Suspeitas faziam disque drogas no Gonzaga (Polícia Civil/Arquivo AT) A Justiça decidiu manter em liberdade a dupla de mulheres que foram presas por realizarem um ‘disque drogas’ no Gonzaga, em Santos, negando o recurso apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). As duas foram presas em flagrante em 5 de fevereiro, pois, conforme a Polícia Civil apurou, havia filmagens do esquema de distribuição de drogas no qual os criminosos usavam aplicativos de mensagem para negociar valores e locais para entrega dos entorpecentes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As mulheres de 19 e 23 anos respondem por tráfico de drogas e associação para o tráfico. No início do ano, os policiais apreenderam skunk, haxixe, dinheiro, aparelhos celulares e outros objetos durante as investigações. Com a prisão da dupla, também se iniciou a Operação Domo de Ferro I, que prendeu outras nove pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. Dentre os suspeitos, está o jornalista e ex-apresentador Marcelo Carrião, apontado como um dos principais fornecedores das drogas comercializadas pelo esquema de disque drogas. Em fevereiro, Carrião, de 52 anos, e dois irmãos foram acusados de produzir maconha de alta qualidade dentro de casa. Carrião teve a prisão revogada e a liberdade provisória concedida pelo MP-SP em 3 de setembro. Já as mulheres presas no Gonzaga permaneceram apenas um dia detidas. Segundo o advogado criminalista Marcelo Cruz, que defendeu uma das investigadas, a soltura se deu porque o próprio MP não vislumbrou a desnecessidade da decretação da prisão preventiva, salientando que sua cliente, além de possuir residência fixa, é mãe de uma criança pequena. A Tribuna apurou que a manutenção da soltura foi confirmada em julgamento realizado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Procurado pela Reportagem, Cruz explicou que a turma da 4ª Câmara do TJ-SP entendeu que as mulheres, que estão em liberdade há quase nove meses, cumpriram fielmente todas as medidas cautelares impostas na decisão de soltura. “Ambas já foram interrogadas, encontrando-se os autos aguardando diligência requerida. Desta forma, entendo que os três desembargadores que participaram do julgamento do recurso aceitaram, pois não existem razões concretas para determinar uma prisão”, diz. Com a decisão do TJ-SP, o processo segue aguardando julgamento, com as acusadas respondendo em liberdade. Durante a Operação Domo de Ferro I, os policiais civis descobriram uma casa com estufas para produzir maconha de alta qualidade (Divulgação/Deic/Deinter-6) O esquema A Polícia Civil deflagrou a Operação Domo de Ferro I na manhã do dia 28 de fevereiro. A ação desarticulou um esquema de comercialização e produção de drogas em Santos. Entre os principais fornecedores presos estava o jornalista e ex-apresentador Marcelo Carrião e dois irmãos que produziam maconha de alta qualidade dentro de casa. De acordo com o delegado Leonardo Amorim Rivau, da 2ª Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), na época, as investigações tiveram início após a prisão de duas mulheres que faziam ‘disque-droga’ no bairro do Gonzaga, em Santos, onde encomendavam a compra e a venda dos entorpecentes. Pela apreensão do celular de uma delas, os policiais conseguiram identificar as pessoas responsáveis por fornecer as drogas. Segundo o delegado do 2º Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Fabiano Barbeiro, também na época, as mulheres presas tinham uma relação de negócios com os envolvidos de forma organizada. Para atender a demanda, elas contavam com fornecedores que traziam os entorpecentes de fora da Baixada Santista, mas também com um esquema de produção interna. Depois de saber quem eram os suspeitos, o Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), que presta apoio à 3ª fase da Operação Verão na Baixada Santista, forneceu a tecnologia para ajudar a encontrar o endereço dos envolvidos. Com mandado de busca e apreensão, os agentes localizaram seis dos nove procurados. Entretanto, durante as diligências, surgiram outros três suspeitos, que também foram presos.As prisões ocorreram nos bairros Vila Mathias, Aparecida, Vila Belmiro, Gonzaga, Marapé e Estuário. Mas também houve buscas no Embaré, Cidade Náutica e Ponta da Praia. Jornalista e ex-apresentador, Marcelo Carrião, tinha sido preso por tráfico de drogas e teve a prisão revogada e liberdade provisória concedida nesta terça (3) (Reprodução) Jornalista preso Entre os investigados na operação estava o jornalista e ex-apresentador, Marcelo Carrião, apelidado de ‘Vovozinho’. Ele foi preso no bairro Marapé e era apontado como um dos principais fornecedores de entorpecentes para as duas mulheres presas no bairro Gonzaga. Carrião é formado na Universidade Católica de Santos (UniSantos) e trabalhou como repórter e apresentador de telejornais na antiga TV Manchete, Rede Record e SBT. Nas buscas e apreensões, os policiais encontraram uma casa, na Vila Mathias, onde dois irmãos usavam um esquema de três estufas para produzir maconha de alta qualidade. Segundo o delegado Leonardo Rivau na época, o tipo de droga que eles traficavam chegava a custar R\$ 25 mil o quilo, e eram comercializadas para pessoas de alto poder aquisitivo. Entre as conversas interceptadas pela Polícia Civil, os investigadores também perceberam que o conhecimento dos irmãos era tão grande que eles eram capazes de programar o prazo e a quantidade de drogas que poderiam vender. Na Operação Domo de Ferro I, houve 12 pessoas presas e apreensão de drogas como maconha, K9, haxixe e skunk, armas de fogo e R\$ 50 mil em dinheiro. Leia mais sobre este assunto: Jornalista e ex-apresentador preso por tráfico de drogas em Santos tem liberdade concedida Operação policial prende ex-apresentador e descobre produção de maconha de alta qualidade em Santos Dupla de mulheres é presa por ‘disque drogas’ no Gonzaga, em Santos