Marcio Serapião de Oliveira, Fernando Alberto Teixeira e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira (da esquerda para a direita) estão entre os denunciados pelo MP-SP nesta quinta-feira (19) (Reprodução) O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou nesta quinta-feira (19) mais quatro pessoas por envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes. O crime ocorreu em setembro de 2025, em Praia Grande, no litoral paulista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o MP-SP, as investigações da Polícia Civil apontam que os denunciados participaram diretamente do planejamento e da execução do homicídio. À época, Fontes ocupava o cargo de secretário de Administração do município. De acordo com a apuração, o assassinato teria sido encomendado pelo alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC), como retaliação à atuação do ex-delegado contra a facção. Ele comandou a Polícia Civil entre 2019 e 2022 e teve papel de destaque no combate ao crime organizado no estado. Entre os novos denunciados estão Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como “Velhote” ou “MC”; Fernando Alberto Teixeira, o “Azul” ou “Careca”; Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, chamado de “Manezinho”; e Robson Roque Silva de Sousa. Conforme o Ministério Público, os três primeiros já foram presos durante as investigações, enquanto Robson segue foragido. Eles podem responder por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, favorecimento pessoal e participação em organização criminosa armada. Segunda denúncia no caso Esta é a segunda denúncia apresentada pelo MP-SP. Em novembro do ano passado, outras oito pessoas já haviam sido formalmente acusadas de envolvimento no crime. Entre elas está Felipe Avelino da Silva, o “Mascherano”, apontado como responsável pelo furto do veículo utilizado na ação, além da adulteração de placas e ocultação do automóvel. Impressões digitais dele foram encontradas no carro. Flávio Henrique Ferreira de Souza também teria participado da ação envolvendo o veículo e segue foragido. Já Luiz Antonio Rodrigues de Miranda é investigado por atuar no planejamento, fornecer imóveis de apoio e colaborar na ocultação das armas, ele também não foi localizado. Outro denunciado, Dahesly Oliveira Pires, é suspeito de transportar e esconder um fuzil, além de munições e carregadores, no dia seguinte ao crime, dando suporte aos executores. Willian Silva Marques teria cedido a própria residência, em Praia Grande, como esconderijo e depósito de armamento. Paulo Henrique Caetano de Sales, preso, teria participado da logística da ação. Cristiano Alves da Silva é apontado como participante tanto da execução quanto do suporte ao crime e segue detido. Já Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, conhecido como “Fiel” ou “Penélope”, é indicado como o principal articulador do assassinato. Segundo as investigações, ele exercia a função de “disciplina” do PCC na região do Grajaú, sendo responsável pelo recrutamento dos envolvidos e pela definição dos executores. Conversas interceptadas indicam ainda que ele planejava uma possível fuga para o exterior. Emboscada e execução Ruy Ferraz Fontes foi morto no dia 15 de setembro de 2025, após ser alvo de uma emboscada ao sair da Prefeitura de Praia Grande. De acordo com o MP-SP, os criminosos utilizaram armas de uso restrito, incluindo fuzis, e dispararam diversas vezes contra a vítima. Duas outras pessoas também ficaram feridas durante o ataque. Após o crime, um dos veículos usados foi incendiado, e os suspeitos fugiram. A investigação aponta que o grupo utilizou carros furtados, imóveis de apoio na Baixada Santista e até aplicativos de transporte para viabilizar a execução. O planejamento do homicídio teria começado meses antes, em março de 2025, com a preparação logística e definição dos envolvidos. Um dos suspeitos identificados morreu durante as investigações, após resistir à prisão. O caso segue em andamento.