Câmara Municipal de Guarujá é um dos alvos da operação (Helder Lima/Prefeitura de Guarujá) Um relatório da Polícia Civil de São Paulo afirma que a Prefeitura e a Câmara Municipal de Guarujá, no litoral de São Paulo, foram “sequestradas” pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O documento está relacionado a Operação Hereditas, que investiga fraudes em licitações que beneficiaram empresas ligadas a integrantes da organização criminosa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As informações foram divulgadas pelo UOL. O parecer foi enviado ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo o relatório, ao menos oito contratos da prefeitura e da Câmara podem ter sido fraudados. Juntos, essas contratações chegam a R\$ 70 milhões. Três vereadores são investigados: Edmar Lima dos Santos (PP), o Juninho Eroso, que também é presidente da Câmara, Mário Lúcio (Cidadania), apontado como um dos principais articuladores do esquema, e Santiago Ângelo (PP). Os três foram reeleitos para a Câmara nas eleições do último domingo (6) e não se manifestaram quando procurados pela Reportagem. Segundo a Polícia Civil, eles são suspeitos de direcionar contratos para desviar dinheiro público em troca de propinas. Além dos vereadores, pelo menos um candidato a prefeito, o empresário Cláudio Fernando de Aguiar (Novo), aparece entre os investigados. Ele nega qualquer irregularidade. A investigação partiu de uma denúncia anônima e, conforme o relatório da Polícia Civil, há outros três vereadores citados. Chefe do PCC ganhou R\$ 20 milhões Juninho Eroso, presidente da Câmara Municipal do Guarujá, emprega em seu gabinete a viúva de um dos líderes do PCC na Baixada Santista: Cristiano Lopes Costa, conhecido como Meia Folha, que foi morto a tiros em março deste ano. A motivação do assassinato não foi esclarecida até o momento Meia Folha era dono de uma empresa que faturou quase R\$ 20 milhões em contratos assinados com a Câmara e a Prefeitura de Guarujá, segundo a base de dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com transações feitas entre 2022 e 2024. Contratos suspeitos A investigação cita contratos suspeitos firmados entre a Câmara e a Prefeitura de Guarujá com os integrantes do PCC. Um deles tinha o objetivo de transmitir sessões do legislativo em TV aberta. A empresa contradada foi a ISTV, comandada por Cláudio Fernando (Novo), que recebeu R\$ 6 milhões. No entanto, o principal beneficiário da transação é o traficante Caio Fé da Silva, conhecido como Maradona. A ficha criminal de Maradona, também integrante do PCC, inclui tráfico de drogas, associação criminosa, posse e porte de arma de fogo e homicídio. O relatório da Polícia Civil aponta que esse contrato foi imposto por Meia Folha à atual mesa diretora da Câmara de Guarujá. Outros contratos suspeitos são para aluguel de computadores (R\$ 3,5 milhões) e aluguel de impressoras (R\$ 13 milhões). De acordo com a investigação, o dinheiro desviado teria como destino integrantes do PCC e serviria como pagamento de mesada aos vereadores. O contrato por aluguel de impressoras previa o pagamento por 34 milhões de cópias a cada ano de contrato. "Algo completamente inverossímil, principalmente quando se contextualiza nos tempos atuais em que a maioria dos documentos são digitais, inclusive assinados digitalmente", afirma a polícia no relatório. A suspeita é de que impressoras e computadores não foram trocados ou renovados. A empresa vencedora da licitação, Simapi, teria Meia Folha como sócio oculto. Além disso, o criminoso ainda teria fechado um contrato de R\$ 2 milhões para serviços de limpeza na Câmara Municipal, já que a empresa vencedora, a HC serviços, estava registrada em nome dele. Após a sua morte, passou a ser administrada por seu filho. O esquema atingiria a Secretaria Municipal de Educação. Somados, os contratos nesta pasta chegam a R\$ 42 milhões. Os articuladores das fraudes, que ocorreram nas licitações para implantação da biblioteca digital, na confecção de livros e no sistema de gestão da educação, seriam o vereador Mário Lúcio e o ex-secretário Márcio Reis, que atualmente ocupa o cargo de secretário adjunto da Cultura. Reis não respondeu aos contatos da Reportagem. A Prefeitura de Guarujá informou que não foi notificada sobre o relatório da investigação. PCC em Guarujá No início deste mês, A Tribuna noticiou que investigações de uma operação policial apontaram que o PCC tinha um plano de tentar instalar uma milícia em Guarujá para oferecer 'segurança' aos comerciantes mediante pagamentos mensais. A organização criminosa ordenava o assassinato de policiais da ativa e da reserva no litoral de São Paulo.