[[legacy_image_6140]] As autoridades venezuelanas determinaram, na última terça-feira (19), o fechamento da fronteira marítima e aérea entre a Venezuela e as Antilhas Holandesas, de onde o líder opositor Juan Guaidó espera a chegada de ajuda humanitária americana estacionada em Curaçao, confirmou o comandante na região, almirante Vladimir Quintero. “Afirmativo”, respondeu secamente Quintero, perguntado sobre informações reportadas pela imprensa local sobre a suspensão das comunicações marítimas e aéreas com Aruba, Bonaire e Curaçao, sem explicar as razões. A decisão ocorre a quatro dias da entrada anunciada de ajuda humanitária enviada dos centros de distribuição, rejeitada pelo governo de Nicolás Maduro por considerá-la o início de uma invasão militar americana. Cargas de medicamentos e alimentos levados em aviões militares dos Estados Unidos estão armazenadas na cidade colombiana de Cúcuta, perto da ponte fronteiriça de Tienditas, bloqueada por militares venezuelanos com caminhões e outros obstáculos. Um segundo centro de distribuição no Brasil será aberto no estado fronteiriço de Roraima, com a ajuda do Brasil, e um terceiro em Curaçao, aonde chegará um avião de assistência a partir de Miami. Em alerta Também na terça-feira, a Força Armada venezuelana se declarou “em alerta” para evitar uma violação do território com a entrada anunciada de ajuda no sábado, rejeitando os apelos do chefe de Estado americano, Donald Trump, e Guaidó para que desobedeçam as ordens de Maduro. Acompanhado pelo alto comando das Forças Armadas, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, reiterou “lealdade" e “obediência” a Maduro, respondendo a Trump, que na noite de segunda-feira pediu aos militares venezuelanos que aceitassem a “anistia” oferecida por Guaidó e rompessem com Maduro. Reconhecido por 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó enviou mensagens no Twitter para cada chefe militar estacionado nos postos fronteiriços: “Em 23 de fevereiro, ele deve escolher entre servir Maduro ou servir o país. Permita que a ajuda humanitária entre”, disse a eles. O ministro assegurou, contudo, que os militares venezuelanos não permitirão ser “chantageados”, e descreveu como “uma série de mentiras e manipulações” o que Trump e Guaidó falam sobre “essa suposta ajuda humanitária”, tratando-a como tema de um confronto entre a Força Armada e os venezuelanos. “A Força Armada permanecerá destacada e alerta ao logo das fronteiras, conforme ordenado por nosso comandante em chefe (Maduro), para evitar qualquer violação da integridade de seu território”, disse Padrino. Crise e 'migalhas' Os venezuelanos sofrem com a falta de alimentos e remédios, além de uma hiperinflação voraz que o FMI projeta em 10.000.000% este ano. Fugindo da crise, cerca de 2,3 milhões (7% da população) emigraram desde 2015, segundo a ONU. Maduro, que culpa as sanções financeiras de Washington pela crise, rotula a ajuda enviada pelos Estados Unidos como um “show” e “migalhas” de “comida estragada” que servirão como pretexto para invadir a Venezuela. Guaidó convocou mobilizações por todo o país para acompanhar os voluntários que vão em comboios de ônibus para as fronteiras em busca de assistência.