Prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira, fala em impactos gerados no deslocamento da população (Carlos Nogueira/Arquivo AT) A instalação de um pátio de caminhões na área conhecida como Ilha do Tatu, ao lado do viaduto Mario Covas, em Cubatão, poderá impactar o deslocamento de mais de 60 mil pessoas, alertou o prefeito Ademário Oliveira (PSDB) ao saber sobre o chamamento público que a Autoridade Portuária de Santos (APS) pretende lançar nos próximos dias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme A Tribuna noticiou na última sexta-feira, trata-se da concessão de uma área de 530 mil metros quadrados (m2), com contrapartida de 100 mil m² destinados a estacionamento público com 800 vagas para caminhões. A cessão do terreno, que é da União, será por parceria público-privada (PPP). Mas, se no entendimento da APS o pátio soluciona o déficit de vagas para veículos pesados, para o prefeito de Cubatão representa a piora do gargalo no acesso aos bairros próximos. “Sou veementemente contra trazer caminhões para a área urbana. Mais de 60 mil pessoas, que moram na Ilha Caraguatá, Jardim Casqueiro, Parque São Luís e Vila dos Pescadores serão diretamente afetadas”, diz Oliveira. “É uma imposição e nós não vamos aceitar isso. Os municípios ainda têm soberania dentro do Pacto Federativo”, protesta o prefeito. Ele afirma, ainda, que não foi procurado pela APS para tratar do assunto. “Não dá para o Governo Federal discutir um projeto sem sequer dialogar. Como é que se pensa em um pátio sem discutir os efeitos colaterais, sem discutir do ponto de vista logístico e dos gargalos? Como é que se pensa em travar uma cidade com a intenção de modernizar outra (Santos)?”, questiona. O prefeito ressalta que o Plano Diretor do Município classifica a área como “extensão urbana comercial” e que cerca de 15 mil pessoas residentes nos Bolsões 7,8 e 9, no Jardim Casqueiro, utilizam a interligação das rodovias Anchieta e Imigrantes como acesso ao bairro, que fica próximo à área. Os questionamentos do prefeito foram encaminhados pela Reportagem à APS, que respondeu em nota. Disse que a área conhecida como Ilha do Tatu, em Cubatão, foi incluída na poligonal do Porto de Santos. “A implementação de um estacionamento rotativo é uma necessidade premente do Porto e permitirá investimentos na acessibilidade de cargas rodoviárias que é um dos objetivos estratégicos da APS”. A gestora do complexo portuário santista informa ainda que “dentro da relação Porto-Cidades, qualquer iniciativa que impacte o cotidiano do cidadão será debatida com os interessados, sejam eles usuários e clientes do Porto, moradores do entorno, sociedade civil organizada, prefeituras e câmaras municipais”. Audiência pública A APS informa que mais esclarecimentos sobre a área serão apresentados durante a audiência pública no dia 13 de junho e em outras que ocorrerão, todas na sede da gestora do Porto. “A APS realizará uma série de audiências públicas em junho, sendo que a primeira, no dia 13, irá debater a poligonal do Porto e, consequentemente, a área a ser licitada”.