<div style="clear:both;"> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.441122" attr-version="policy:1.441122:1731458917" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.441122/Projeto Canva (6).jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">O professor lecionava geografia na EMEF Ayrton Senna da Silva; quando foi preso, a Polícia Civil apreendeu diversos eletrônicos na sua casa (Prefeitura de São Vicente e Reprodução Polícia Civil)</span></p> <p paraeid="{22fca1c2-1b94-4fd5-978f-c09859112ebb}{121}" paraid="268862510" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Um </span>professor, de 55 anos, da rede pública de <a href="https://www.atribuna.com.br/cidades/sao-vicente">São Vicente</a>, foi preso na área rural de <a href="https://www.atribuna.com.br/cidades/guaruja">Guarujá</a>, na manhã desta segunda-feira (11), investigado por assédio sexual e moral contra alunas de 12 a 14 anos. Conforme as denúncias das vítimas, ele tinha um tratamento muito próximo e estranho com as estudantes e até trocava mensagens com as menores, chamando-as de “meu amor”, mesmo sendo casado. <em><strong>(Leia as denúncias mais abaixo)</strong></em>.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{ef4c75d1-d4f6-42f1-8d33-1004f19eaba3}{246}" paraid="1400642798" xml:lang="PT-BR"><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n">Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp!</a></p> <p paraeid="{ef4c75d1-d4f6-42f1-8d33-1004f19eaba3}{246}" paraid="1400642798" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Os policiais civis foram cumprir um mandado de prisão e de busca e apreensão contra o professor na </span>área rural de Guarujá, por volta das 9h30 desta segunda-feira (11). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) acrescentou que quatro celulares, um HD, um iPad, dois notebooks e um caderno foram apreendidos na casa do homem. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{15c582e4-3423-46c0-89ac-a473f268f3f8}{166}" paraid="1315045997" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Conforme o boletim de ocorrência (BO) e relatórios de investigação obtidos por <strong>A Tribuna</strong>, ele era professor de geografia da </span>Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) CAIC Ayrton Senna da Silva, que fica Conjunto Residencial Humaitá, em São Vicente. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{c0478458-1649-4d89-8c8a-6a0ea68dd11f}{137}" paraid="2054004246" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">De acordo com o documento, a denúncia informa que a Secretaria de Educação (Seduc) recebeu em</span> fevereiro deste ano denúncias anônimas, como prints de celulares que mostravam mensagens trocadas com alunas, onde ele as chamava de "meu amor". Ainda segundo o boletim, a escola disse que recebeu a denúncia através de uma carta que a mãe de uma aluna apresentou na diretoria. Essa carta foi escrita pela aluna, e nela a menina relatou os abusos sofridos.</p> <p paraeid="{c0478458-1649-4d89-8c8a-6a0ea68dd11f}{137}" paraid="2054004246" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Mensagens</span> e assédios </strong><br /> <span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR"><strong>A Tribuna</strong> teve acesso aos relatórios de investigação do caso</span> e aos depoimentos das alunas (escutas). <span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Um deles mostra que no início da tarde de 16 de abril, uma aluna enviou uma foto ao </span>professor. Na manhã do dia seguinte, o professor fez um print do lábio da aluna e respondeu "quero".</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{e067476f-308a-46db-83d0-c37c1dda395a}{187}" paraid="1783510692" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">No dia 18, ele chamou a aluna para sair junto com uma colega: "vamos sair na quinta a tarde</span>...(nome da aluna)", diz a mensagem. Dois dias antes, ele tinha dito à aluna: "eu amo você". </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{a1df8c4b-d620-4cbe-bb14-d504b4e62ad3}{201}" paraid="686762059" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Em 25 de outubro, a mãe de uma outra aluna</span>, de 12 anos e estudante da mesma escola, compareceu à delegacia e disse que, em julho deste ano, o professor estava passando pelo corredor e parou em frente à sua filha, tocou nos seus cabelos e ombros e disse: "Nossa, como você é linda”. A garota ficou paralisada com a situação. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{39aa04d7-9fc4-417a-8244-e24d018f9e41}{99}" paraid="1310579602" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">A mãe foi até a escola e conversou com a diretora, relatando o acontecido. Alguns dias depois, a diretora afirmou que </span>chamou o professor e que ele se defendeu, dizendo “que este tipo de atitude são brincadeiras que ele tem com todos os alunos”. <span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Por conta disso, segundo a mãe, </span>a diretora disse que não poderia fazer nada.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{c51eda80-af83-450e-b3f0-cace257cd5cc}{118}" paraid="1543460523" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">A aluna de 12 anos </span>continuou tendo aulas com o mesmo professor de Geografia. Em decorrência disso, a mãe relatou que a filha tinha crises de ansiedade e que não queria mais ir à escola. Q<span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">uando </span>o professor foi afastado da disciplina em sua sala, a mãe contou que o quadro dela melhorou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{a340b663-a979-48d1-8719-9b41cd54ce42}{149}" paraid="217110729" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR"><strong>Outro caso</strong><br /> Em outra denúncia ocorrida</span> em agosto, uma aluna contou que o professor voltou a dar aulas após as férias de julho. Ela percebeu situações de aproximação do ‘suposto agressor’ que lhe deixavam desconfortável, entre elogios e caricias inoportunas em seus cabelos, rosto e pescoço no meio da sala de aula.