Mulher foi agredida pelo policial enquanto estava em surto em um prédio de São Vicente (Reprodução) O policial militar Danilo de Oliveira Moura, de 33 anos, que agrediu uma mulher em surto psicótico, de 30, com soco e chute no rosto, em um prédio de São Vicente, foi afastado de suas atividades. O afastamento foi confirmado pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) neste domingo (22). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em nota enviada pela SSP-SP, a secretaria informou que "a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todos os aspectos do caso e afastou o policial envolvido das atividades operacionais”. A SSP acrescentou que imagens registradas pelas câmeras operacionais portáteis (COPs) dos policiais estão sendo analisadas e que a corporação repudia excessos, desvios de conduta. Ainda ressaltou que, "constatada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos". A Tribuna não conseguiu localizar a defesa do PM, mas o espaço segue aberto para manifestações. Autodefesa A mulher de 30 anos que foi agredida pelo policial militar, durante um surto psicótico, na madrugada de quinta-feira (19), alegou que agiu em autodefesa e criticou a ação da polícia. Conforme apurado pela TV Tribuna, o porteiro do edifício acionou a PM para conter a moradora, denunciada por gritar e fazer barulho excessivo. O boletim de ocorrência detalha que os policiais constataram que a mulher estava em visível estado de surto, discutindo com o porteiro do prédio. Durante a tentativa de aproximação e diálogo por parte da equipe policial, a mulher desferiu um tapa no rosto do PM Danilo de Oliveira Moura. Segundo o registro policial, diante da agressão e da resistência, foi necessário o uso moderado da força para conter a moradora. Para a mulher, houve despreparo na abordagem dos policiais. “Talvez se eu não tivesse apanhado daquele jeito ou se tivesse tido outra ação, eu não teria desacatado em nenhum momento o policial. A pessoa em surto não está raciocinando. Teve despreparo, sim, na abordagem”, disse ela, que faz uso de medicamentos controlados há dez anos, mas está há um mês sem utilizá-los. A mulher sofreu uma lesão no nariz, sendo solicitado atendimento médico no local pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em seguida, a moradora foi conduzida ao Pronto-Socorro (PS) Central de São Vicente. Imagens da agressão Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a mulher, em surto psicótico, é atingida com um chute no rosto pelo policial militar durante a ocorrência. Nas imagens, a mulher está caída no chão, enquanto uma policial militar passa ao lado. Ela tenta segurar a perna da agente e, em seguida, ouve-se a policial dizer “tá louca?” Na sequência, um PM, que também atendia a ocorrência, desfere chute direto no rosto da mulher. Após o golpe, a mulher grita de dor, com a face ensanguentada. É possível ver ainda sangue espalhado pelo chão. -Veja o vídeo (1.506737) Novo surto Na delegacia, a mulher apresentou novo surto. O Samu foi novamente acionado e a encaminhou ao PS do Humaitá para continuidade do atendimento médico. Testemunha Segundo uma testemunha, que preferiu não ser identificada, vizinhos acionaram a Polícia Militar após a mulher entrar em surto psicótico. Os agentes foram até o prédio para averiguar a situação. Durante a abordagem, um dos policiais teria sido atingido por um tapa dado pela moradora e, em resposta, desferiu um soco no rosto dela. “A mulher caiu no chão com o rosto desfigurado e sangrando. O policial não prestou socorro imediato e, segundos depois, desferiu um chute no rosto dela enquanto ainda estava caída. Minutos depois, os policiais ligaram as câmeras corporais para registrar a ação. Após o ocorrido, mais agentes chegaram e a mulher foi levada por uma ambulância. Não foi possível fazer imagens com mais detalhes, pois os policiais intimidavam os moradores que filmavam”, relatou a testemunha. Ainda de acordo com o relato, havia marcas de sangue no corredor e nas paredes. “O policial que agrediu a mulher sequer demonstrou arrependimento, evidenciando frieza”.