Veículos 0km que acabaram de sair da fábrica vão direto para o navio para exportação; montadora na cidade de Ulsan tem cinco unidades (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Não havia carros em cima de caminhões-cegonha na rodovia. Ainda assim, os veículos 0km que acabaram de sair da fábrica não paravam de chegar em um terminal portuário na cidade de Ulsan, na Coreia do Sul. Todos aguardavam a vez de embarcar em um navio para exportação. Mas como esses carros chegavam até ali? A Hyundai, empresa fabricante, foi construída na área portuária. São cinco unidades e uma sexta está em fase de construção para produzir veículos elétricos. Juntas, elas formam a maior fábrica integrada de carros do mundo. Dali, os veículos saem direto para os navios. Esse foi um dos cenários visitados ontem, no último dia da Missão Internacional Porto & Mar Brasil - Coreia do Sul 2024, do Grupo Tribuna, A planta de Ulsan da Hyundai tem 31 mil trabalhadores, em uma área de 5 milhões de metros quadrados. Trabalho de levar os carros até o navio é feito por trabalhadores ligados ao sindicato, que seriam os avulsos, numa comparação ao cais santista (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Números A fábrica abre às 6h30 e as operações terminam meia-noite. Por dia, são feitos 6 mil carros, o que dá mais de 1,5 milhão de veículos por ano. A maior parte da linha de produção está automatizada. Mas há serviços manuais, como, por exemplo, montar e encaixar as portas. Aproximadamente 65% dos carros fabricados na Hyundai vão para a exportação, o que justifica a escolha de um porto para a instalação da fábrica. O gerente de Relações Governamentais da Portonave (SC), Eliezer Giroux, destaca o processo verticalizado. “É uma empresa que tem desde o momento da fabricação do carro, a armazenagem, o embarque e, inclusive, navios. Isso tudo facilita o processo”. Otávio Grottone, responsável por assuntos regulatórios na Eldorado Brasil Celulose, enxerga economia. “Não só de tempo, mas de dinheiro. Você tem uma redução de custo. O dinheiro fica na empresa e é redistribuído para a comunidade”. A Hyundai tem 100 navios espalhados pelo mundo. A responsável pela operação focada no transporte de veículos é a Glovis. Dentro do terminal, o trabalho de levar os carros do pátio até o navio é feito por trabalhadores ligados ao sindicato, o que seriam os avulsos, numa comparação ao Porto de Santos. Durante a visita, o grupo brasileiro recebeu a notícia que, no final de agosto, deve chegar ao Brasil o primeiro carro Palisade SUV produzido na Hyundai. Ele vai de navio para Santos. Demonstração incluiu veículos elétricos dos mais avançados e novidades que serão lançadas no mercado (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Empresa construiu minicidade em área de 6,8 milhões de m2 Quanto tempo um navio grande, porta-contêineres, leva para ficar pronto? Isso depende do local em que ele está sendo fabricado. Na HHI, da Hyundai, que fica em Busan, na Coreia do Sul, são 11 meses. O processo lembra muito o de montar grandes estruturas num famoso brinquedo de encaixar peças. Para atingir este patamar, a empresa construiu uma minicidade, numa área de 6,8 milhões de metros quadrados (m2) que possui 34 mil trabalhadores. Ali, a companhia costuma produzir soluções para as suas próprias empresas. Integrantes da Missão Internacional Porto & Mar dentro da empresa (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Estrutura Empresários e autoridades integrantes da Missão Internacional Porto & Mar Brasil - Coreia do Sul 2024 fizeram um tour guiado pela empresa. Dentro de um ônibus, eles percorreram o terminal onde vários trabalhadores se deslocam de bicicleta de um ponto a outro ou utilizam linhas de ônibus próprias que circulam pelo terminal. A visita começou com a observação da montagem de chapas, um trabalho que ajuda a formar as primeiras peças. Cada parte do navio é construída separadamente. Aos poucos, ele vai tomando forma e ficando gigante. O empresário Rodrigo Lopes Salgado, sócio-diretor da T2S Tecnologia, conta que ficou surpreso com a estrutura que viu. “Estávamos preparados para visitar um estaleiro e ali dentro eram nove ou dez empresas gigantescas. Isso tudo abre a nossa mente e nos proporciona formas de enxergar como a tecnologia e a inovação podem ajudar o setor portuário”, destaca Lopes.