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{59df657a-ba25-45bc-913a-d413a6bf6d16}{49}" paraid="1955153048" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">A </span>menor chegou a citar que, em um dos assédios, ela estava dormindo com a cabeça apoiada na carteira, quando foi acordada pelo professor. O homem a acordou com toques no rosto e no queixo, se aproximando do rosto dela, na intenção de ‘beijar a boca dela’. Por conta disso, a aluna se sentiu muito desconfortável. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{6a0dd9b6-1bd5-4087-bab4-3bae13f4b50e}{157}" paraid="1324414377" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR"><strong>'Diferentão'</strong><br /> Em outra denúncia, </span>uma vítima de 14 anos contou que ficava incomodada com as atitudes do professor. Porém, essa aluna não tinha contado ao seus pais antes, porque o professor era tido como legal e 'diferentão' pelos alunos da sala. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{22410193-444b-4611-a540-2413a94b193f}{131}" paraid="1377748161" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">A vítima disse que desde sempre, o professor </span>a chamava na frente dos alunos e lhe dizia os seguintes apelidos: ‘bebê, neném, meu amor’. Ela relatou ainda que questionou o homem sobre eles terem muita diferença de idade.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{f473f04e-2bde-4205-aa5d-efb97978ebc5}{162}" paraid="1191607208" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Segundo a adolescente, o professor </span>disse que achava isso 'normal’. A aluna contou ainda que, em seu aniversário, o homem levou um bolo para ela, e que em outras ocasiões, a presenteou com pulseiras.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{ae34f913-9c9a-42d7-846a-135f0954907a}{31}" paraid="1311719669" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Ainda segundo o documento, essa mesma </span>menina relatou que o professor a levou junto com uma amiga à praia. Neste dia, segundo a menina, o professor chegou próximo e perguntou 'quando poderia dar o primeiro beijo nela’. A vítima contou que ficou paralisada, sem saber o que fazer. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{c39fd1b4-4816-4504-aafb-d3212ac61681}{180}" paraid="1710713826" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Após essas ações, a menina começou a evitar contato com o professor. Mesmo assim, </span>de acordo com a aluna, ele continuou a ‘seguindo’. <span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Por conta disso, a</span> menina não quer ir mais à escola e "espera que o ano acabe logo". </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{12f1aa4d-f72c-4dbd-81b6-48dc9287c6c7}{70}" paraid="731404290" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR"><b>Contou ao pai</b><br /> Uma outra vítima disse que após denunciar o professor e contar ao pai o que havia acontecido, o docente começou a </span>repreendê-la, ameaçando-a de dar notas baixas e mudando até a forma como a tratava em sala de aula.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{8c2420f8-c6f7-448e-9f81-5a3f9f26908e}{216}" paraid="2060359683" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR"><strong>Assédio moral</strong><br /> Em outro documento </span>de investigação obtido por A<strong> Tribuna</strong>, o professor é apontado por usar o cargo para se aproveitar da situação e cometer os assédios.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{6fb9fa16-0ac2-45c3-92de-0ca7f3218b5b}{169}" paraid="227747012" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Em respostas a</span> uma das acusações de assédio, o professor teria declarado que tem consciência de que esse tipo de comportamento é inapropriado, e que ele não deveria estar se aproximando dela dessa forma e com as intenções que demonstrou. Depois, ele teria dito que teve conhecimento de que as garotas da própria turma o denunciaram por assédio moral e sexual.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{a1a5913e-59b5-4f64-806d-cc2b78603c76}{122}" paraid="13360631" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">O que diz a Prefeitura sobre o caso</span> </strong><br /> <span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">A Prefeitura de São Vicente inform</span>ou que, desde o momento em que teve ciência do fato, o servidor foi afastado de forma cautelar. A Administração Municipal comunicou o caso aos órgãos competentes, inclusive ao Ministério Público (MP).</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{1d54002d-8ca1-4477-b8f2-9294ea2549aa}{121}" paraid="929685237" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">No final de outubro, ainda </span>segundo a Administração, foram anexados mais elementos ao processo. Dessa forma, a Seduc solicitou a prorrogação do afastamento do professor.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{a1a5913e-59b5-4f64-806d-cc2b78603c76}{162}" paraid="2124067192" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Em paralelo, foi solicitada a escuta especializada das alunas envolvidas. As psicólogas da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (</span>Sedhc) prestaram todo o suporte, encaminhando o caso para acompanhamento da Secretaria da Saúde (Sesau). Segundo a Prefeitura, as estudantes seguem recebendo toda a assistência necessária. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{a1a5913e-59b5-4f64-806d-cc2b78603c76}{174}" paraid="1976526261" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">Por fim, a Prefeitura se solidariza com a causa das alunas e diz que se coloca à disposição das autoridades para contribuir com as investigações.</span></p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{c0478458-1649-4d89-8c8a-6a0ea68dd11f}{63}" paraid="234879898" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="none" xml:lang="PT-BR">A SSP acrescentou que o</span> caso foi registrado como cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente. </p> </div>