[[legacy_youtube_tFkWvVOEFOM]] A projetada vitória do candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, terá impactos no cenário político brasileiro e tornará necessária uma mudança na postura internacional do País, sob o risco de ficar isolado globalmente. O alerta é do professor da Universidade Federal do ABC e doutor em Relações Internacionais Gilberto Rodrigues. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Em entrevista a A Tribuna, Rodrigues analisou o processo eleitoral nos Estados Unidos, a atuação dos dois candidatos - Biden e seu rival republicano, o presidente Donald Trump - e os reflexos na geopolítica internacional e no Brasil. Para o professor, a eventual derrota de Trump mostrará ao presidente Jair Bolsonaro, que defendeu publicamente mais quatro anos para o republicano, que a reeleição do brasileiro não está garantida. A projetada chegada de Biden à presidência também indicará que chegou o momento de o Brasil mudar sua política externa, atrelada à americana nos últimos dois anos. Aliás, para Rodrigues, mais do que uma parceria entre Estados Unidos e Brasil, havia uma aproximação entre Trump e Bolsonaro, que não rendeu ganhos ao governo brasileiro. Agora, o Ministério das Relações Exteriores deve reavaliar suas ações, sob o risco do País "se isolar globalmente". O professor acredita que as duas nações vão manter suas relações. Mas se uma mudança não for percebida no Itamaraty, ele não descarta que a Casa Branca passe a estreitar seus contatos com a ala militar do Governo, se afastando do Ministério, cujo titular, Ernesto Araújo, integra a parte ideológica do Planalto e sempre defendeu a aproximação Bolsonaro-Trump. Sobre a atuação dos candidatos durante a contagem de votos, Gilberto Rodrigues destaca que "Biden já está se comportando como um vencedor e Trump está se comportando como um perdedor”. O democrata tem “uma postura de estadista”, pedindo calma à população e garantindo a tradição democrática do país, “já Trump quer interromper a contagem dos votos. Seu discurso na quinta-feira foi agressivo, algo inédito na história recente dos Estados Unidos”, afirmou o professor. E lembra o ataque do atual presidente americano às instituições do país. “O comportamento (de Donald Trump) é de quem não quer perder, não saber perder e percebe que vai perder”, afirmou. Segundo Rodrigues, até janeiro, quando ocorre a posse do novo presidente, a situação dos Estados Unidos “é uma grande incógnita. Não sabemos se ele (Trump) vai reconhecer a derrota e pode insuflar sua base para algum tipo de resistência, para não reconhecer a vitória de Biden”. No discurso da última quinta-feira, o candidato republicano já passou a incentivar seus apoiadores a não aceitar os números da contagem dos votos, argumentou, Para o professor, a opção por questionar na justiça os votos enviados pelo correio mostra que Trump deseja “ganhar tempo”. “Não sei o que ele espera que ocorra”, afirmou Gilberto Rodrigues, que teme pela “integridade física” de Biden e sua vice, Kamala Harris.