Os dois homens beberam em um estabelecimento de graça se passando por policiais civis (Reprodução) Entre as vítimas de um policial militar e um empresário, que estão sendo investigados por se passarem por policiais civis, está um mecânico e dono de bar de 44 anos. Ele alega ter sido torturado, agredido e ameaçado pela dupla, em busca de informações sobre crime ocorrido em Itanhaém, cidade do litoral de São Paulo. Uma testemunha presenciou a ação. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência que narra que a vítima sofreu um acidente no trabalho um dia antes do ocorrido e, por isso, teve queimaduras leves no braço direito e no rosto, o que deixou a pele sensível e avermelhada. O dono de bar abriu o estabelecimento e atendeu o policial militar e o empresário na madrugada de 19 de outubro deste ano. No local, estavam sua esposa e parentes, além de um colega de trabalho e dois clientes. Os dois homens desconhecidos desceram de um carro e estavam com distintivos no pescoço, mas não mostraram qualquer documentação que comprovasse que eram policiais civis. A dupla perguntou quem era o responsável pelo bar e pediu que ali ficassem somente a vítima e sua companheira, bem como sua cunhada, pois ela estava com um bebê no colo. Depois disso, os homens começaram a agir de forma agressiva, disseram que eram policiais civis e passaram a questionar sobre uma televisão. Na sequência, um deles mandou que a testemunha o acompanhasse e perguntou, em reservado, sobre a TV que tinha sido furtada. Mesmo com ela dizendo que não sabia de nada, um dos supostos policiais rebateu que a tevê deveria ser devolvida. Enquanto isso, a vítima era ameaçada e o outro suposto policial civil comentou que seu televisor e umas torneiras tinham sido levadas e que o homem deveria dar conta daquilo. Mesmo negando tudo, o dono do bar levou um tapa na cara, que fez seu rosto sangrar e, enquanto tentava explicar que não sabia de nada, um dos ditos agentes mostrou a arma, engatilhando a pistola e dando coronhadas no rosto da vítima, que já estava sensibilizado pelas queimaduras. E quanto mais a mulher pedia para parar, mais intensa as agressões ficavam e, segundo a vítima, o suposto policial ameaçava atirar. Essa ação teria durado entre 40 e 60 minutos e, antes de ir embora, os dois reiteraram as ameaças. Por isso, a vítima teve que sair da cidade por dias. Um vizinho ainda lhe comunicou que os dois teriam retornado ao bar e dado tiros para cima. Em conversa com amigos, o mecânico e proprietário do estabelecimento disse que outras pessoas também tinham sido vítimas do mesmo tipo de ação dos dois homens. Investigação O policial militar, de 31 anos, e o empresário, de 42, são investigados por ameaçar e torturar pessoas enquanto se passavam por policiais civis. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas casas dos dois em Suzano, no interior de São Paulo, na última quarta-feira (30). Conforme apurado por A Tribuna, os alvos da investigação são um policial militar com 11 anos de carreira e um empresário com registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Os dois são moradores de Suzano, no Alto Tietê, região metropolitana de São Paulo. Policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itanhaém deram cumprimento ao mandado de busca e apreensão. A investigação apontou que os dois homens teriam se passado por policiais civis entre os dias 18 e 19 de outubro deste ano. Na ocasião, eles teriam cometido crimes de tortura, lesão, ameaça e disparo de arma de fogo. Além disso, os investigadores também descobriram que o empresário é corretor de imóveis e tem uma casa de veraneio no bairro Gaivotas, em Itanhaém. Informalmente, o PM teria confessado aos investigadores que havia agredido a vítima em Itanhaém. Segundo apurado, os dois homens fizeram isso para tentar solucionar um suposto furto ocorrido na casa do que possui o CAC. Por isso, passaram a agredir, espancar e ameaçar moradores da região para terem informações. Há relatos, inclusive, de que os investigados deram tiros para cima, como forma de reforçar as intimidações. Além disso, passaram a entrar em estabelecimentos comerciais, consumindo bebidas e saindo sem pagar, alegando que eram policiais civis. Foram realizadas buscas em seis locais, sendo apreendidos uma pistola Glock cal. 380 e 76 munições, um revólver Taurus Cal. 38, com cinco munições íntegras, e uma munição de calibre .40. Além do revólver, na casa do policial militar também foram encontradas quatro porções de cocaína. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito alegou que a droga era para uso pessoal.