EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

27 de Maio de 2020

Quiosque de praia é incendiado e vítima tem que tirar fotos para perícia em Peruíbe

Proprietária afirma que incêndio foi criminoso. Segundo funcionário do Instituto de Criminalística, o pedido para mulher tirar fotos está respaldado por portaria

Incêndio destruiu o Quiosque Jureia, na orla da Praia de Peruíbe, à 1 hora desta sexta-feira (22). As chamas consumiram 100 mesas e 400 cadeiras de plástico, destruindo também o telhado e o balcão. A comerciante Vany Oliveira Santos, de 66 anos, não soube estimar o seu prejuízo. Em relação ao episódio, ela foi taxativa: “com certeza, foi criminoso”. Para completar o dissabor, coube à vítima a tarefa de fotografar o local para suprir carência do Estado na realização de perícia.

O Corpo de Bombeiros evitou que as chamas atingissem a parte interna do quiosque, onde ficam o estoque e outros utensílios. Presas a corrente e cadeado, as mesas e cadeiras estavam na área externa. A dona do estabelecimento compareceu ao local quando os bombeiros ainda ali estavam. O fogo já havia sido debelado.

Vítima faz perícia

O Jureia fica na praia do Balneário Flórida, próximo a um posto de salvamento do Corpo de Bombeiros. A comerciante afirmou não possuir inimigos e não ter ideia de quem possa ter incendiado o seu quiosque. Por orientação da Polícia Civil, ela retornou ao estabelecimento pela manhã, com o dia claro, para fotografar os estragos.

As fotos foram salvas em um pen drive, entregue na Delegacia de Peruíbe. De madrugada, quando o incêndio era registrado na repartição, o delegado Ednilson Mattos requereu perícia no quiosque. Porém, um perito do Instituto de Criminalística (IC) de Itanhaém, por telefone, lhe disse que a própria vítima deveria fotografar o local.

Segundo o funcionário do IC, a delegação passada à vítima decorre da pandemia da Covid-19 e está respaldada pela Portaria 91 da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), que foi editada no último dia 18 de março e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). Com as fotografias tiradas por estranhos, o órgão estatal produzirá o que se chama de “laudo indireto”. A Polícia Civil ainda não tem pistas da autoria do incêndio.

As fotos do incêndio foram salvas em um pen drive, entregue na Delegacia de Peruíbe (Foto: Arquivo pessoal)
Tudo sobre: