Diego Nascimento, Israel Morais e Paulo Ricardo serão julgados (Reprodução/Fantástico) Diego Nascimento de Sousa, Israel Morais Pereira de Souza e Paulo Ricardo da Silva, os policiais militares acusados de matar um suspeito desarmado durante uma ocorrência em 2022, começam a ser julgados pelo Tribunal do Júri na manhã desta quarta-feira (25), em Guarujá, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ao todo, 16 testemunhas devem ser ouvidas, além do interrogatório dos três réus. A sessão teve início pela manhã no Fórum da cidade e tem previsão de durar até sexta-feira (27). Relembre o caso O caso aconteceu em junho de 2022, após um assalto a uma residência em Bertioga. Três suspeitos fugiram em um carro roubado pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-055), em direção a Guarujá, e foram perseguidos por policiais militares. Durante a ação, houve troca de tiros. Um dos suspeitos, de 19 anos, foi baleado e sobreviveu. Outro homem, de 33 anos, foi preso após tentar fugir a pé. Já o terceiro, Kaique de Souza Passos, de 24 anos, correu para uma comunidade, onde foi localizado. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Kaique estava desarmado e com as mãos levantadas, indicando rendição, quando foi baleado sete vezes pelos policiais e morreu no local. As imagens da ocorrência foram registradas por câmeras corporais utilizadas pelos agentes. Investigação e denúncia Inicialmente, o caso chegou a ser arquivado pelo MP-SP sob a justificativa de legítima defesa. No entanto, após análise das imagens pelas autoridades e investigação da Corregedoria da Polícia Militar, o órgão reviu o entendimento. De acordo com a denúncia, os policiais teriam obstruído as câmeras corporais durante os disparos e simulado uma situação de confronto. Ainda conforme o MP-SP, um simulacro de arma teria sido colocado ao lado do suspeito para sustentar a versão inicial. A acusação aponta que os agentes agiram de forma fraudulenta para dificultar a produção de provas e sustentar uma narrativa considerada inverídica. O órgão também sustenta que houve abuso de poder e uso indevido de armamento da corporação. Os promotores classificam o motivo do crime como torpe, alegando que os policiais teriam atirado nas vítimas por mera suspeita de envolvimento em crimes. Também apontam que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade, sem condições de defesa. Situação dos réus Os policiais chegaram a ficar presos por cerca de um ano e meio, mas foram colocados em liberdade em dezembro de 2023. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que os policiais respondem também a processo administrativo instaurado pelo Comando de Policiamento do Interior-6 (CPI-6) e permanecem afastados do serviço operacional.