O caso aconteceu na última sexta-feira (25), no Pronto-Socorro Central de São Vicente (Alexsander Ferraz/AT) O médico pediatra que usou arma de choque no pai de uma criança na última sexta-feira (25), no Pronto-Socorro Central de São Vicente, no litoral de São Paulo, diz que foi agredido pelo homem, de 33 anos, e usou o equipamento para conter a violência e se proteger. A informação é do Sindicato dos Médicos de Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Praia Grande (Sindimed), que enviou nota de repúdio à violência sofrida pelo profissional. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o documento, o médico foi intimidado e agredido pelo acompanhante da criança, que alegava que uma outra criança (que tinha febre) havia quebrado a ordem de atendimento. A unidade fica na Avenida Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, no Bairro Parque Bitaru. O profissional de saúde (após levar um soco) usou o equipamento. Porém, ainda segundo o Sindimed, não recebeu ajuda da equipe de enfermagem ou dos seus superiores, "que nem mesmo acionaram a Guarda Civil Municipal ou a Polícia Militar". "Não importa que a unidade tenha câmeras de vigilância, nem mesmo que o médico tenha tentando explicar que o problema deveria ser resolvido com a enfermagem e procurou evitar conflito, ele ainda foi acusado de comportamento inadequado e acabou sendo suspenso da unidade de atendimento", reclama o sindicato. Mais problemas O Sindimed apontou, ainda, um outro problema na unidade de Saúde: "A unidade de Pronto Atendimento Pediátrica Central de São Vicente não possui um serviço de triagem de pacientes baseado na escala de gravidade de Manchester para atender pacientes menores de 12 anos, o que é inadequado, irregular e potencialmente danoso para a saúde das crianças", diz. O que diz a Prefeitura Em nota, a Prefeitura de São Vicente disse que, imediatamente após ser notificada a respeito do caso, deu início às medidas cabíveis, solicitando à empresa responsável pelas contratações dos médicos da pediatria da Unidade o afastamento de forma cautelar do médico, que terá a oportunidade de prestar esclarecimentos. "Vale ressaltar que o mesmo não concedeu a oportunidade de ser acolhido, visto que não foi encontrado mais no local após o desentendimento", segue. A Administração informou, ainda, que prontamente o GCM em plantão no local passou a intermediar o caso, acionando apoio externo da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar (PM), e a ocorrência foi encaminhada à delegacia, onde foi feito um boletim de ocorrência (BO). Por fim, "a Prefeitura de São Vicente reitera seu repúdio a todo e qualquer ato de violência e segue à disposição das autoridades para contribuir com a apuração dos fatos", diz. Em relação ao procedimento de triagem para crianças, citado pelo Sindimed, "a cartilha de humanização e classificação de risco do Ministério da Saúde não faz qualquer menção ao mesmo, portanto, baseando-se nas determinações do Ministério da Saúde, não é obrigatória a adesão ao protocolo", finalizou. Relembre o caso Na última sexta-feira (25), um homem de 33 anos, acompanhando o filho doente no Pronto-Socorro Central de São Vicente, alegou ter sido atacado por um médico pediatra com uma arma de choque depois de questionar a demora no atendimento. O profissional foi afastado das funções. O episódio teria começado quando a vítima contou ter levado o filho ao PS Central. Cansado de esperar sentado, o homem narrou ter se levantado para ir falar com o médico da unidade e questionar sobre a demora no atendimento. Neste momento, o pediatra teria ignorado o pai e lhe dado as costas para voltar ao consultório. A vítima disse que pôs o pé na porta para que o médico não se isolasse. Na sequência, o homem relatou que o médico sacou uma arma de choque e o atacou para que este se afastasse. Logo após a agressão, o pai do paciente se dirigiu ao 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente, onde registrou um boletim de ocorrência. A Prefeitura de São Vicente informou, na época, que solicitou o afastamento imediato do médico para a empresa responsável pelas contratações dos profissionais da unidade até que os fatos fossem apurados pela Polícia Civil. A Administração também se colocou à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades e colaborar com as apurações.