Vítima salvou parte da conversa com falsa agenciadora. O restante foi apagado e o contato foi bloqueado (Reprodução) Uma auxiliar de serviços gerais, moradora de São Vicente, no Litoral de São Paulo, caiu em um golpe aplicado por uma falsa agência de modelos infanto-juvenil, com sede em São Paulo. Mãe de três filhos, a vítima acreditou que poderia ser uma oportunidade para o filho caçula, de 9 anos, e de obter uma renda extra para a família de cinco pessoas que sobrevive com R\$ 3.200,00 por mês, na Área Continental. Ela levou um prejuízo de R\$ 800,00. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A auxiliar de serviços gerais, que pediu sigilo sobre a sua identidade por medo de represália, e que será chamada de “Maria”, contou que foi contatada por uma falsa agenciadora por meio de um aplicativo de mensagens, no último dia 17 de maio. “Uma mulher, que se identificou como sendo da Lovatelly Assessoria, me mandou mensagem dizendo que tinha me achado nas redes sociais. Eu achei que, por eu ter Facebook, eles teriam visto alguma foto do meu filho, e eu achei que era uma empresa do tipo caça-talentos. Ela teve acesso ao número do meu telefone na rede social”. A vítima disse que a conversa foi convincente e ela se sentiu segura para fechar negócio. “Ela me passou muita confiança, disse que o meu filho tinha sido selecionado para fazer trabalhos de publicidade e eventos para algumas marcas, mas que precisaria ir até a agência para tirar algumas fotos e participar de um teste juntamente com outras crianças. Ele teria que passar no teste para começar a fazer trabalhos. Eu disse que não tinha dinheiro para fazer álbum de fotos e nem agenciamento e ela me disse que eu não gastaria nada, só a despesa da condução até o Tatuapé, em São Paulo, onde ficava a agência. Então, eu aceitei”. No dia seguinte, sábado (18), “Maria” subiu a serra levando o filho caçula para preencher o cadastro no escritório da suposta agência de modelos e assinar o contrato. A partir daí, as contradições começaram. “Chegando lá, no Tatuapé, me falaram que o contrato de agenciamento era no valor de R\$ 5.500,00 e, antes mesmo do meu filho fazer o teste, já tinha três trabalhos arranjados, com três marcas diferentes, duas de roupas e uma ótica. Eles me convenceram a dar uma entrada de R\$ 1 mil, então eu passei R\$ 800 no meu cartão de débito e assinei uma nota promissória de R\$ 200. O cachê dos trabalhos era de R\$ 4.500,00, que seriam descontados para o pagamento do agenciamento, ou seja, meu filho não receberia nada nessa primeira etapa”. “Maria” disse que a agenciadora apresentou a ela as datas dos trabalhos e os nomes das supostas marcas. “Ela disse que meu filho tinha trabalhos agendados para o dia 25/05, às 15h, 01/06, às 15h30, e 08/06, às 14 horas”. A faxineira começou a desconfiar de que havia caído em um golpe na terça-feira, dia 21 de maio, quando viu que a foto da logomarca tinha desaparecido do contato no aplicativo de mensagens. “O logo desapareceu, eu mandei mensagens, tentei ligar naquele número e não consegui. Então, printei o que eu consegui da conversa, porque o resto foi apagado”, relatou. “Maria”, então, decidiu ir à agência bancária contestar o valor debitado. “Eu fui até a agência para fazer a contestação, que levaria até três dias úteis, mas o gerente me disse que eu havia caído em um golpe de estelionato e que, como eu consenti com o pagamento, nada poderia ser feito para eu recuperar esse valor. A minha contestação foi negada pelo banco”, contou. Orientada na própria agência bancária, a auxiliar de serviços gerais foi até o 3º Distrito Policial (DP) de São Vicente e registrou o boletim de ocorrência contra a agência Lovatelly Assessoria, que foi encaminhado para a 52ª Delegacia do Parque São Jorge, próximo ao bairro Tatuapé, onde seria mais fácil prosseguir com a investigação. “Mesmo se o meu dinheiro não voltar, o que eu puder fazer para colocar essas pessoas na cadeia, eu vou fazer”, afirmou a auxiliar. Como se proteger de golpes No intuito de alertar sobre os cuidados necessários para se proteger contra golpes de falsas agências de modelos, a Reportagem consultou uma representante de uma agência de atores infantis e adultos idônea. Segundo a booker Lígia Rodrigues, que cuida de testes e contratos, primeiramente “é fundamental checar se a empresa tem CNPJ, em seguida fazer uma pesquisa no Google e redes sociais, buscando comentários de clientes. Os perfis da empresa nas redes sociais precisam ter trabalhos realizados. Além disso, o cliente deve consultar sites de reclamações como o Reclame Aqui”. “A verdade é uma só: nenhuma agência pode prometer trabalho nenhum, quem escolhe é o cliente. É cobrado para entrar na agência e participar da lista de testes, mas nenhum teste é cobrado. Como tudo é feito online atualmente, precisa analisar o que a agência está oferecendo. Por isso, quando é por indicação, é mais confiável, você se sente mais confortável”, explicou Lígia. A booker comentou ainda que promove “diversas palestras e lives para orientar as mães a não caírem em golpes de falsas agências. A função da agência é encaminhar para testes e não prometer nada”. “O primeiro contato que eu faço é pelo direct do modelo, para fazer uma pré-seleção. Depois, entro em contato pelo WhatsApp ou porque a pessoa entrou no site ou a mãe indicou a agência ou passou o contato”, finalizou. Check list para não cair em golpes: Checar se a agência tem CNPJ; Pesquisar o site da empresa na internet; Pesquisar comentários de clientes em sites de reclamações; Verificar se as redes sociais de empresa têm trabalhos realizados e posts com curtidas e comentários abertos; Procurar agências sempre por indicação.