Lava Jato prende secretário estadual de Transportes, Alexandre Baldy

Força-tarefa foi iniciada na manhã desta quinta-feira (6) e apura eventuais desvios na Saúde e mira órgãos federais

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, foi preso na manhã desta quinta-feira (6), durante operação da Lava Jato que apura eventuais desvios na Saúde no Rio de Janeiro e em São Paulo. A ação foi autorizada pelo juiz federal Marcelo Bretas, que expediu seis mandados de prisão e 13 de busca e apreensão, nas cidades de Petrópolis (RJ), São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Goiânia e Brasília. 

Outras duas pessoas foram presas, entre eles um pesquisador da Fiocruz, Guilherme Franco Netto. As detenções fazem parte da Operação Dardanários, contra desvios de verbas na Saúde envolvendo órgãos federais. 

Ex-ministro na gestão de Michel Temer (MDB, 2016-18) e atual secretário na gestão do governador João Doria (PSDB), Baldy responde por atos suspeitos antes de assumir a pasta estadual. Durante as buscas em endereço ligado ao ex-deputado e ex-ministro em Brasília, a PF apreendeu R$ 50 mil. A origem do montante ainda é investigada.

Ao G1, a Polícia Federal afirmou ter identificado “conluio entre empresários e agentes públicos, que tinham por finalidade contratações dirigidas”. Ainda conforme a PF, os suspeitos são investigados pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Operação Dardanários, como foi batizada, é o 5º desdobramento realizado no âmbito das operações Fatura Exposta, Calicute e SOS. 

A pasta estadual sob a gestão de Baldy é responsável pelas operações do Metrô, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) – essa última autarquia paulista, responde  pelo transporte público intermunicipal nas cidades da Baixada Santista.

Antes de assumir o cargo no governo João Doria (PSDB), Baldy foi eleito deputado federal em 2014, mas licenciou-se em novembro de 2017 para assumir o Ministério das Cidades durante o governo Temer. Antes de ser deputado, foi secretário de Indústria e Comércio de Goiás, entre 2011 e 2013. 

Dardanários 

Segundo o Ministério Público Federal, a operação é um desdobramento das investigações realizadas no âmbito das operações Fatura Exposta, Calicute e SOS, que apuram desvios de recursos do Rio de Janeiro repassados para Organização Social que administrou diversos hospitais no Estado e em outros locais do País. 

A Procuradoria informou que a partir da colaboração premiada de ex-diretores da Organização Social Pró-Saúde, "foi elucidado o pagamento de vantagens indevidas para agentes que pudessem interceder em favor da OS em relação aos pagamentos do contrato de gestão do Hospital de Urgência da Região Sudoeste (Hurso), em Goiânia, que foi administrado pela Pró-Saúde entre 2010 e 2017"

"Para possibilitar o pagamento de valores não contabilizados, os gestores da OS à época instituíram esquema de geração de 'caixa 2' na sede da Pró-Saúde, com o superfaturamento de contratos, custeados, em grande parte, pelos repasses feitos pelo Estado do Rio de Janeiro, os quais constituíram cerca de 50% do faturamento nacional da organização social (que saltou de aproximadamente R$ 750 milhões em 2013, passando por R$ 1 bilhão em 2014 e chegando a R$ 1,5 bilhão em 2015)", indicou o MPF em nota.

De acordo com os procuradores, agentes "prosseguiram intermediando os interesses dos ex-diretores da OS na obtenção de contratos de sua empresa recém-criada com outros órgãos da administração pública, mediante o pagamento de um percentual a título de vantagens indevidas". 

Os investigadores identificaram a existência de um esquema de direcionamento de contratos da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através da Fundação de Apoio Fiotec. 

"Nestes casos, os empresários colaboradores narraram que obtiveram êxito na contratação de serviços de sua empresa em razão do comando ou da influência que os investigados exerciam nos órgãos, e, em troca, pagaram altas quantias de dinheiro em espécie ou até mesmo através de depósitos bancários", diz a Procuradoria. 

egundo os procuradores, a Receita Federal e o Coaf apontaram operações suspeitas que indicam a possibilidade de utilização do núcleo familiar de investigados para ocultar os valores oriundos dos crimes de corrupção, peculato e organização criminosa. 

 Até o fechamento deste texto, a reportagem não havia obtido o posicionamento dos citados. 

 

* Reportagem está em atualização.

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