Policial Militar foi filmado dando chute no rosto da mulher em surto psicótico em São Vicente (Reprodução) A mulher de 30 anos agredida com socos e chutes no rosto por um policial militar dentro de um condomínio em São Vicente, no litoral de São Paulo, durante um surto psicótico, alegou que agiu em autodefesa e criticou a ação da polícia. Segundo a Polícia Militar (PM), o caso é apurado através de um inquérito. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Naquele momento, eu estava sozinha, sem familiares, sem amigos. Não demonstrei perigo para eles em nenhum momento. Foi tudo para me defender daquela situação”, disse a mulher em entrevista para a TV Tribuna. A agressão ocorreu na madrugada de quinta-feira (19), por volta das 3h, em um prédio localizado na Rua Amador Bueno da Ribeira, no bairro Gonzaguinha. Consta no boletim de ocorrência que os policiais militares relataram que foram acionados via Centro de Operações da PM (Copom) para atender a uma ocorrência de agressão em andamento. Conforme apurado pela TV Tribuna, o porteiro do edifício acionou a PM para conter a moradora, denunciada por gritar e fazer barulho excessivo. O boletim de ocorrência detalha que os policiais constataram que a mulher estava em visível estado de surto, discutindo com o porteiro do prédio. Durante a tentativa de aproximação e diálogo por parte da equipe policial, a mulher desferiu um tapa no rosto de um PM. Segundo o registro, diante da agressão e da resistência, foi necessário o uso moderado da força para conter a moradora. Para a mulher, houve despreparo na abordagem dos policiais. “Talvez se eu não tivesse apanhado daquele jeito ou se tivesse tido outra ação, eu não teria desacatado em nenhum momento o policial. A pessoa em surto não está raciocinando. Teve despreparo,sim, na abordagem”, disse ela, que faz uso de medicamentos controlados há dez anos, mas está há um mês sem utilizá-los. A mulher sofreu uma lesão no nariz, sendo solicitado atendimento médico no local pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em seguida, a moradora foi conduzida ao Pronto-Socorro (PS) Central de São Vicente. Imagens da agressão Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a mulher, em surto psicótico, é atingida com um chute no rosto pelo policial militar durante a ocorrência. Nas imagens, a mulher está caída no chão, enquanto uma policial militar passa ao lado. Ela tenta segurar a perna da agente e, em seguida, ouve-se a policial dizer “tá louca?” Na sequência, um PM, que também atendia a ocorrência, desfere chute direto no rosto da mulher. Após o golpe, a mulher grita de dor, com a face ensanguentada. É possível ver ainda sangue espalhado pelo chão. -Veja o vídeo (1.506737) Novo surto Na delegacia, a mulher apresentou novo surto. O Samu foi novamente acionado e a encaminhou ao PS do Humaitá para continuidade do atendimento médico. Testemunha Segundo uma testemunha, que preferiu não ser identificada, vizinhos acionaram a Polícia Militar após a mulher entrar em surto psicótico. Os agentes foram até o prédio para averiguar a situação. Durante a abordagem, um dos policiais teria sido atingido por um tapa dado pela moradora e, em resposta, desferiu um soco no rosto dela. “A mulher caiu no chão com o rosto desfigurado e sangrando. O policial não prestou socorro imediato e, segundos depois, desferiu um chute no rosto dela enquanto ainda estava caída. Minutos depois, os policiais ligaram as câmeras corporais para registrar a ação. Após o ocorrido, mais agentes chegaram e a mulher foi levada por uma ambulância. Não foi possível fazer imagens com mais detalhes, pois os policiais intimidavam os moradores que filmavam”, relatou a testemunha. Ainda de acordo com o relato, havia marcas de sangue no corredor e nas paredes. “O policial que agrediu a mulher sequer demonstrou arrependimento, evidenciando frieza”. Caso é apurado Em nota, a Polícia Militar informou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todos os aspectos do caso. Segundo a corporação, as imagens registradas pelas câmeras operacionais portáteis (COPs) dos policiais são analisadas. “A instituição repudia excessos, desvios de conduta e ressalta que, constatada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos”, afirmou a PM.