[[legacy_image_357612]] “Ninguém tem o direito de entrar dentro de casa e matar uma família inteira, só porque não se conforma com o fim do relacionamento. Eles não tiveram chance nenhuma de se defender”. É com a voz embargada que um familiar falou essa frase, sobre o assassinato de Josilene Paula da Rosa, de 39 anos, e dos filhos Arthur, de 12, e Gabriel, de 20, no Vale do Ribeira na última quinta-feira (16). Em conversa com a reportagem de A Tribuna neste sábado (18), o parente, que por questão de segurança pediu para ter sua identidade preservada, contou que desde janeiro Josilene tentava terminar o namoro com o bombeiro Ednei Antonio Vieira, de 42 anos, e disse ainda que ela relatava com frequência o jeito ciumento e possessivo do ex. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme o parente, Josilene e Ednei estavam juntos há pouco mais de um ano. No entanto, como ela tinha um comportamento mais reservado, nunca chegou a apresentá-lo para a família. “Ela não era de falar muito sobre os problemas da vida dela, mas chegou a relatar que ele era possessivo, tanto que nas redes sociais dela não havia nenhum amigo ou seguidor homem”, conta. Por causa do ciúme, o familiar observa que, desde janeiro, Josilene estava tentando terminar o relacionamento com Ednei, mas ele insistia em continuar o namoro. Sonho de criançaProfessora e apaixonada incondicionalmente pelos filhos. Assim era ‘Lene’, como era carinhosamente conhecida na cidade de Apiaí, onde vivia desde que nasceu, no Vale do Ribeira. A mais nova de cinco filhas sonhava, já nas brincadeiras de criança, com a profissão de educadora. Por muito tempo, após o término de um casamento e a vinda dos filhos, ela conseguiu finalmente concluir o curso superior e se formar na tão sonhada profissão. Há cerca de dois anos, o objetivo tinha se concretizado e estava dando aula de Artes na Escola Municipal Professora Elisa dos Santos. Nesta sexta-feira (17), a unidade de ensino lamentou a morte da professora e publicou uma nota de pesar, descrevendo Josilene como 'amiga e companheira de equipe'. A Prefeitura de Apiaí também decretou luto oficial pelo falecimento da servidora. O filho mais velho, Gabriel, estava cursando Direito na Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva, cidade vizinha de Apiaí. Já Arthur ainda estava cursando o Ensino Fundamental no município. O parente contou também que os filhos eram tudo na vida de Josilene. Após a separação do pai de Gabriel e a morte repentina do pai de Arthur, a professora dizia que os dois eram sua família. “A gente estava comentando que, de certa forma, ela profetizava, pois sempre disse que nunca queria morrer e deixar os filhos sozinhos, de tanto que ela os amava”. BuscasNesta sexta-feira (17), a Justiça decretou a prisão preventiva de Ednei. Até o momento, o bombeiro não foi localizado e equipes da Polícia Militar fazem buscas nos arredores de Capão Bonito, interior de São Paulo. Sobre o crimeO crime aconteceu na Rua Joaquim Fogaça de Almeida, no bairro Santa Bárbara, por volta das 22h de quinta-feira. Vizinhos teriam escutado cerca de sete disparos na casa da vítima e, depois, ouviram o homem fugindo de carro. [[legacy_image_357613]] Após cometer o crime, Ednei teria batido o carro em uma mureta de metal na Rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado, próximo à cidade de Guapiara, no Interior de São Paulo. Segundo a Polícia, o bombeiro teria abandonado o veículo no local. A polícia suspeita que o crime tenha sido cometido pelo fato de Ednei não aceitar o fim do relacionamento com Josilene. Cerca de uma hora antes do crime, vizinhos teriam ouvido uma briga entre os dois, em que ela dizia 'não quero mais, você tem que entender'. Após a discussão, Ednei teria ido embora, mas, depois, voltou para cometer o crime. Josilene e os filhos foram sepultados às 10h deste sábado (18), no cemitério municipal de Apiaí. PeculatoSegundo o boletim de ocorrência, para matar a ex-namorada e os filhos dela, Ednei furtou uma arma que pertence ao Corpo de Bombeiros. Conforme relato de um agente da corporação, Ednei teria enganado outro militar e conseguiu retirar a arma do local onde costuma ficar sem que fosse percebido. Por isso, além de homicídio e feminicídio, o caso também foi registrado como peculato. Posicionamento da PolíciaA Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) foi procurada e disse que o caso é investigado pela Delegacia de Polícia de Apiaí e pela Polícia Militar, por meio de um Inquérito Policial Militar. Ainda afirmou que diligências estão em andamento para localizar Ednei e prendê-lo.