Caso foi registrado na Delegacia de Peruíbe (Divulgação/Polícia Civil) A mãe e o padrasto de uma bebê de dois anos foram presos em flagrante por maus tratos após levarem a criança já morta para o pronto-socorro de Itariri, no Vale do Ribeira. Segundo o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, a menina estava muito magra e apresentava diversos ferimentos na região sacral — logo acima do cóccix —, um hematoma na face, além de cortes e escoriações pelo corpo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu na tarde do último sábado (31). O médico responsável pelo atendimento da bebê desconfiou dos ferimentos que a criança apresentava e acionou a Polícia Militar (PM). A menina de 2 anos foi levada enrolada em um cobertor pela mãe, uma mulher de 26 anos. Ela e o marido vieram do Pernambuco para trabalhar como caseiros em um sítio no bairro Ana Dias, em Itariri. A mãe da menina justificou o hematoma no rosto da filha explicando que teria colocado a criança no banheiro para usar o vaso sanitário e, ao retornar, encontrou a criança caída no chão. A mulher de 20 anos está grávida e passou um tempo em observação no PS de Itariri após saber do falecimento da bebê. O padrasto da menina foi conduzido ao plantão policial após saber do falecimento da enteada. Em depoimento, ele disse que, ao chegar em casa, viu a criança no chão do quarto com a mãe, que chorava muito. Os policiais que vistoriaram a casa não encontraram vestígios de sangue ou violência no imóvel, mas observaram que o banheiro havia sido lavado recentemente. Criança era deixada sozinha A mãe admitiu aos policiais que deixava a filha sozinha com certa frequência. Segundo ela, a menina costumava ficar quieta na cama, mas eventualmente ia sozinha ao banheiro e sofria quedas acidentais. No sábado, ela relatou que estava cuidado de um canil quando o marido a avisou que a filha estava caída no chão com o rosto lesionado. Ela afirmou ter voltado correndo para casa, onde encontrou a menina deitada na cama, com a respiração fraca e inconscientes. A mulher afirmou ter feito massagens no peito da criança e também ter colocado a bebê no chuveiro para tentar reanimá-la, mas nada adiantava. Foi quando chamou o marido. O padrasto pediu ajuda de vizinhos, que levaram mãe e criança para o pronto-socorro. O homem justificou não ter ido junto ao hospital para cuidar dos cães do patrão. Além disso, a mãe também admitiu que dava palmadas e chineladas na criança. Ela afirmou que dava palmadas na boca da filha, pois ela tinha o hábito de ficar mordendo os dedos. Segundo a mulher, o marido nunca agrediu a criança e apenas a advertia verbalmente quando a menina era desobediente. A mãe ainda justificou a magreza da filha como “falta de apetite” por parte da criança. No boletim de ocorrência, consta que ela entende que o tratamento dado a filha por ela e pelo marido pode ter contribuído para a morte da criança, mas “que não acreditava que as agressões e o hábito de deixar a criança sozinha pudessem ocasionar a morte dela”. Depoimento dos vizinhos Os vizinhos que levaram mãe e filha até o PS informaram a polícia que o casal é recém-chegado a região, sendo aquela a primeira vez que tiveram algum contato. Um dos moradores relataram ter ouvido a mulher chamar pelo marido e, logo após, o padrasto o procurou para pedir socorro para a enteada que havia caído e desmaiado. Como o carro do morador era pequeno, ele acionou outro vizinho, que possui uma caminhonete, para levar a família até o hospital. O padrasto, no entanto, não quis ir com a mulher e a enteada. Os dois vizinhos que auxiliaram no socorro à vítima informaram a polícia que notaram o hematoma no rosto da criança. Um deles notou que a mãe estava “toda molhada”. O primeiro vizinho acionado ficou com o padrasto no sítio e relatou que o homem ficou afastado, perto de uma mata, “como quem estivesse se escondendo”. Cerca de 15 minutos depois, a esposa dele ligou para pedir que ele fosse ao pronto-socorro. O homem levou o padrasto até o PS e relatou que, durante o caminho, ele falava que não tinha culpa de nada e achava que poderia ser preso. O médico responsável pelo atendimento da bebê ainda não foi ouvido pela Polícia Civil. Quando os policiais foram até o pronto-socorro, foram informados que o plantão do profissional havia terminado. Ele deve prestar depoimento nos próximos dias. O caso foi registrado como maus-tratos qualificado pelo resultado de morte na Delegacia de Peruíbe.