[[legacy_image_211375]] Em debate promovido pela TV Globo, que iniciou na noite desta quinta-feira (29) e seguiu pela madrugada de sexta (30), estiveram presentes os candidatos Ciro Gomes (PDT), Luiz Felipe D'ávilla (Novo), Jair Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Padre Kelmon (PTB), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Foram convidados para participar os candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional com no mínimo cinco parlamentares, sem impedimento na Justiça eleitoral ou comum. Vários assuntos foram tratados, e o debate, mediado por William Bonner, também teve inúmeras interrupções por conta de desrespeitos às regras e direitos de resposta. Apesar disso, vários assuntos foram abordados. Confira abaixo alguns pontos destacados. [[legacy_image_211376]] Orçamento secretoO presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou fazer uma dobradinha com Luiz Felipe d’Avila, mas o candidato do Novo citou o orçamento secreto, esquema pelo qual o governo destina emendas parlamentares, sem critérios e transparência, para garantir apoio de parlamentares no Congresso. No começo do evento, o chefe do Executivo havia feito uma dobradinha com Padre Kelmon (PTB). Bolsonaro disse que colocou um ponto final no "toma lá dá cá" ao assumir o governo, sem mencionar sua aliança com o Centrão, afirmou que colocou quadros técnicos nos ministérios e perguntou a D’Avila se esse estilo de governar deveria continuar. O candidato do Novo, então, disse que o orçamento secreto está "acabando" com a política e "corroendo" a credibilidade do Congresso e da própria democracia. "O orçamento secreto não é meu, eu vetei", respondeu Bolsonaro. "Não existe da minha parte nenhuma conivência com esse Orçamento", emendou. O presidente, contudo, voltou atrás no veto e acabou sancionando o esquema das emendas de relator para este ano. No enfrentamento, D’Avila também disse que nos últimos anos houve irresponsabilidade fiscal e descumprimento do teto de gastos. EscândalosO ex-presidente Lula (PT) usou seu direito de resposta para elencar o que considera falhas do governo de Jair Bolsonaro (PL) e elencar recentes escândalos envolvendo o chefe do executivo, no debate entre candidatos ao Palácio do Planalto realizado nesta quinta-feira, 29, pela TV Globo. "Queria lembrar as pessoas que, graças ao que fizemos [no meu governo], fomos capazes de descobrir a corrupção e punir os culpados. Quando o nosso candidato [Bolsonaro] vem aqui e diz para apresentar vacinas, vou lembrar aqui alguns escândalos: 51 imóveis, mansão de 6 milhões, rachadinhas de Queiroz", apontou o candidato petista. Direitos de respostaOs direitos de resposta foram uma constante durante o debate. Em uma série de três seguidos, Lula e Bolsonaro trocaram acusações sobre episódios de corrupção durante os governos petistas e do atual presidente, no debate entre candidatos ao Palácio do Planalto realizado nesta quinta-feira, 29, pela TV Globo. Lula questionou Bolsonaro sobre sua gestão durante a pandemia e as acusações levantadas pela CPI da covid. Bolsonaro respondeu mencionando a prisão do ex-presidente e fazendo críticas aos episódios de corrupção durante os governos do PT. "Tome vergonha na cara, Lula", afirmou o atual presidente. Padre de festa juninaCom o combate ao racismo como tema, a candidata do União Brasil a presidente, Soraya Thronicke, trouxe uma série de escândalos para criticar o Executivo. Como ponte para criticar o governo, a candidata usou o candidato do PTB, Padre Kelmon, que apelidou de "cabo eleitoral de Bolsonaro" e "padre de festa junina" devido às dobradinhas do sacerdote com o presidente Jair Bolsonaro (PL). "O atual governo já teve absurdos como secretário que fez vídeos de conteúdo nazista, assessor que fez gesto suprematista em pleno Congresso Nacional e presidente da Fundação Palmares que é contra movimento negro", citou a candidata. Sobre o tema, Kelmon criticou a esquerda pelo racismo no País, que, segundo ele, "só enxerga a cor da pele". O candidato minimizou o tema. "Somos todos brasileiros, moradores desta casa comum que é o Brasil", disse. Soraya ampliou o embate com o candidato do PTB dizendo que Kelmon não tem proposta, e que é um candidato como Bolsonaro "nem nem: nem estuda e nem trabalha". Sistema financeiroEm uma referência indireta ao presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem tenta absorver votos à direita, a