EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Rota 66: O fim da linha

Das paisagens do Arizona ao píer de Santa Mônica, os dois últimos destinos americanos

Winslow, no Arizona, dá as boas vindas nesta etapa final da rota. A cidade ficou famosa graças ao primeiro single do álbum de estreia da banda Eagles, aquela do 'Hotel California', para quem não conhece.

A canção 'Take it Easy' destaca em sua letra a cidade que, mesmo pequena, soube capitalizar com isto e atrair um grande número de turistas em busca de sua famosa esquina com as estátuas de Glenn Frey e ainda o maior símbolo da Rota 66 pintado no asfalto.

Agora, se o assunto é paisagem, algo que o Arizona ostenta, a boa pedida é o Petrified Forest, único parque nacional que inclui uma parte dele dentro da histórica Rota 66, marcada por um calhambeque abandonado e que se tornou símbolo do local.

Apesar da palavra floresta, o parque fica no deserto. Porém, vale dedicar muitas horas dentro dele, pois sua área é extensa e oferece diversas atrações que variam desde sítios arqueológicos, construções antigas, canyons e vales até centenas de petróglifos criados entre 1499 e 1000 dC.

O Berço da Histórica Rota 66, a cidade de Seligman, foi inspiração para a criação de Radiator Springs, do filme 'Carros', Pixar. Neste pequeno, porém marcante, trecho da rota é possível visitar lojas, museus, restaurantes temáticos e até a casa mais antiga de toda a rota.

Williams, também conhecida como o portal de entrada para o Grand Canyon, foi a última cidade a ter sua seção da Rota 66 desativada, após lutar no tribunal para impedir que a Interestadual 40 fosse construída em torno da cidade, preservando assim a histórica rota num dos pontos mais preservados e com vida noturna mais fascinante da Mother Road.

São diversos bares, restaurantes e até lojas de suvenires vigiadas por Elvis e seu Cadilac. Nos arredores da cidade do Urso Smokey (lembram dele?), é possível também visitar o Bearizona, um fantástico safári (com seu próprio carro) rumo ao encontro de animais selvagens como lobos e ursos.

Mas o crème de la crème de Williams é mesmo o Grand Canyon, especial mente se o trajeto for a bordo do trem da Grand Canyon Railway, numa fantástica viagem pelas maravilhosas e panorâmicas paisagens do Arizona. Para ficar ainda melhor, a dica é se hospedar no encantador resort Grand Canyon Railway Hotel, enriquecendo ainda mais esta experiência inesquecível.

Na vizinha Flagstaff está o Twin Arrows, um dos marcos da antiga Rota 66 que, mesmo vandalizado e exposto hoje numa área afastada, é quase obrigatório o registro fotográfico para sua viagem ficar completa.

O sinal mais famoso da Rota 66 é o lendário outdoor Jack Rabbit Trading Post, referente à loja que foi a primeira das cinco atrações da Rota 66 a sobreviver após a criação da interestadual. Dentro do espaço há um museu pequeno, mas interessante, sobre a história do local e da rodovia. O outdoor foi parodiado no filme 'Carros' (Pixar) com o sinal 'HERE IT IS', mostrado com um Ford Modelo T ao invés do simbólico coelho. Esta placa, inclusive, está na Disneyland, na Cars Land, onde é possível um passeio emocionante pela Rota 66, a bordo dos personagens do filme.

Califórnia

Adentrando na Califórnia, a cidade de Amboy, com menos de dez habitantes, é possível avistar de longe o letreiro de néon com 15 metros de altura do Roy's Motel & Café. O local é um símbolo icônico da rota desde 1959, e já figurou em várias produções cinematográficas como o assustador A morte pede carona. Perfeito para aquele hambúrguer de fim de tarde, namorando o pôr do sol no meio do deserto do Mojave.

Mas se o assunto é cinema, apaixonados pela obra de Tarantino irão se deliciar com o Emma Jean's Holland Burger Cafe, próximo à cidade de Victorville, locação de uma das melhores cenas de 'Kill Bill Vol. 2'. Mas não para por aí. A rota é puro cinema, basta incluir uma visita ao peculiar Bagdad Café, Newberry Springs, o primeiro e único café da cidade, e que inspirou o filme estranhamente cativante eque se tornou cult.

Bem próximo está o Bottle Tree Ranch, museu a céu aberto, todo feito com milhares de garrafas vazias formando árvores coloridas que contracenam com jipes de guerra, cavalos de carrossel, máquinas de escrever. Tudo em um verdadeiro caleidoscópio único, feito com muito amor e arte por um grande homem, mister Elmer, que, infelizmente, faleceu este ano. Mas seu legado, para sorte de todos, permanecerá encantando os viajantes.

Há algumas cidades fantasmas pela rota. A mais visitada e interessante é Calico, foco mineiro do oeste, 1881, que durante a maior greve de prata da Califórnia chegou a produzir US$ 20 milhões em minério de prata, por um período de 12 anos. Mas quando o produto perdeu seu valor, meados de 1890, a população migrou, tornando a cidade fantasma.

Sob o título de Marco Histórico do Estado, é um dos principais (e mais divertidos) pontos turísticos da região. Seu visual de velho oeste, suas lojas e atrações temáticas, e grandes sallons, dão a Calico um ar especial e encantador.

Em Barstow, é possível visitar um McDonald's estilizado como uma antiga estação ferroviária, que desativada, disponibilizou seus diversos vagões agora transformados em alas de alimentação e cenários para boas selfies. E por falar em Mc Donald’s, em San Bernardino encontra-se a primeira loja da franquia e um museu sobre a história da marca.

Chegando em LA, atração é o que não falta. Teatro Chinês, calçada da fama, o Teatro Dolby (cerimônia do Oscar), o letreiro de Hollywood e tantas outras lhe aguardam nesta cidade que merece um artigo inteiro apenas sobre ela.

Finalmente, o Fim da Trilha no píer de Santa Monica, inaugurado em 1909. O curioso é que a placa só foi instalada em 2009 e agora, há sensação de missão cumprida e aquela vontade imensa de começar uma nova aventura. E aí? Topam?

Tudo sobre: