O Ensemble, do presidente Emmanuel Macron, o grande perdedor, atingiu 21% (Soazig de la Moissonniere/Présidence de la République) Pelo menos 170 candidatos renunciaram à disputa por uma vaga no Parlamento francês, segundo o Le Monde, cujo segundo turno será realizado no próximo domingo. A desistência é estratégia para tentar barrar a vitória da extrema direita, que pode chegar ao poder pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. A intenção é abrir mão da própria candidatura e apoiar o melhor colocado em cada distrito frente aos radicais de direita. O placar do pleito do último domingo ficou em 33% para o Reagrupamento Nacional (RN), de Marine Le Pen, com 33%, enquanto a Nova Frente Popular, da esquerda, teve 28%. O Ensemble, do presidente Emmanuel Macron, o grande perdedor, atingiu 21%, A distância de 33% para 28% parece pequena, mas se não houvesse a segunda votação a legenda de Le Pen levariam quase 300 cadeiras do Parlamento, portanto, a maioria. Em um regime misto, Macron ainda terá muito poder. Seu mandato termina em 2027, com possibilidade de que até lá seja obrigado a governar com extremistas que sempre foram seus opositores ferrenhos. Por isso, ele conversa com a esquerda, parte dela radical e que tem como bandeira a de derrubar a reforma da previdência, conduzida pelo próprio Macron. De origem antissemita e contrária aos imigrantes, a extrema direita francesa, com seu avanço, preocupa os centristas europeus por envolver uma potência nuclear, militar, econômica e política, assim como mais um importante país, depois da Itália, passar a ter radicais no comando. O provável primeiro-ministro, se o RN confirmar seu favoritismo, será Jordan Bardella, de 28 anos, uma estrela em ascensão com 1,8 milhão de seguidores no TikTok. Ele defende não atender imigrantes ilegais nos serviços sociais e é contra o envio de armas de precisão para a Ucrânia. A juventude e a aparência bem cuidada de Bardella são apontadas como parte da mudança de imagem que Le Pen impôs ao RN, que até 2018 se chamava Frente Nacional, antes conduzida por Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, marcado pelo discurso de ódio e de negacionismo do Holocausto. Segundo analistas, houve uma onda moderadora, mas a raiz radical continua, abrigando defensores da França branca e oposta à imigração árabe, e com pautas comuns às da direita no mundo, como a do antiaborto. Não se sabe como a extrema direita se comportaria no controle do Legislativo francês, por exemplo, se seguindo o formato mais comportado da italiana Giorgia Meloni. O que se conhece do RN é que, diferentemente da bem costurada coalizão da esquerda, ele tem muitos grupos discordantes e alguns bem mais extremistas que outros. É possível que Macron dê uma guinada e faça acordo com os esquerdistas e pequenos partidos de centro, mas Bardella já disse que não aceitaria ser um premiê sem força. A Europa permanecerá sob suspense toda esta semana, pois o resultado eleitoral da França terá peso para influenciar todo o continente.