Manuela Xavier dos Santos que teria sequestrado o filho em 23 de abril, teve o pedido de prisão revogado pela Justiça (Arquivo Pessoal e Reprodução) A mãe que sequestrou o filho de 5 anos em Santos teve o pedido de prisão temporária revogado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Por conta disso, ela não é mais considerada foragida. As duas tias paternas, que haviam sido presas por ajudarem no sequestro, também foram soltas pela Justiça. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Manuela Xavier dos Santos pegou o filho à força e colocou dentro de um carro no dia 23 de abril em Santos. A mulher aproveitou o momento em que o menino estava sendo levado para a escola, pela avó paterna, para sequestrá-lo. O menino de 5 anos foi entregue pela avó materna no Fórum de Santos na tarde desta sexta-feira (7). Sequestro O caso aconteceu por volta das 8 horas na Rua Dona Amélia Leuchtemberg, no bairro Ponta da Praia. O momento foi registrado por um sistema de monitoramento. O vídeo mostra a criança sendo levada pela mãe, Manuela, à força e a avó paterna tentando impedir que o menino fosse arrastado para dentro do carro. Prisão revogada e defesa da mãe O TJ-SP cumpriu o pedido da defesa da mãe e revogou a prisão temporária dela. A advogada de defesa na área criminal de Manuela, Mariana Oliviera, informou que após a apreciação do pedido de revogação da prisão foi expedido um contramandado a favor da sua cliente. “Em nossa solicitação, argumentamos que não havia requisitos suficientes para a manutenção da prisão temporária, e essa posição foi acolhida pelas autoridades competentes”, explica a advogada de defesa. Ela acrescenta que a mãe se apresentará em momento oportuno e que está disposta a colaborar plenamente com todo o processo investigativo. A advogada ressalta ainda que não houve crime de sequestro e cárcere privado envolvendo o filho de Manuela. A revogação pode ocorrer quando não há mais motivos para a manutenção da prisão ou quando são demonstradas alterações nas circunstâncias do caso. Tal determinação também pode acontecer quando o réu não oferece mais risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Ainda segundo Mariana, ela e a cliente estão confiantes de que ao longo das investigações "a verdade prevalecerá e a inocência da mãe será comprovada". Do ponto de vista do processo da família, a advogada de defesa na área cível, Natalia Bezan, diz que foi realizado um pedido de modificação de guarda antes da entrega do menor, que foi negado. Por conta disso, a defesa recorrerá quanto ao pedido de liminar indeferido. "Em paralelo, agora que a mãe entregou o menor de forma espontânea, apesar de saber que o filho não queria ficar com o pai e a avó paterna, fizemos pedido urgente de regulamentação da visitação, pedindo para que seja dentro do fórum até finalização do processo, para evitar que o pai e a avó paterna continuem privando o menor de ver a mãe, para que assim mãe e filho não fiquem mais afastados, o que vem causando grande sofrimento a ambos", explica Natalia. Defesa do pai A advogada de defesa do pai, Talita Alambert, diz que a revogação do mandado de prisão temporária da mãe e a expedição dos alvarás de soltura das tias já estavam previstas. Segundo ela, não foi nenhuma novidade para a defesa, tendo em vista que a guarda do menor foi restaurada. “Porém, caso a genitora continue ameaçando e importunando meus clientes, entrarei com pedido de medidas cautelares”, explica a advogada. No processo que tramita na vara de família, ela observa que o pai segue em busca da guarda definitiva. Mãe acusa pai de agressão Em entrevista exclusiva para A Tribuna, a mãe alegou que era proibida de ver o menino e que sofreu agressão do pai. Ela relatou na reportagem que vivia “situações de desespero” ao não poder ver filho. “Minha revolta era de que ele não me deixava ver o garoto. Às vezes que ele diz que tentei pegar o Lorenzo, são mentiras. No judô, na porta da escola... É um absurdo isso”, reclamou. Manuela disse também que foi agredida pelo pai de Lorenzo na Sexta-Feira Santa, dia 29 de março. “Fui entregar uma cesta de Páscoa para o menino, e ele o arrancou dos meus braços e me xingou. Quando xinguei de fora, ele falou 'agora, você não entrega mais (a cesta). Eu agachada, e ele arrastou o menino, que chorava por mim, com tudo'”. Tias envolvidas Duas mulheres, de 44 e 49 anos, foram presas no dia 28 de maio por envolvimento na subtração da criança de 5 anos, em Santos. Elas são irmãs do pai do menino, o santista Eduardo Cassiano. Além disso, dois homens que teriam ajudado no sequestro respondem em liberdade.