Na ponte de comando, Pojo foi homenageado pelo demais tripulantes: “Que a âncora da felicidade fundeie no coração de vocês”, disse ele (Vanessa Rodrigues/AT) Após 45 anos de uma carreira bem-sucedida no mar, o capitão de longo curso e de cabotagem Antonio Pojo de Souza, de 71 anos, lançará suas âncoras no próximo dia 31. Funcionário da Aliança Navegação e Logística, do grupo Maersk, ele comanda o navio porta-contêineres Bartolomeu Dias, de bandeira brasileira, onde nos recebeu a bordo, nesta quinta-feira (20), no Tecon Santos, da Santos Brasil, na Margem Esquerda do Porto de Santos. Descontraído e emocionado, o marinheiro veterano deixou claro que ainda não caiu em si sobre a sua aposentadoria. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Pojo ingressou na Marinha Mercante em 1979. “Não passei no curso de Medicina, mas o mar me abraçou. Abracei, gostei, estou aqui até hoje. Agora, infelizmente, encerrando essa minha aventura. A ficha ainda não caiu”, declarou. Nascido em Belém (PA), o comandante reside em Santos com sua família. Ostentando o distintivo de Comodoro no peito (honraria concedida pela Marinha), com o qual foi agraciado em 2023, ele contou orgulhoso sobre os seus 12 mil dias embarcado, sendo metade no comando de navios. “Isso dá mais de 1 milhão de milhas náuticas navegadas”, comentou. No entanto, cruzar o Oceano Atlântico e conhecer os portos mais importantes da Europa, sempre pela Aliança, não foi mais difícil do que passar muito tempo afastado da família. “Ficar longe de casa foi o pior desafio. Eu não vi nenhum dos meus três filhos nascerem”, lamentou. O comandante emendou dizendo que, “antigamente, a rotina era de um ano embarcado para 30 dias em casa. Hoje, isso mudou totalmente, nós ficamos 42 dias embarcado e 42 dias de folga, ou seja, trabalhamos seis meses e descansamos seis meses durante o ano. Isso é uma conquista de toda a Marinha Mercante”. Comandante recebeu A Tribuna a bordo do navio Bartolomeu Dias (Vanessa Rodrigues/AT) Além das inúmeras viagens à Europa, Pojo também se tornou o primeiro capitão de cabotagem pela Aliança. A bordo do Aliança Brasil, o comandante fez 44 travessias entre 1999 e 2013. “Nunca almejei ser comandante, mas fui seguindo o curso natural da carreira. A experiência que tive com a empresa foi tão rica que para mim não fez sentido mudar ou abraçar oportunidades que se apresentaram”, disse. Na ponte de comando do Bartolomeu Dias, Pojo recebeu uma salva de palmas dos demais tripulantes e, emocionado, proferiu o seguinte conselho: “Que a âncora da felicidade fundeie no coração de vocês”. Memórias Pojo pretende registrar suas memórias e experiências em um livro e as primeiras palavras são dedicadas aos colegas de Marinha Mercante. “Vocês vão conhecer lugares incríveis e fazer amizades que vão durar uma vida inteira. Aprendam tudo o que puderem no mar, pois nada será fácil. A vida no mar pode ser desafiadora, mas sejam resilientes”, leu o comandante em seu tablet, afirmando que essas palavras são o começo do seu almejado projeto. Última viagem: capitão passará a aposentadoria em Santos (Vanessa Rodrigues/AT)