candidata à Presidência Soraya Thronicke (União Brasil) afirmou que, com as reformas econômicas que promoveria se eleita, a fiscalização do sistema financeiro aumentaria e, assim, causaria problemas a quem "adora comprar no dinheiro vivo". A família Bolsonaro comprou ao longo de anos 51 imóveis pagando ao menos parte em moeda corrente, conforme revelou reportagem do UOL, o que levanta suspeitas, ainda não investigadas, de sonegação fiscal nas transações. Soraya soltou a alfinetada enquanto travava uma discussão morna com o adversário Ciro Gomes (PDT) sobre seus planos para a economia. A senadora reafirmou sua proposta do imposto único, que simplificaria a tributação e ajudaria a fiscalização. "A mãe de todas as reformas é a tributária", disse. Ciro Gomes afirmou concordar "plenamente" com Soraya, mas acrescentou a necessidade de uma "profunda reforma fiscal" com renegociação de dívidas das famílias. "Recursos para isso estão previstos em corte de 20% de todas as renúncias fiscais", declarou o pedetista. PrivatizaçõesSimone Tebet (MDB) e Luiz Felipe d'Avila (Novo) divergiram, já na madrugada desta sexta-feira, 30, sobre a privatização da Petrobras e dos bancos públicos. A emedebista defendeu manter a estatal petroleira, o Banco do Brasil e a Caixa no controle da União. "Tem algumas estatais que são da essência do serviço público", afirmou Tebet, ao citar os bancos públicos. Como exemplo, a senadora citou o Plano Safra, que viabiliza o financiamento do agronegócio a juros mais baixos, e os programas de crédito para habitação da Caixa. Tebet defendeu manter a Petrobras estatal na área de extração do petróleo, mas disse que é necessário privatizar as refinarias. A emedebista afirmou que tanto seu eventual governo, quanto o de D’Avila seriam "parceiros" da iniciativa privada, mas afirmou acreditar que o Estado deve cuidar da saúde, educação e segurança pública. O candidato do Novo, por sua vez, argumentou que privatizar a Caixa e o BB aumentaria a concorrência no setor bancário e que vender a Petrobras impediria novos escândalos de corrupção, "principalmente se o PT voltar ao poder". Tebet, nesse ponto, disse que na Petrobras houve o "maior escândalo de corrupção da história do País" com a conivência, inclusive, do MDB, seu próprio partido. Apesar das reiteradas críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) aos lucros da Petrobras, o candidato à reeleição exaltou os lucros das estatais durante sua gestão. "Um governo limpo, sem corrupção, em que as estatais dão lucro no Brasil", disse. "As estatais, há pouco tempo, davam lucros irrisórios ou prejuízo, agora dão lucro", disse o presidente. Orçamento secretoO candidato Ciro Gomes (PDT) citou o orçamento secreto, esquema de liberação de emendas em troca de apoio político, para dizer que o governo federal tem casos de corrupção, ao contrário do que diz o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. "Não tem como mudar, a não ser que parlamento queira. Eu não tenho qualquer ascendência sobre esse tal orçamento secreto. É zero", declarou Bolsonaro. Ciro reagiu e afirmou que bastaria ao presidente determinar aos ministros de Estado que não empenhe as emendas RP-9, que é a base do esquema. Ciro Gomes também afirmou, sem dar detalhes, que o governo federal está sob "acusações pesadas". "Sobre o senhor e seus familiares", destacou. "Onde tem? Não minta", respondeu Bolsonaro, que desviou do assunto e destacou feitos de seu governo, como a redução do preço dos combustíveis. CulturaEm uma das poucas participações nas quais não protagonizaram conflitos ou fugiram do tema proposto, Lula (PT) e Ciro (PDT) conseguiram fazer um debate propositivo em relação à Cultura. Lula escolheu o pedetista para abordar o tema, e começou a pergunta com críticas aos cortes do atual governo ao segmento. Ciro concordou sobre a importância da área, afirmando que a cultura que afirma a identidade do País, se comprometendo a recriar o Ministério da Cultura e rever as leis de fomento Ciro criticou a Lei Rouanet por centralizar os recursos no eixo Rio-São Paulo. "Quero adaptar as leis de fomento para que haja uma cota para o estimulo de cultura popular". Ciro citou as expressão cultural da periferia, e cutucou o adversário: "não sei quanto tempo faz que você não anda por lá". Lula destacou sua reunião com a classe artística para transformar a cultura brasileira em algo que tenha "muita rentabilidade" e que gere