Área do terminal STS10, no cais do Saboó (Divulgação) Se a área do terminal STS10, no cais do Saboó, é alvo de divergências até mesmo dentro do Governo Federal, o terminal Ecoporto, que ocupa parte do espaço, entrou na mesma indefinição. O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, informou nesta quinta-feira (29), em nota, que estuda a implementação de um terminal STS10 para contêineres em formato menor, que receba o terminal de passageiros do Concais (cuja transferência é dada como certa) e garanta a permanência do Ecoporto. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! “Faremos uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possibilidade de renovarmos com o Ecoporto, com uma cláusula de permuta de área”, diz Pomini. “Após o leilão do STS10, o Ecoporto teria um prazo de dois ou três anos, que é o tempo para implementação desse terminal, para que fizesse a transferência da sua área dentro da própria região do Porto”, continua. O presidente da APS afirma que essa medida seria importante para “manutenção dos empregos e de uma empresa que opera cargas gerais”. A fala de Pomini ocorre após o Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva) marcar uma manifestação para hoje, às 8h30, na porta da APS (Avenida Rodrigues Alves, no Macuco). Eles vão protestar justamente contra o fim do Ecoporto, contra o leilão do STS10 e a favor do cais público. O Sindestiva convocou entidades representantes de outros trabalhadores portuários para o ato. O presidente do sindicato, Bruno dos Santos, afirma que o protesto tem como objetivo chamar a atenção do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para um possível aumento do desemprego desses trabalhadores. Segundo ele, o cais público é responsável por empregar a maior parte dos trabalhadores avulsos, e o terminal Ecoporto possui mais de 500 funcionários vinculados, os quais devem ser demitidos com o fim do contrato de arrendamento. Em relação ao leilão do STS10, Santos defende que se deve preservar um espaço público para a atracação e descarga de navios. Segundo ele, as incertezas sobre o local preocupam. O presidente do Sindestiva destaca a perda de empregos da categoria com a instalação de um terminal de contêineres no STS10. “Os trabalhadores avulsos só trabalham no cais público. Um terminal de contêineres tiraria nossa mão de obra”, completa. Indefinição No último dia 21, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse, durante leilão em terminais, em São Paulo, que pretendia fazer o leilão do STS10 em 2025. No dia seguinte, em Santos, ele desconversou sobre o prazo. Antes, em 1º de agosto, o presidente da APS havia dito que o STS10 não seria viabilizado antes de quatro anos, o que mostra um descompasso nos discursos. Já sobre o Ecoporto, que é da Ecorodovias, o ministro havia dito ao jornal Valor Econômico, que “já há decisão de não fazer a renovação”. Mas não confirmou o que disse para A Tribuna. O arrendamento do Ecoporto venceu em 2023 e foi prorrogado por três vezes, com último prazo até dezembro deste ano.