Desenvolvido em comunidades mais que carentes no interior de Pernambuco, Alagoas e Ceará, o Amigos do Bem é quase silencioso aos nossos ouvidos (Arminda Augusto) Poderia até desconfiar da veracidade dos números se não tivesse tido a oportunidade de conhecer pessoalmente o lugar que vou descrever aqui. E esse lugar ganha a visibilidade que merece país afora depois da divulgação dos mais recente ranking do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, esta semana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em fevereiro de 2022, nas férias, fui conhecer por alguns dias o projeto social mantido pela ong Amigos do Bem, aquela mesma que a gente vê nas embalagens de castanha de caju vendidas em supermercados da região. O saquinho de castanha de caju tem por trás um projeto social que todos deveriam conhecer. Desenvolvido em comunidades mais que carentes no interior de Pernambuco, Alagoas e Ceará, o Amigos do Bem é quase silencioso aos nossos ouvidos, que moramos aqui no Sudeste e Sul do País. A empresária Alcione Albanese é a mãe do projeto, criado em 1993 depois de uma visita que fez a um cidadela largada no tempo e no espaço nos confins de Pernambuco, onde água, luz, comida e os quesitos básicos de uma vida digna passavam longe. Em três décadas, Alcione arregimentou uma legião de voluntários pelo País, foi atrás de fundos, instituições, empresários e doadores comuns para mudar o destino de centenas de milhares de pessoas. Educação, trabalho, moradia, saúde, água e qualificação. Essa é a receita que Alcione aplica em cada uma das mais de 300 pequenas e extremamente vulneráveis comunidades onde atua, nos municípios de Buíque e Inajá (PE), São José da Tapera (AL) e Mauriti (CE). A escola é de primeiro mundo, com professores voluntários, merenda, consultório médico e odontológico, esportes, atendimento psicológico e mais (Arminda Augusto) Eu estive na Serra do Catimbau, dentro do município de Buíque, uma das quatro localidades que receberam as Cidades do Bem, um lugar onde Alcione e seu Amigos do Bem criaram escola, posto médico, moradia, praças, quadra esportiva e uma infinidade de outras coisas que jamais seriam oferecidas às famílias ali atendidas. Nesses pequenos oásis, o Amigos do Bem também criou estrutura para capacitar os trabalhadores a beneficiar o caju, fazendo dezenas de sub-produtos que são vendidos em todo o Brasil. E a escola? A escola é de primeiro mundo, com professores voluntários, merenda, consultório médico e odontológico, esportes, atendimento psicológico, atividades lúdicas, tecnologia e muita criatividade. Em algumas dessas cidadelas, o Amigos do Bem assumiu a gestão de escolas municipais, oferecendo gestão, capacitação, estrutura e acompanhamento. O resultado pode até demorar um pouco, mas aparece. Na escola municipal de Inajá, atendida pelo Amigos do Bem, o Ideb saltou de 3,5 para 9,2, um resultado notável em comparação com a média nacional, abaixo de 6 para o Ensino Fundamental, e superior à média do ensino privado, perto de 7. Fico feliz por vários motivos. Primeiro, por ratificar a minha e a crença de muitos de que o caminho do desenvolvimento sempre será pela Educação, e mais feliz ainda por ter tido a oportunidade de ver de perto o trabalho que o Amigos do Bem desenvolve, adotando como prioridade um pedaço de Brasil que é mais do que esquecido do resto do País: é anônimo. Parabéns, Amigos do Bem!