O prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), se manifestou sobre a morte do menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, vítima de bala perdida após tiroteio no Morro São Bento (Reprodução/ Redes Sociais e Arquivo Pessoal) O prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), publicou em suas redes sociais um vídeo no qual afirma que vai exigir que a morte do menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, seja apurada pelas autoridades competentes. A criança foi um dos baleados e mortos em uma troca de tiros entre policiais militares e criminosos no Morro São Bento, em Santos, na noite desta terça-feira (5). Um suspeito, de 17 anos, também morreu. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! "A dor dos pais, parentes e amigos, a gente não tem como acalmar. Mas, como prefeito, eu garanto: eu vou exigir e acompanhar que tudo seja apurado. Não podemos mais deixar que essas coisas aconteçam", disse Rogério Santos no vídeo. A Tribuna procurou a Prefeitura de Santos para esclarecer como esse acompanhamento do caso será feito. Em nota, a Administração Municipal informou que o prefeito está pessoalmente em contato com a Polícia Militar (PM) acompanhando o desenrolar dos acontecimentos e a apuração. -Prefeito de Santos se manifesta sobre morte no São Bento (1.440385) Relembre Segundo o boletim de ocorrência, o tiroteio aconteceu às 20h15. Três viaturas da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), da Polícia Militar (PM), estavam pelas ruas do morro quando se depararam com cerca de dez homens, sendo que quatro deles estavam em duas motocicletas. Ao notarem a presença dos policiais, eles fugiram em direção a um local conhecido como sendo um ponto de tráfico de drogas. Os PMs, então, desembarcaram das viaturas e prosseguiram a pé até o local onde os suspeitos se esconderam. Quando os policiais chegaram próximo ao ponto de tráfico, foram alvo de disparos de arma de fogo, o que motivou a solicitação de apoio. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, após a solicitação, uma nova viatura chegou ao local pela parte superior do morro, surpreendendo os criminosos. Isso porque, na tentativa de fuga, sete ou oito dos bandidos acabaram se deparando com o reforço policial. Nesse momento, houve novo confronto que resultou nos dois suspeitos menores de idade baleados. Os outros criminosos conseguiram fugir por uma área de mata. O suspeito de 17 anos foi socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O outro baleado foi levado à Santa Casa de Santos, onde permanece internado sob escolta. Com eles, foram apreendidos um radiocomunicador, armas e três motocicletas. O caso foi registrado como homicídio, tentativa de homicídio e morte decorrente de intervenção policial pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. Mãe do menino perdeu marido na Operação Verão A mãe de Ryan, Beatriz da Silva Rosa, já havia perdido o companheiro em fevereiro deste ano. Leonel Andrade dos Santos, de 36 anos, morreu durante a terceira fase da Operação Verão, que resultou em 56 mortos. Segundo o boletim de ocorrência, ele foi baleado por policiais militares. De acordo com a Polícia Civil, Leonel e um outro homem, de 35 anos, estavam armados e chegaram a ser socorridos e levados para a Santa Casa após o confronto, mas ambos não resistiram aos ferimentos. Em entrevista para a TV Tribuna, Beatriz negou que houve troca de tiros nos episódios que resultaram nas mortes de seu marido e também de seu filho. Em fevereiro, ela contou que os policiais militares chegaram ao morro atirando e acabaram alvejando Leonel, que conversava com um amigo, no caso, o homem que também foi morto na ação. Além disso, Beatriz afirmou que o companheiro era deficiente, andava com o apoio de muletas e não teria como segurar uma arma. A mulher afirmou que o mesmo ocorreu por volta das 20h30 desta terça-feira. “Não teve troca de tiros. Além de atirar pra cima dos meninos que eles estavam perseguindo, atiraram pra cima da gente”, afirmou para a TV Tribuna.Segundo ela, um dos disparos dados para o alto teria atingido o filho enquanto ele brincava com outras crianças na rua em frente à casa de uma prima. Beatriz presenciou a morte do filho e chegou a pegá-lo no colo após o menino ser baleado. Ryan chegou a ser socorrido e encaminhado à Santa Casa de Santos, mas não resistiu e morreu. A tia do garoto, Renata Fiel da Silva, lembrou o momento em que o sobrinho foi atingido em frente à mãe. “A criança caiu nos pés dela. Só deu tempo dele falar ‘mamãe’ e ela ver o sangue escorrendo”, disse. O que diz a SSP? Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) disse que lamenta profundamente o falecimento de Ryan durante o confronto entre criminosos e policiais militares. A pasta afirmou que os agentes faziam patrulhamento em uma área de tráfico de drogas na região quando foram atacados por um grupo de aproximadamente dez criminosos. A Delegacia Seccional de Santos instaurou um inquérito para apurar os fatos e determinou a realização de perícia nas armas apreendidas e no local do confronto para esclarecer a origem do disparo que atingiu a criança.