(Alexsander Ferraz/AT) Impressiona a quantidade de mortos por dengue na Baixada Santista. Conforme a reportagem publicada ontem em A Tribuna, são 21 registros fatais neste ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde – há ainda 28 óbitos em investigação. Trata-se de um problema que se espalha pelo País, o que exige um enfrentamento mais objetivo e contundente. O Ministério da Saúde contou, de janeiro até a semana passada, 3.417 casos fatais em todo o País, além de 2.897 mortes suspeitas pela doença. A preocupação aumenta com outro levantamento, do Governo Federal, que aponta que os quadros graves da infecção se concentram a partir dos 70 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudo indica que a complicação dos sintomas se dá em todas as faixas etárias, com mais riscos, além dos idosos, para pacientes crônicos, por exemplo, de diabetes e hipertensão arterial. Por isso, os governos não têm outro caminho a não ser o de ampliar o combate aos criadouros e investir em campanhas educativas. Infelizmente as mudanças climáticas se tornaram um problema a mais, pois dificultam o enfrentamento ao mosquito, cujo controle traz mais resultados entre maio e outubro. Porém, chuvas e calor atípicos nas estações mais frias atrapalham a eliminação do inseto. O clima não é o único culpado, pois quatro décadas atrás a doença não infestava o País, indicando que houve falhas de controle logo depois. Segundo o Ministério da Saúde, a dengue foi documentada apenas em 1981 e 1982 em Boa Vista (RR) e, em 1986, no Rio de Janeiro e em algumas capitais do Nordeste. Nos anos 1990 avançou de novo no Rio e na Baixada Santista a partir de Santos. Nessa época, dizia-se que a doença não atingiria a Capital nem o Sul de Minas devido ao clima mais frio. Hoje já está na Região Sul e, no mundo, em Tóquio, Paris e Nova Iorque. Para piorar a situação, tanto o inseto como o vírus da dengue têm uma capacidade impressionante de adaptação. Além das chuvas e do calor favoreceram a multiplicação do mosquito, a doença tem quatro sorotipos do 1 ao 4, que implicam na reinfecção em uma mesma região. Segundo o Ministério da Saúde, as dengues 1, 2 e 3 já são encontradas em São Paulo, enquanto a 4 não teve presença registrada em nenhum estado. Um grande salto foi dado no fim do ano passado, quando o Brasil foi o primeiro país a adotar a vacina contra a dengue no sistema público de saúde. Mas, por ser uma novidade, não se consegue produzi-la em quantidade suficiente, o que restringiu a imunização para 521 cidades, nenhuma delas da Baixada. É esperado que a cobertura melhore com o aumento da produção de doses, porém, o controle do inseto continuará sendo a melhor forma de combater a dengue, lembrando que o mosquito também transmite outras doenças graves, zika e chikungunya. Portanto, os governos precisam acelerar o passo contra o transmissor, pois nada impede que no fim do ano a infecção avance com mais força ainda.