[[legacy_image_181872]] Os sucessivos aumentos no preço do diesel são apenas um dos problemas do transporte rodoviário. De 2020 para cá, os valores dos caminhões e implementos (reboques, carrocerias e baús, entre outros) dispararam, impactando a cadeia logística e onerando a movimentação de cargas. Caminhoneiros que atuam no Porto de Santos relatam dificuldades para seguir na estrada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Levantamento do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) aponta que o preço de um novo veículo teve alta de 92% em dois anos e o diesel subiu 64%, seguidos de pneus (56%) e implementos rodoviários (45%). “Um caminhão que a gente comprava em 2020 por R\$ 485 mil, hoje custa R\$ 990 mil”, diz o diretor do Sindisan, José Carlos Ornellas Priante. Ele explica que a escolha entre renovação e manutenção da frota nas empresas depende da gestão de cada transportadora, exceto em uma situação. “Há alguns contratos com clientes que exigem idade dos veículos, obrigando a renovação da frota. Dependendo do tipo de mercadoria, a renovação ocorre a cada cinco anos”. No entanto, essa realidade não existe entre os caminhoneiros autônomos. Para o motorista Erick Vinicius Barranco de Carvalho, de 21 anos, é “quase impossível” que um autônomo troque de veículo ou até mesmo compre uma peça nova. “Manutenção preventiva, por exemplo, não existe mais. Tem muito caminhão abandonado ou à venda porque o pessoal não conseguiu se manter. Para o autônomo, é impossível comprar pneu zero hoje, principalmente de primeira linha”. Para as empresas de transporte, o trabalho segue conforme os valores são repassados aos clientes. “A gente tem que repassar ao embarcador, não tem como a transportadora suportar isso, o que acaba impactando no frete e no valor da mercadoria ao consumidor final”, explica Priante. Já para os autônomos, a luta é seguir atuando. “Está bem desgastante tentar sobreviver com o caminhão”, enfatiza Carvalho, que cita dificuldades no dia a dia. “A situação é precária. Para um caminhão de nove eixos sair de Goiás ou Mato Grosso rumo ao Porto de Santos, é muito difícil. O frete não bate”. O presidente da empresa ABC Cargas, Danilo Guedes, explica que o frete não subiu na mesma proporção que os custos. “Quando a gente fala do Porto de Santos, principalmente em transporte de contêineres, é notório o sucateamento de caminhões e a gente vê isso quando passa nas rodovias. Isso se dá muito pelo baixo frete”. Já para o representante do Sindisan, o maior impacto no complexo portuário é em relação aos armadores. Ele ressalta que as novas regras para liberar contêineres vazios, a redução de disponibilidade de caixas metálicas e a diminuição de prazo para entrega impactam nos custos. Para o diretor operacional da empresa Zorzin Logística, Marcel Zorzin, entre comprar um novo caminhão ou manter um antigo, a melhor escolha hoje é a manutenção. “É melhor fazer a manutenção e utilizar o caminhão por mais dois ou três anos, até ver quando o mercado vai se acertar ou se o frete conseguirá absorver o aumento dos custos”.