"Foi uma agenda muito rica nessa questão da tecnologia e da inovação", afirma Maxwell Rodrigues (Divulgação) Com mais de 70 anos de existência, a editoria Porto & Mar, de A Tribuna, que foi a primeira publicação segmentada a reunir notícias portuárias no Brasil, se consolidou pela credibilidade jornalística construída ao longo dessas décadas. O Grupo Tribuna, porém, avançou no universo portuário, estabelecendo um cronograma de encontros para unir os principais representantes do setor - públicos e privados - e debater temas relevantes para a área, sempre em busca de respostas e soluções. Nessa agenda técnica, que acontece o ano inteiro, está incluída uma missão internacional, em que executivos e autoridades são levados pelo Grupo Tribuna para portos de todo o mundo. Em 2022, o destino foi Roterdã, na Holanda. Já em 2023, a comitiva foi para Israel. E entre 16 e 21 deste mês, a Coreia do Sul brindou os participantes com uma imersão em tecnologia e inovação. Responsável por organizar a missão, o consultor de assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues, explica os desafios de uma agenda tão completa na Ásia, as principais lições e o que está planejado para o futuro. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quais pontos você destacaria da missão à Coreia do Sul? No jantar de abertura, fomos recebidos pela embaixadora do Brasil na Coreia do Sul (Márcia Donner Abreu), que foi muito feliz em nos proporcionar um sentimento de segurança no país. No primeiro dia de agenda, fomos ao Porto de Incheon, que tem projeto de expansão significativo. Chamou atenção o terminal de passageiros proposto para o local, um projeto muito bem estruturado. Depois, tivemos a possibilidade de conhecer três empresas gigantes da Coreia do Sul: Samsung, LG e Hyundai. E qual é a relação dessas indústrias com o setor portuário? Por que foi uma experiência relevante? Mostra a preocupação do Grupo Tribuna com a pauta de tecnologia e inovação. Quando olhamos para a tecnologia, percebemos que todas as indústrias convergem para tecnologias que estão disponíveis. A indústria automobilística investe muito em sensores, seja para prever acidentes, seja dentro dos motores dos veículos. O que tem total aderência com a realidade portuária. Hoje, as operações portuárias atuam com vários sensores, porque têm a automação como foco principal. Quando a gente olha um veículo autônomo andando, quando ele detecta uma pessoa ou alguma barreira no caminho e para, é tudo sensor. Portanto, estar antenado com o que as outras indústrias estão fazendo é muito importante. A principal lição para o setor portuário seria olhar para essa tecnologia e encontrar maneiras de melhorar a eficiência dos portos brasileiros por meio dela? A grande lição para a indústria portuária é estar antenada nas outras indústrias pois o que é desenvolvido em uma, pode ser usado na outra. É claro que essas outras indústrias estão muito mais avançadas em relação à portuária. Mas eu posso utilizar tecnologia dentro de uma central de controle operacional do porto, levar essa inovação para dentro da indústria portuária. Porque as operações necessariamente serão remotas. A transformação passa rápido e isso está impactando na nossa realidade dentro das operações portuárias. Foi uma imersão nesse tema na agenda da missão... Foi uma agenda muito rica nessa questão da tecnologia e da inovação. Fomos ainda para Busan, um dos maiores portos do mundo em volume de movimentação. Pudemos ver de perto os terminais automatizados. Muitas coisas chamaram atenção, inclusive uma área do porto na qual a construção de uma ponte gerou limitação e eles, obrigatoriamente, tiveram que expandir para uma outra localidade. Já em Ulsan, conhecemos uma indústria colada ao terminal portuário, onde existe toda a logística para a fabricação do veículo. E quando o carro fica pronto, sai da fábrica diretamente para o navio (para exportação). É uma coisa fantástica. A viagem também permitiu visitar um estaleiro? Para quem é do setor portuário, é uma oportunidade única você conhecer como os navios são fabricados. Acompanhamos todo o processo de fabricação, todas aquelas peças gigantes sendo montadas. E tem os berços onde os navios ficam para depois serem liberados para alto-mar. Vendo hoje como está a Coreia, você acha que é possível o Brasil atingir esse mesmo nível de tecnologia? A Coreia do Sul saiu de uma situação de muita escassez e se transformou numa potência. É um país extremamente industrializado, com uma economia muito pujante e com uma sociedade focada efetivamente na produtividade. Lá eles olham o problema para resolver, não vivem o problema. No Brasil, a gente vive problemas há décadas e não consegue resolver. O Brasil é eficiente em muitas questões, mas precisamos entender qual é o nosso planejamento, o que o Brasil quer ser no futuro. Vamos ser exclusivamente um país que planta e exporta commodities? Faremos uma pré-industrialização dessas commodities para exportar? Ou efetivamente a gente vai industrializar o País? As expectativas da missão foram atingidas plenamente? O Grupo Tribuna, de forma muito acertada, conquistou espaço com uma agenda focada em tecnologia e inovação. Somos pioneiros, não vemos outras iniciativas olhando para isso. Percebemos uma satisfação muito grande da comitiva com essa pauta, principalmente daquelas pessoas que não têm muito contato com esse tipo de agenda. Todos saíram muito impressionados. Fiquei seis meses trabalhando nessa agenda para levar 44 pessoas. Não é pouca gente, em alguns lugares tivemos que dividir em dois grupos. Foi o maior desafio da minha vida. E o planejamento da próxima já começou. O que podemos adiantar sobre a missão de 2025? Estamos olhando para o Vale do Silício (na Califórnia, Estados Unidos), para os portos dos Estados Unidos, dando continuidade nessa pauta de tecnologia e de inovação, principalmente por solicitação dos executivos. Estamos pensando na integração de dados, uma vez que a gente tem tantos sistemas hoje atuando dentro do universo portuário e fazendo a integração não só com o governo, mas também com empresas do mundo todo. É algo que a gente pode adiantar, além, é claro, das visitas aos portos, conhecimento das autoridades portuárias locais, da cultura. São agendas que acabam provando que o Grupo Tribuna é extremamente relevante para o setor portuário. Arriscaria a dizer que hoje, no mercado, o Grupo Tribuna possui a melhor missão internacional. Isso por alguns aspectos: conteúdo, autoridades presentes e escolha dos locais. São locais que nos dão a possibilidade de pensar fora da caixinha, para que a gente possa cada vez mais elevar a régua dessas missões internacionais.