[[legacy_image_216957]] Sabe aquele vizinho que chegou há algum tempo e deixa sua vida de pernas para o ar? É dessa forma que moradores e comerciantes da Rua Goiás, no trecho entre as avenidas Washington Luiz e Ana Costa, no Gonzaga, em Santos, se sentem a respeito das obras da Sabesp para troca da tubulação de esgoto, iniciadas há meses. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a empresa, o prazo para entrega, em novembro, está mantido. Mas, até lá, ainda vão sobrar reclamações, poeira e expectativa de que tudo termine. “Impactou bastante na questão de volume de clientes. E a gente não vê fim. Essa é a realidade. Mas vejo um pouco de descuido da parte deles. A rua fica toda suja. E a gente que lute”, afirma Carolina Silveira, gerente de uma pet shop na via, perto do Canal 3. Ela lembra que a inauguração do estabelecimento ocorreu no dia em que começaram as obras na Rua Goiás. “Escondida” pelas máquinas, ela lamenta a ausência e até o desconhecimento da loja por potenciais clientes. “Quem conhece a Rua Goiás sabe o quanto ela era movimentada. Hoje, não passa ninguém. Quantas pessoas falam para a gente ‘nossa, nunca tinha visto vocês aqui’. E estamos há mais de quatro meses”, acrescenta, lembrando que são comuns casos de alergia nos animais atendidos, pela poeira da obra. Quem está há mais de 30 anos no local também sente os efeitos das obras. É o caso de Manoel Gomes Ferreira, dono de uma padaria na esquina com a Rua Tocantins. Entre sujeira no estabelecimento e barulho em excesso, que atrapalha a comunicação com os clientes, ele lamenta a queda de até 50% na frequência. “É um transtorno muito grande, fora o prejuízo que a gente leva no movimento. Temos contas a pagar, e ninguém vai dar desconto para nós. Porque pensemos no freguês: com tudo interditado, como ele vem ao estabelecimento?”, questiona. Ele acrescenta que os empregados no caixa são obrigados, durante o atendimento aos clientes, a repetir várias vezes a mesma pergunta, devido ao barulho do lado de fora. “Um restaurante aqui da rua teve que cancelar recentemente uma reserva grande, de 27 pessoas, por causa da dificuldade de acesso. Isso é muito ruim”. "Casa de praia"Até quem não mora nas imediações da Rua Goiás reclama dos transtornos decorrentes das obras. É o caso do aposentado Tomio Makihara, que mora na Rua Silva Jardim, no Macuco, mas frequenta estabelecimentos na via. “Essa obra é um transtorno danado. Sempre usava a Goiás, porque ia direto para a Conselheiro (Nébias), a Ana Costa. Para a gente, está um transtorno. E não entendo porque demora tanto. Vai fazer aniversário”, pontua. Também há reclamações de quem mora perto dali, embora acompanhadas de uma dose de compreensão. “Moro há mais de 30 anos na Rua Goiás. É um mal necessário, a gente tem que passar, tem que compreender. Mas é muito demorado. A gente sabe que precisa, mas é um transtorno. Nossa casa virou ‘casa de praia’, porque entra muita areia”, resume o despachante aduaneiro Sandoval Júnior. “Espero que esse transtorno seja benéfico. Porque aqui, quando garoava, virava um rio. E que pare a buraqueira, porque a rua parece um queijo suíço”, considera. [[legacy_image_216958]] Prazos mantidosDe acordo com a Sabesp, estão mantidos os prazos anteriormente divulgados: a previsão é mesmo a de concluir em novembro as duas obras em andamento nos serviços de coleta de esgoto na Rua Goiás e também na Avenida Bernardino de Campos (Canal 2), no Campo Grande. “São obras de grande complexidade, que são demoradas. A gente entende o transtorno causado, mas elas trazem benefícios à população, pois reduzem os riscos de acidentes”, explica a supervisora da Sabesp na Baixada Santista, Olívia Mendonça. De acordo com a empresa, na Rua Goiás, está sendo concluída a inserção da nova tubulação e, assim, chega à fase final a implantação de 450 metros do coletor de esgoto existente sob a via santista. “Já foram iniciados os serviços de nivelamento e recuperação das calçadas. Esse trecho também vem recebendo melhorias com a recuperação dos poços de visitas (aberturas verticais utilizadas para inspeções nas redes) e a substituição das redes de saneamento que atendem aos imóveis locais. Terminando a renovação das tubulações, haverá a desmobilização dos equipamentos, para que seja feita a reposição do pavimento”, diz a Sabesp, em nota. Olívia assegura que não há risco de novos problemas, após as obras serem efetivamente concluídas. “A gente tem um coletor novíssimo, em polietileno, que substituiu por completo o coletor antigo”, argumenta a supervisora. Ela acrescenta que existe um planejamento para os reparos na rede de esgotos, que pode ser alterado por problemas pontuais. “A todo tempo, temos um trecho de rede sendo substituído da rede antiga para a nova. Cada município da Baixada possui um contrato com a Sabesp em que consta um planejamento para renovação das redes. Acontece de ter que fazer uma intervenção diante do grau crítico de cada trecho”, menciona. Canal 2Sobre a Avenida Bernardino de Campos, a Sabesp explica que a troca do coletor de esgoto também continua entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua Carlos Gomes, e se cumpre o cronograma, caminhando-se para liberar a via no mês que vem. “As equipes finalizarão a obra com a devida recomposição do pavimento local, além da execução de manobras para interligar a nova tubulação ao sistema existente”, acrescenta a empresa.