Esgotamento da capacidade do cais santista é preocupação do Ministério de Portos e Aeroportos, que busca áreas viáveis para aumento do espaço ocupado pelo setor portuário (Alexsander Ferraz/AT) A ampliação da Poligonal do Porto Organizado de Santos, que anexaria 420 mil metros quadrados da Vila dos Criadores, em Santos, à área portuária, deve sair do papel, na visão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Trata-se de um “ativo muito importante”, segundo ele, para o aumento da capacidade do Porto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista exclusiva para A Tribuna neste sábado (8), após participação no Fórum Esfera, realizado em Guarujá, o ministro confirmou que o local que, hoje, abriga a comunidade com 5 mil famílias, ao lado das empresas da Alemoa, no limite com Cubatão, é fundamental à expansão portuária. Costa Filho lembrou que já pediu à Autoridade Portuária de Santos (APS), um estudo a respeito do tema. “A expansão da poligonal é muito benéfica para o Porto de Santos. Devemos, sobretudo, ter um olhar para a Vila dos Criadores. Já recomendamos ao presidente (da APS) Anderson Pomini que fizesse um estudo sobre a manobrabilidade, para a gente ter um diagnóstico mais claro. (A Vila dos Criadores) é o futuro do Porto, assim como Área Continental de São Vicente e Bagres. São esses três ativos que o Porto tem como um plano de expansão”, afirma. A Vila dos Criadores representa a última área disponível, na chamada Margem Direita, que possibilita a instalação de um terminal para contêineres. A área poderia receber uma nova versão do STS10, inicialmente previsto para o Saboó. O ministro prega diálogo sobre o tema. “Estamos trabalhando par a voltar a discutir o STS10 com o Governo Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU). É importante a gente ampliar, cada vez mais, a competitividade. Vejo um STS10 remodelado, mas construído com toda a sociedade e com o setor produtivo”. Uma audiência pública referente à poligonal está marcada para a próxima quinta-feira, a partir das 9 horas, na sede da APS (Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/nº, no Macuco). Concais Outra audiência pública na APS está marcada para a sexta-feira, também às 9 horas, e irá tratar da transferência das operações do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, que fica atualmente na região de Outerinhos, para a área entre o Valongo e o Saboó, ao lado do futuro Parque Valongo (dentro do atual STS10). O ministro de Portos e Aeroportos apoia a transferência. “O terminal é importante, porque a gente precisa de navios de cruzeiros, que geram empregos e são importantes para a economia. Precisamos, através do Parque Valongo e do Concais, fazer com que a Cidade possa também usufruir do que representa o Porto, até porque muitos moradores não o conhecem. Esse atrativo que está sendo desenhado será importante para a Cidade”. Com a transferência, o terminal de passageiros pode mais que dobrar de tamanho. O atual espaço tem 41.895 metros quadrados (m2), contra 85 mil m² do novo local. Ecoporto A terceira audiência pública da semana, também na sexta-feira, às 14 horas, tem relação com o Concais. Isso porque abordará a renovação e substituição de área arrendada à Ecoporto localizada na região do Saboó, por nova área, ao lado, na mesma metragem. Essa saída da Ecoporto é necessária porque o terminal de passageiros ocuparia exatamente a área que a empresa está hoje, no Valongo. O movimento desagrada o setor de contêineres, que pretendia que toda essa área fosse usada para expansão da atividade. Caminhões Indagado sobre a polêmica em torno da construção de um pátio para caminhões em Cubatão, na interligação das rodovias Imigrantes e Anchieta, ao lado do Viaduto Mario Covas, o ministro Silvio Costa Filho ressaltou a necessidade desse tipo de espaço. Mas Prefeitura e vereadores são contra essa iniciativa da APS. TCU recebe relatório sobre túnel Santos-Guarujá em dez dias No evento deste sábado (8), o ministro de Portos e Aeroportos. Silvio Costa Filho, voltou a destacar os investimentos no Porto de Santos. Elencou futuras obras no cais santista, como o túnel Santos-Guarujá e o Aeroporto Civil Metropolitano em solo guarujaense. Sobre a ligação seca, ele garantiu que, nos próximos dez dias, deve ser encaminhado relatório ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que possa autorizar a modelagem que está sendo desenhada pela União e Governo do Estado, com o anúncio do processo licitatório no início do próximo ano, uma obra de R\$ 6 bilhões. Dragagem “Vamos fazer a PPP da dragagem para, independentemente do governo de plantão ou do presidente da Autoridade Portuária, a gente avançar na dragagem, para poder aumentar o calado (no Porto de Santos) de 14 para 17 metros e aumentar a nossa competitividade perante navios maiores do mercado internacional”, pontua o ministro. No entanto, ele ressalta que isso não desvia o foco de outros centros portuários. Segundo ele, serão 35 leilões de terminais nos próximos três anos, com foco em granéis. “Estamos estruturando o Porto de Santos, mas devemos ter um olhar para os demais portos no Brasil. Temos uma cartela de investimentos privados no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) de quase R\$ 60 bilhões em investimentos. Não só em Santos, mas nos portos de Suape (PE), Itaqui (MA), Pecém (CE) A gente tem um olhar para o Arco Norte. Vai ser um instrumento importante para o desenvolvimento do Brasil”, descreve. O ministro desmentiu a tese de que o Governo Federal descarta parcerias com o setor privado. “Isso não é verdade. Tanto que, de R\$ 1,7 trilhão do PAC, mais de R\$ 800 bilhões são do setor privado. A maior parte do PAC é privada. Quem estiver apostando que o Brasil vai dar errado, vai errar”. Rio Grande do Sul O ministro de Portos e Aeroportos diz que “na hora certa” vai falar sobre a situação do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, severamente afetado pelas chuvas de maio no Rio Grande do Sul. “O que temos, até agora, são declarações de A e de B, que não condizem com a realidade dos prazos. Terminamos de limpar o terminal e estamos fazendo um diagnóstico da situação. Não podemos dar uma data objetiva (para a reabertura)”.