Thiago Felipe de Souza Avanci era investigado por estupro de vulnerável. Na última terça-feira (17), ele matou a mãe, o cachorro e tirou a própria vida em Guarujá (Reprodução/Redes Sociais) Pessoas que conviveram com Thiago Felipe de Souza Avanci, advogado e ex-secretário de Guarujá que matou mãe, cachorro e tirou a própria vida na última terça-feira (17), o descreveram para A Tribuna como alguém respeitoso, culto e educado, e se disseram surpresas com os crimes cometidos. Avanci, que tinha 39 anos, era investigado por ter abusado de um adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além de exercer o cargo de secretário de Modernização e Transformação Digital em Guarujá, Thiago Avanci era professor do curso de Direito em uma universidade de Santos. Uma ex-estudante, que preferiu não se identificar, se disse chocada, visto que Thiago, como docente, nunca havia apresentado nenhuma atitude estranha. “Ele era uma pessoa extremamente educada, culta e respeitosa. Às vezes, em sala de aula, fazia brincadeiras como ‘quem me der um chocolate ou uma bebida, posso pensar em dar um ponto na média’, mas nada que ofendesse ou deixasse alguém desconfortável”, descreveu a ex-aluna de Avanci. Outra mulher, que também preferiu não ser identificada, revelou ter prestado serviços a Thiago e à mãe por mais de 20 anos. Ela disse ter ficado chocada e até mesmo ter cancelado compromissos pelo baque sofrido ao ficar sabendo do crime. “(Ele) Era tranquilo, respeitador e muito culto. Não imaginava que ele faria o que fez, ele nunca demonstrou ser esse monstro. Pelo contrário, era uma pessoa boa, alegre”. A prestadora de serviços também contou à reportagem de A Tribuna que atendia o ex-secretário de Guarujá a cada duas semanas. Em seu último atendimento, que aconteceu na semana retrasada, a mulher disse que ele não apresentava comportamento estranho. Entretanto, ela afirmou que Thiago disse, em um atendimento anterior, estar se sentindo ansioso e deprimido. Sobre a mãe de Thiago, Sueli Nastri de Souza Avanci, de 72 anos, a prestadora de serviços contou ter admiração pela mulher. “Gostava muito dela, era uma mãezona, uma pessoa que gostava muito de crianças”, disse. Ainda segundo a mulher que atendia a família, o ex-secretário e a mãe eram muito próximos. “Era quem ele mais amava”, afirmou. Perfil profissional Desde 2019, Thiago Felipe de Souza Avanci era funcionário da Prefeitura de Guarujá. Em nota, a Prefeitura esclareceu que ele ingressou na Administração Municipal como assessor na Secretaria de Coordenação Governamental (Segov), cargo que ocupou até janeiro de 2021. No mesmo mês, ele foi nomeado assessor de Assuntos Estratégicos. Ainda em 2021, no mês de julho, ele foi designado como liquidante da Empresa de Urbanização de Guarujá (Emurg), autarquia pertencente ao Município. Lá, ele permaneceu até abril deste ano, quando foi nomeado como secretário adjunto de Coordenação Governamental e Assuntos Estratégicos, sendo exonerado em junho, quando assumiu a Secretaria de Modernização e Transformação Digital. A Prefeitura de Guarujá esclareceu que, na última terça-feira (17), data em que o crime aconteceu, ele foi exonerado do cargo a pedido. Thiago Avanci também mantinha ativo seu escritório de advocacia. De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seu escritório funcionava no endereço onde ele vivia e onde os crimes foram praticados, na Rua das Samambaias, no bairro Balneário Praia de Pernambuco, em Guarujá. Carreira acadêmica De acordo com seu perfil em uma rede social profissional, Thiago Avanci era pós-doutor em Direito. Ele era professor, pesquisador e dava aulas em uma universidade de Santos há dois anos, onde ministrava disciplinas de Direito Coletivo do Trabalho e Direito Processual Civil. Ainda segundo o perfil, em 2014, ele chegou a lecionar Direito e Cidadania para uma turma de alunos de Ensino Fundamental de um colégio particular em Santos. Thiago chegou a publicar um livro sobre proteção infantil. Denominado ‘Estatuto da Criança e do Adolescente: Entre a Efetividade dos Direitos e o Impacto das Novas Tecnologias’, o trabalho teve colaboração de outros escritores e foi publicado em 2022. Relembre o caso O advogado e ex-secretário de Modernização e Transformação Digital de Guarujá, Thiago Felipe de Souza Avanci, foi encontrado morto na casa onde morava com a mãe, Sueli, na Rua das Samambaias, no Bairro Balneário Praia Pernambuco. Ele matou a mãe e seu cachorro, e posteriormente tirou a própria vida usando um revólver calibre 38. Acusação de estupro Avanci havia sido denunciado pela própria família por ter estuprado um adolescente de 17 anos, portador de TEA e de Transtorno de Ansiedade. O advogado era investigado pela Polícia Civil. Conforme apurado por A Tribuna, há cerca de 15 dias, o menor reclamou de estar sentindo dores no ânus para a psicóloga que o atendia em um Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). Dias depois, Thiago entregou para o irmão um envelope com um pen-drive e documentos, os quais transferiram até mesmo o carro dele para o nome do irmão. Após a entrega, ele pediu o envelope de volta, mas a cunhada resolveu investigar o conteúdo armazenado no dispositivo. Conforme um boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, o pen-drive continha imagens e vídeos que mostravam Thiago tendo relações sexuais com o menor. Além disso, o envelope trazia uma carta de despedida. Busca e apreensão Na manhã do dia do crime, policiais civis foram à casa de Thiago para cumprir um mandado de busca e apreensão. O ex-secretário não estava no local nesse momento. Conforme outro boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, foram apreendidos um revólver, carregadores, munições e um simulacro. As armas, esclarece o documento policial, eram de uso permitido. Horas depois, Thiago compareceu à DDM de Guarujá e entregou uma pistola, que também foi apreendida. Ex-secretário gravou vídeo antes do crime Quando voltou para casa, o ex-secretário gravou um vídeo de 14 minutos, no qual ele dava mais de 15 medicamentos para a mãe. No registro, ele dizia "estar cansado da vida". Em seguida, ele disparou contra a cabeça da idosa e, na sequência, contra a própria cabeça. O cachorro da mulher também morreu, mas não apresentava ferimentos. O vídeo foi recebido pelo irmão de Thiago, que ligou para a polícia relatando o conteúdo da gravação. Diante disso, policiais voltaram à casa, onde encontraram Sueli morta na cama do quarto e o ex-secretário ao lado, caído no chão. Os disparos foram feitos por um revólver calibre 38, encontrado entre as pernas do autor. Das cinco balas, três haviam sido deflagradas. Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 20h54 e chegou ao local do crime às 21h10, onde constatou as mortes. No local do crime, foram apreendidos três telefones celulares, um notebook, uma caixa de munição e a arma do crime. Foi requisitado o exame pericial para a cena do crime, bem como o exame necroscópico, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) para as vítimas. A arma apreendida também será periciada pelo Instituto de Criminalística (IC).