EDIÇÃO DIGITAL

Sábado

8 de Agosto de 2020

Drauzio Varella sustenta que Ministério da Saúde foi destruído

Médico participou do painel “O Futuro do SUS” no 'Brazil Forum UK 2020' e afirma que SUS paga hoje por falta de visão estratégica de governos passado. "

O médico Drauzio Varella afirmou que o Ministério da Saúde do Brasil foi destruído e paralisado, em meio à escalada de casos do novo coronavírus. As afirmações ocorreram no painel sobre "O Futuro do SUS”, realizado no Brazil Forum UK, evento organizado por estudantes brasileiros no Reino Unido. 

Para o especialista, a melhor forma possível de lutar contra a pandemia do novo  coronavírus é por meio “de um esforço nacional com uma organização centralizada", com uma "estratégia de combate”.  

Entretanto, segundo Drauzio, não existiu orientação centralizada pelo Ministério da Saúde brasileira. Ele ressaltou que “a única arma que nós temos para reduzir o número de infecções é o isolamento”. 

Varella, acredita que o Sistema Único de Saúde (SUS) paga, agora, “pelos desmandos que os nossos governantes fizeram com a saúde". O médico relembra os gastos para a construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil: “vimos a transformação desses estádios em hospitais”.  

Drauzio diz que o SUS é o "maior sistema de saúde pública do mundo", porém, ele alerta que falta consciência sobre a complexidade da rede pública nacional. “Nós brasileiros tínhamos que ter orgulho do SUS e procurar defendê-lo, porque não só  nós, como os nossos descendentes, muito provavelmente vão depender dele”, destaca Drauzio. 

Além de Varella, participaram do painel a médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ligia Bahia e o líder comunitário e coordenador nacional do G10 das Favelas, Gilson Rodrigues. A moderação foi de Lia Pessoa, da London  School of Economics.  

“A saúde hoje é um direito no Brasil, é um direito de cidadania. Isso tem uma importância enorme para um país de renda média, para um país que é capitalista periférico, ou seja, o Brasil é o único país capitalista que não é rico, que não tem renda  alta, que tem um sistema público e universal de saúde”, comenta Ligia.  

Segundo a especialista, o SUS “é como se fosse uma oitava maravilha do Brasil’. Entretanto, Ligia pondera que o sistema público de saúde passa por um momento de fragilidade. Sobrecarga e o fato de os recursos não chegarem à ponta (nas unidades) foram algumas das explicações para o entrave.  

Já Gilson Rodrigues destaca que o SUS "está em um momento frágil por falta de gestão". O coordenador nacional do G10 das Favelas falou sobre como os próprios moradores têm participado do combate ao coronavírus, como já havia destacado em entrevista ao Estado.

Um exemplo das iniciativas criadas é a existência, a cada 50 casas em Paraisópolis, de um morador voluntário, o qual tem algumas tarefas, como ajudar as pessoas a ficarem em casa, distribuir doações e chamar o serviço de ambulância. Porém, segundo Gilson, o serviço de ambulâncias do SAMU não vai até Paraisópolis. Desta forma, houve uma campanha de financiamento coletivo para a disponibilização de 3 ambulâncias. 

"Nós decidimos, na falta de uma política pública, criar a própria política pública, utilizando-se da nossa experiência e do nosso processo de mobilização, onde nós buscamos identificar quais eram os problemas e onde houvesse um problema, achar uma solução. Nós percebemos que a melhor forma de fazer isso era organizados", destaca Gilson. 

Em sua quinta edição, o Brazil Forum UK 2020 é organizado por estudantes brasileiros no Reino Unido. Neste ano, o tema é “What’s Next Brazil? Alternativas para múltiplos desafios”. O evento é gratuito e não necessita de inscrição. 

Tudo sobre: