Ex-diretora da Antaq Flávia Takafashi, que é uma das principais vozes na regulação do setor no País (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) Converter discurso em aumento da inserção de mulheres no setor portuário e marítimo, principalmente, em cargos de liderança. Estimular essa mudança de cenário é o papel do projeto Mulheres a Bordo, uma iniciativa do Grupo Tribuna criada em 2025 e que terá agenda ampla em 2026. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! A programação prevista para este ano inclui dois fóruns presenciais e uma missão internacional ao Panamá, além de reportagens quinzenais destacando profissionais do setor portuário. O 1º Encontro Mulheres a Bordo será realizado em 5 de maio, no auditório do Grupo Tribuna, em Santos. Já o 2º encontro está previsto para 1º de outubro, ainda com sede a definir – Brasília é um dos locais analisados. A Missão Internacional ao Panamá deve ocorrer entre os dias 18 e 21 de agosto. O Panamá, conhecido por seu canal que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, é um hub logístico estratégico para o comércio marítimo global. “O Mulheres a Bordo pretende criar oportunidades de discutir o fortalecimento das mulheres por meio de fóruns e workshops qualificados, que proporcionem espaços de diálogo e reflexão”, afirma a ex-diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) Flávia Takafashi, que é uma das principais vozes na regulação do setor no País. No escopo editorial, o Mulheres a Bordo dobrará a publicação de reportagens, passando de mensal para quinzenal. A primeira matéria, sobre a trajetória profissional da gerente comercial da Santos Brasil, Evelyn Marques de Ornelas, será publicada neste sábado (21). A empresa portuária é patrocinadora do projeto. “Essas entrevistas vão permitir que mulheres que trilharam caminhos relevantes compartilhem suas experiências, inspirem outras profissionais e contribuam para ampliar a presença feminina em cargos de liderança”, explica Takafashi, acrescentando que o espaço também será dedicado “à análise técnica de temas do dia a dia do setor, sob a ótica dessas profissionais”. “O projeto surgiu com o objetivo de desenvolver, destacar, fomentar, estimular e debater a presença feminina em portos e empresas marítimas e portuárias brasileiras”, explica. Takafashi conduzirá o Comitê de Mulheres a Bordo. “Por ter convidado tantas mulheres a ‘sentarem-se à mesa’ do setor aquaviário nos últimos cinco anos, recebi esse honroso convite do Grupo Tribuna para engrandecer ainda mais esse debate”, salienta a executiva que deixou o cargo de diretora da Antaq em fevereiro. Flávia foi a primeira mulher a compor o colegiado de diretores da agência. Força de trabalho feminina As mulheres representam apenas 17,8% da força de trabalho no setor portuário brasileiro, com um ligeiro aumento de 0,5% em dois anos, segundo a Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário de 2024, divulgada em 2025. O mapeamento, em sua segunda edição, foi realizado pela Antaq, em parceria com a Women’s International Shipping and Trading Association (Wista Brazil). Flávia avalia que, embora haja evolução nas discussões sobre temas como assédio e liderança feminina, ainda falta transformar discurso em prática. “O que precisamos é aumentar a taxa de conversão do debate em ações efetivas que elevem o número qualificado de mulheres nas organizações”, afirma. Ainda assim, a executiva mantém uma visão otimista. “Vejo um caminho de sucesso e promissor”, enfatiza Takafashi. Engajamento de empresas Outro eixo importante é o engajamento das empresas. “O projeto busca estimular as companhias a compreenderem o valor econômico e institucional gerado ao criar oportunidades para o desenvolvimento de mulheres. A participação ativa das empresas é essencial para promover a equidade e impulsionar o crescimento sustentável do setor”, acrescenta. Programação (datas previstas) 5 de maio 1º Encontro Mulheres a Bordo Auditório do Grupo Tribuna, em Santos 1º de outubro 2º Encontro Mulheres a Bordo Local a definir 18 a 21 de agosto Missão Internacional ao Panamá