empregos. O petista também se comprometeu a recriar o Ministério da Cultura além da prometer criar comitês de cultura em cada capital do País para resolver a problemática de se concentrar a verba de cultura no eixo Rio-São Paulo. Ciro chamou a ideia de "uma bela cópia" de um elemento antigo de seu projeto nacional de desenvolvimento. O ex-governador do Ceará também voltou a disparar contra o adversário ao criticar sua ideia de regulamentar a mídia "essa ideia autoritária que não presta pra ninguém", disse. SUSEm dobradinha com Luiz Felipe d'Avila (Novo), a senadora Simone Tebet (MDB) defendeu investir na saúde pública e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Após uma pergunta do candidato do Novo sobre como melhorar a relação entre a União e Estados e municípios no que se refere à saúde, Tebet disse que não vai faltar dinheiro para o setor se for eleita. "As Santas Casas querem ajudar, mas a tabela do SUS está desatualizada há 20 anos", afirmou a senadora, ao citar o atraso em exames e atendimentos. A emedebista também disse que os idosos e as pessoas com deficiência estão "desassistidos" no Brasil. [[legacy_image_211377]] Considerações finaisNo último bloco do debate, os candidatos tiveram um minuto e meio para suas considerações finais. A ordem foi determinada anteriormente por sorteio, com representantes de cada um dos candidatos. Luiz Felipe D’AvilaLuiz Felipe D’Avila (Novo) disse ser uma tristeza terminar o encontro e "ver essa baixaria de sempre". Ele afirmou que o Brasil "não vai sair desse atoleiro se nós elegermos esses governos que colocaram a gente nesse buraco". O candidato disse ainda que, de um lado, tem o ex-presidente envolvido em corrupção - ao se referir a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, de outro lado, "o nome que ressuscitou o PT" - ao se referir ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Ciro Gomes Ciro Gomes (PDT), em mais uma tentativa de furar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), afirmou que quer ser o candidato para reconciliar o Brasil. O candidato pediu uma "oportunidade" para governar o Brasil e reforçou a tese de que há um sistema a ser combatido no País. "Não deixe o sistema entrar na sua cabeça. Eles montam uma máquina de propaganda", argumentou Ciro. "Imagina que lindo fazermos história", acrescentou. Lula Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou seu tempo para ressaltar as conquistas sociais de seus governos, sem fazer qualquer apelo ao voto útil que possa liquidar a eleição em primeiro turno. "Eu queria dizer que tem três, quatro tipos de propostas diferentes: aquele que tem a vida provada nesse país e que tem resultado, as pessoas sabem o que aconteceu nesse país; aqueles que fazem promessas; e aquele que está governando", declarou o petista. Simone Tebet Simone Tebet (MDB) criticou a polarização e afirmou que, se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o presidente Jair Bolsonaro (PL) - líderes nas pesquisas - vencer as eleições, "um não vai deixar o outro governar". "Serão mais quatro anos assim, sem resolver os seus problemas, porque um não vai deixar o outro governar se perder eleição", afirmou. Tebet pediu aos eleitores que façam uma reflexão se a escolha do futuro presidente tem que ser pelo "menos pior" ou pelo coração. "O futuro do Brasil depende de você e está na sua mão", enfatizou. Padre Kelmon Protagonista dos momentos mais problemáticos do debate, após reiteradamente desrespeitar as regras, padre Kelmon (PTB) reclamou do "ódio" com que foi tratado. "Observem como fazem esses que querem o seu voto" disse o candidato em suas considerações finais. Pedindo votos a candidatos de seu partido, o postulante ao Executivo, que fez uma série de dobradinhas com o presidente Jair Bolsonaro (PL), fez uma edição do lema do chefe do Executivo ao pedir o voto em quem defende "Deus, pátria, família, vida e liberdade". Jair Bolsonaro Jair Bolsonaro (PL) exaltou a redução do preço da gasolina e o Auxílio Brasil em suas considerações finais. Candidato à reeleição, o presidente disse que respeita a família, é contra o aborto, não quer a legalização das drogas, rejeita a ideologia de gênero e é a favor do livre mercado, temas que costumam animas sua militância. "Deus, Pátria, Família e Liberdade", afirmou Bolsonaro. "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", emendou, ao citar lemas de sua campanha à reeleição.