a concorrência feroz do on-line continuaram abalando as receitas, mas os problemas explodiram com o aumento dos juros, que inflaram astronomicamente as dívidas. Dessa forma, nem mesmo negócios de renome e incensados escaparam da crise. Do lado da eficiência da gestão, de questões concorrenciais e de impactos de novas tecnologias, não há muito o que fazer, pois o mercado vai dar suas respostas e as mais ágeis e resilientes vão sobreviver. Porém, empreender no Brasil não é fácil. Por aqui, as crises econômicas se repetem em uma mesma década, com inflação e subida de juros reincidindo igualmente. Com um histórico assim, de muito calote e outros tipos de dificuldades, o crédito, insumo essencial para o desenvolvimento do capitalismo nos países mais importantes, se tornou escasso, pois os bancos investigam com lupa as empresas que pedem financiamento. Nesse ponto, isso é até positivo, pois o setor financeiro fica mais sólido e competente para receber o depósito dos brasileiros. Mas, o problema é que os juros estão sempre elevados, reflexo não apenas do risco que os bancos sofrem, mas principalmente porque a taxa básica costuma estar nas alturas. Com esse diagnóstico triste contra o empreendedorismo, principalmente do lado do varejo, o que mais o País precisa é de estabilidade econômica. Instituições fortes, como Banco Central, agências reguladoras e Judiciário, eficiência na gestão pública e redução do endividamento são essenciais para uma vida mais previsível. Mas também é fundamental reduzir a burocracia e os impostos, assim como melhorar a formação da mão de obra. São questões que de tempos em tempos acabam enfrentadas, como no caso das reformas trabalhista e Previdenciária e, agora, a tributária. Contudo, sempre muitos problemas ficam sem solução, com o País sofrendo com suas fraquezas.