Terreno na Ilha do Tatu, próximo à interligação das rodovias Anchieta e Imigrantes, pode receber pátio (Alexsander Ferraz/ AT) A licitação para construção de um condomínio logístico, com pátio regulador para caminhões, na Ilha do Tatu, ao lado do Viaduto Mario Covas, em Cubatão, segue gerando polêmica. Depois do prefeito Ademário Oliveira (PSDB) e a Câmara de Vereadores se manifestarem contra o empreendimento, agora é a vez de representantes de bairros próximos fazerem o mesmo. Trata-se de locais que seriam impactados, pois moradores utilizam diariamente a interligação das rodovias Anchieta e Imigrantes como acesso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em nota, a Sociedade de Melhoramentos do Jardim Casqueiro diz lutar há muito tempo por pátios públicos para os caminhoneiros da cidade e mostra-se contra o uso da área para essa finalidade, pois a proposição não visa resolver o problema em questão. “A Autoridade Portuária não pode tratar Cubatão como um puxadinho do Porto de Santos. É preciso respeitar as características, a história e o posicionamento dos moradores da cidade. Como um município que tem orgulho de ser exemplo mundial de recuperação ambiental pode aceitar a destruição de 530 mil m2 de área verde e de manguezal, o equivalente a 64 campos de futebol, para garantir lucros para poucas empresas?”, dispara. A entidade acrescenta que não se deve abrir mão da sustentabilidade e da qualidade de vida em nome de empregos. “Não vamos aceitar que uma região densamente povoada, que já sofre com os gargalos logísticos do Porto, seja ainda mais prejudicada. No nosso entendimento, só se derrubam árvores nesta cidade se for para construir habitações, oferecendo condições dignas de moradia para os cubatenses”, afirma. A presidente da Associação de Melhoramentos União da Ilha Caraguatá, Márcia Guerra de Almeida, entende que a iniciativa não trará benefício para os moradores do bairro. “Estamos aguardando também um retorno da Autoridade Portuária, que ficou de trazer respostas às perguntas que foram colocadas na reunião em que estivemos no dia 21”, revela, embora considere de extrema importância um estacionamento para os caminhões. A Reportagem procurou ainda representantes dos bairros Parque São Luís e Vila dos Pescadores, também lembrados pelo prefeito Ademário Oliveira como alvos de problemas relacionados ao empreendimento, porém eles não responderam até o fechamento da matéria. Conflito antigo O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, explicou, em entrevista para <FI5>A Tribuna</FI> publicada em 24 de maio, que o novo estacionamento irá sanar um conflito antigo entre motoristas e moradores de Santos, ocasionado por caminhões estacionados em locais residenciais. “O mercado terá à disposição 530 mil m2, dos quais 100 mil m2 serão utilizados para um estacionamento do Porto. É uma contrapartida exigida para a criação de 800 vagas para caminhões, com espaço adequado para que os motoristas tenham área de lazer, de higiene e banho, atendimento religioso e psicológico”, explica Pomini. “É um absurdo que o Porto não tenha um pátio adequado para os 15 mil caminhões que chegam à Margem Direita todos os dias”, completa. Saiba mais A Autoridade Portuária irá licitar a área para construção de um condomínio logístico, com pátio regulador para caminhões, na Ilha do Tatu, em Cubatão, no dia 10 de julho, às 9 horas. O investimento é estimado em mais de R\$ 3 bilhões. Trata-se da cessão de uso onerosa de uma área da União de 530 mil m2, com contrapartida de 100 mil m2, destinados à construção de um pátio de triagem de caminhões, condomínio logístico e atividades acessórias, com 800 vagas para estacionamento. O terreno faz parte da poligonal do Porto Organizado de Santos, próximo à interligação das rodovias Anchieta e Imigrantes. A cessão de uso será por parceria público-privada (PPP) e o contrato terá vigência de 35 anos. Podem concorrer pessoas jurídicas brasileiras ou estrangeiras, entidades de previdência complementar e fundos de investimento, isoladamente ou em consórcio.