Novo terminal ocupará área de 90 mil metros quadrados entre as avenidas Martins Fontes e Engenheiro Augusto Barata (Retão da Alemoa) (Alexsander Ferraz/AT) Um novo terminal portuário será construído em uma área de 90 mil metros quadrados (m2) entre as avenidas Martins Fontes e Engenheiro Augusto Barata (Retão da Alemoa), no Valongo, em Santos. O local deve ficar pronto em 2026 e a capacidade será para mais de 124 mil contêineres anualmente. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A empresa santista Marimex é a responsável pelo investimento de mais de R\$ 350 milhões nas futuras instalações. A companhia, que movimenta hoje 82,8 mil contêineres por ano na região de Outeirinhos, pretende ampliar a capacidade em 50% com a mudança para o novo espaço, que será construído na área do antigo Terminal Marítimo do Valongo (Teval). Atualmente, 85% das operações da companhia são dedicadas às importações, o que corresponde a 10% de tudo que entra via Porto de Santos e 5% do Brasil. O novo terminal portuário será alfandegado e movimentará cargas gerais, com 25 mil m2 de armazéns cobertos e 65 mil m2 de pátio para contêineres. A empresa também irá restaurar um armazém existente no local que é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). A edificação é de 1892 e tem 5,7 mil m2. Armazém que existe no terreno, de 1892, é tombado pelo Condepasa e será restaurado pela empresa (Divulgação/Marimex) Segundo o presidente da Marimex, Antonio Carlos Fonseca Cristiano, o Caio, as obras devem levar de 18 a 24 meses. “Provavelmente, o terminal estará pronto no final de 2026 para o início das operações. A partir daí, a Receita Federal terá que alfandegar a área”. Presidente da Marimex, Antonio Carlos Fonseca Cristiano, o Caio (Alexsander Ferraz/AT) O terminal terá sete gates de entrada e saída de veículos 100% automatizados e controlados utilizando tecnologias para identificação, medição e conferências de peso; oferecerá melhor acesso aos caminhões; tempo reduzido na movimentação de carga; áreas destinadas ao atendimento de cargas controladas e ambientes refrigerados e climatizados, podendo operar todos os tipos de carga que necessitam de controle rigoroso e habilitação dos órgãos com os quais operam ativamente, com todas as licenças e certificações. Caio ainda aguarda uma definição da Receita sobre as operações atuais. “Enquanto a carga estiver no terminal, não é nacional, não está desembaraçada e precisa ser inspecionada pelo Ministério da Agricultura, Anvisa, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Civil, Exército etc. A Receita precisa definir se eu poderei transferir a carga de um terminal alfandegado ao outro ou se terei que desembaraçar tudo até zerar, aqui em Outeirinhos”. Atualmente, segundo ele, o terminal movimenta mais de 6 mil contêineres de importação por mês, além de 900 contêineres de exportação. Caio vislumbra um crescimento da produtividade, contando com nova estrutura moderna e gates automatizados. Um transtêiner (que faz o movimento do contêiner do caminhão para a pilha no pátio e vice-versa), de 780 metros de comprimento, será a principal aquisição. O executivo salientou que a região do antigo Teval é beneficiada pela localização. “A área nova é comprida, totalmente diferente da atual, paralela à futura avenida que será a segunda entrada do Porto de Santos, com um viaduto novo. É uma área interessante pela localização e eu vou ter armazém novo, com um investimento maior que poderá significar mais prazo de contrato”. O presidente diz que os investimentos previstos podem aumentar porque o projeto será concluído no final do ano. Para equilíbrio econômico-financeiro, o valor influencia no prazo do contrato, que, atualmente, vai até 2040. Mudança foi motivada pela construção da pera ferroviária A Marimex possui um contrato de arrendamento de 20 anos, renovável por igual período. Em 2016, foi feita a renovação antecipada do contrato. A transferência para a área do antigo Teval foi assinada em 10 de agosto de 2023, juntamente com a Prefeitura de Santos e a Autoridade Portuária de Santos (APS). “Tenho que apresentar um projeto definitivo ainda neste ano. Já está 65% pronto e protocolado em todos os órgãos oficiais. Espero estar com todos os licenciamentos resolvidos até outubro para contratar o financiamento pelo BNDES até o final do ano. Isso acontecendo, iniciarei as obras em janeiro ou fevereiro do ano que vem”, afirma o presidente da Marimex, Antonio Carlos Fonseca Cristiano, o Caio. Obras da pera ferroviária só começarão após o terminal zerar o desembaraço das cargas em Outeirinhos (Alexsander Ferraz/AT) A mudança de local foi pedida pela APS para a construção de uma pera ferroviária no local. A obra consiste em um pátio circular que possibilitará o transbordo da carga sem a necessidade de desmembramento do trem, melhorando a logística portuária. As obras estão a cargo da cessionária Associação Gestora da Ferrovia Interna do Porto de Santos (AGFips), que só poderá dar início aos trabalhos após a Marimex zerar o desembaraço de suas cargas e sair do local, de acordo com Caio. Estrutura atual A Marimex possui em torno de 1,3 mil funcionários e deve ampliar o quadro na transferência do terminal. Em sua sede administrativa, em Outeirinhos, localizada em frente ao terminal de contêineres (Rua Xavier Pinheiro, no Macuco), possui um centro de controle de gerenciamento de risco, de onde monitora todos os terminais —Terminal Alfandegado (T2), sede (T3), Armazém geral (T5), Terminal de Apoio de Transporte (T6) e Terminal de Transporte Rodoviário (T8). A Marimex possui uma frota própria de 300 caminhões. Nos últimos 12 meses, adquiriu 50 novos caminhões e equipamentos.