(Imagem ilustrativa/Pexels) Os ditados envelheceram, caducaram. Como o mata-borrão, a escarradeira e as enciclopédias, não acompanharam a evolução do mundo, a mudança dos hábitos, a derrota das certezas, nem se deram conta das previsões não confirmadas. Agora, andam aos tropeços, a dar vexame, contrariados a todo momento pela realidade implacável. Exemplos? Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como assim, “quem espera, sempre alcança”? Da aposentadoria justa à tão sonhada viagem à Europa, o sujeito espera dez, vinte anos, e necas de alcançar. Há sete anos não vejo o Santos ser campeão e estou cansado de esperar. Tem gente por aí querendo recorrer ao Procon pela tentativa de iludir o consumidor. Outro: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”? Só se isso levar milhares e milhares de anos, e quem vai estar aqui para comprovar? O mundo hoje exige urgência, decisões rápidas, não dá mais para esperar tanto, já não bastam as decisões morosas da Justiça. “É de menino que se torce o pepino”. Primeiro de tudo, está para nascer quem consiga torcer um pepino. Começou mal. Depois, o ditado carrega uma violência disfarçada, escondida, como se o menino que rabiscasse a parede ou quebrasse uma janela merecesse uns safanões para aprender. “O apressado come cru”. Mas isso é desvantagem? Desde quando? E os sushis e sashimis? O carpaccio e as carnes mal passadas? Não entendi a lição de moral pretendida. Deve haver alguma, mas não captei. “A pressa é inimiga da perfeição”. Mas vai explicar isso para o chefe que exige que o trabalho seja feito pra ontem. “Mais vale um pássaro na mão que dois voando”. Quer dizer que é melhor prender passarinho na mão do que ficar assistindo às delicadas acrobacias do casal no ar? Chama o Ibama! Desconfio também de alguns ditados meio autoritários: “Quem com ferro fere com ferro será ferido”. Ô louco. Pra que tanta violência? Pra que essa sede de vingança? Além do quê, pra que ferir com ferro se algumas palavrinhas bem colocadas podem machucar mais? “Devagar se vai longe”. Essa aí eu sei quem inventou: alguém que ia de São Paulo a Cafelândia numa DKW 69. Na confusão em que andam as coisas, o jeito é adaptar os ditados. Quando não misturá-los, quem sabe ganhem um novo sentido. Algo como: “Casa de ferreiro, oficina do diabo”; “Deus ajuda quem tudo quer”; “Quem tudo quer, com ferro será ferido”; “Onde há fumaça, peixinho é”; “Para bom entendedor, bonito lhe parece”. É. Não ficou muito bom. Nem parece fazer muito sentido. Mas pouca coisa hoje em dia faz.