Eneas Santos Dias foi sequestrado, mantido em cárcere e roubado por criminosos durante uma corrida pelo aplicativo (Arquivo Pessoal) O motorista de aplicativo Eneas Santos Dias, de 42 anos, foi banido da Uber semanas após ser sequestrado e roubado por criminosos durante uma corrida de Bertioga até a cidade de São Paulo. A empresa alega que a desativação de Eneas da plataforma não tem qualquer relação com o crime. Um dos suspeitos foi preso em flagrante. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A corrida partiu de um condomínio do bairro Guaratuba. Um passageiro entrou no carro e, durante o percurso, anunciou o assalto. O motorista foi obrigado a parar num trecho próximo à Rodovia Rio-Santos e mais dois homens entraram no veículo. Eneas contou que foi ameaçado e obrigado a conduzir o carro até São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. Depois, foi obrigado a ir para um local no limite entre São Sebastião e Bertioga. Nesse momento, os criminosos pediram para ele sair do carro. “Eu achei que ia perder minha vida, porque eram 3h30 da manhã, não passava carro nenhum na rodovia, não tinha ninguém na praia, estava frio”, relembra. Os criminosos levaram Eneas até uma área de mata fechada e pediram para que ele se abaixasse. "Eu achei mais uma vez que minha vida seria ceifada”. No local, os criminosos amarraram Eneas em uma árvore e levaram seus pertences, como dinheiro, celulares e documento. Com isso, ele teve um prejuízo de cerca de 20 mil. Após algumas horas sendo mantido em cárcere, os criminosos fugiram com seus objetos pessoais. Eneas conseguiu se soltar, viu se tinha algum criminoso por perto e foi até a Rodovia Rio-Santos. O motorista acionou a Guarda Civil Municipal (GCM) de Bertioga, por meio do telefone de emergência da rodovia. Depois, foi ao posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). O caso aconteceu na madrugada de 5 de setembro. Banido da Uber Eneas alegou que foi banido da plataforma próximo ao final do mês de setembro. Segundo ele, a empresa diz que o motivo foi ‘fraude'. Em um dos comunicados que recebeu, a Uber aponta que, ‘em razão de relatos de atividades que descumprem as políticas e termos do aplicativo, sua conta foi desativada’. A empresa explicou que a ‘Uber possui políticas e termos que estabelecem regras especificas que visam a segurança dos motoristas parceiros e usuários’. A Tribuna entrou em contato com a Uber, que disse que, por questões de privacidade, não pode dizer o motivo da desativação do motorista. "A Uber esclarece que a desativação do motorista parceiro não tem relação com o caso ocorrido em 5 de setembro de 2024. O parceiro, inclusive, realizou viagens no aplicativo após o incidente. A empresa informa que, na ocasião da desativação, o mesmo foi informado explicitamente sobre o motivo". A Uber acrescentou que é importante destacar que "toma com absoluta seriedade a decisão de desativar uma conta da plataforma. Todas as desativações estão fundamentadas nas políticas e diretrizes da plataforma, como o Código da Comunidade Uber, que foi criado para que a experiência com o aplicativo seja sempre positiva, segura e respeitosa tanto para motoristas parceiros quanto para usuários. Temos processos rigorosos em nosso suporte, feito por humanos, que analisam o teor dos reportes enviados pelo aplicativo antes de tomar medidas nas contas envolvidas. A menos que haja uma emergência, ameaça à segurança ou outra situação de risco, enviamos diversos comunicados ao motorista parceiro antes de desativar sua conta permanentemente. Desativações ocorrem na minoria das situações envolvendo motoristas parceiros, e existem procedimentos para que seja solicitada revisão caso o parceiro entenda que houve alguma decisão equivocada. No processo, ele pode fornecer informações adicionais para dar suporte à revisão, como gravações de áudio ou vídeo". A vítima relatou que está passando por problemas financeiros por conta do crime e da desativação da plataforma. Prisão de suspeito Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), um homem, de 25 anos, foi preso em flagrante após um roubo de veículo na Rua BG, em Bertioga, na madrugada de 5 de setembro, por volta das 4h30. De acordo com o órgão, o Chevrolet Prisma prata que tinha sido roubado foi encontrado em Mogi das Cruzes (SP). Houve uma perseguição policial que se estendeu até o km 28 da Rodovia Ayrton Senna. Lá, os suspeitos bateram contra um caminhão e tentaram fugir a pé. Um dos envolvidos conseguiu escapar, enquanto o outro foi preso pela polícia. Durante a abordagem, foram encontrados no carro objetos pessoais, como um relógio e mochila com roupas, além de uma arma de fogo calibre 38. O suspeito foi reconhecido pela vítima no 4º Distrito Policial (DP) de Guarulhos, onde foi registrado o boletim de ocorrência (BO) como roubo e apreensão e entrega do veículo.