Médico tem Porsche apreendido e é levado algemado para delegacia em Santos: 'Tá com inveja?'

Carro de luxo, avaliado em até R$ 769 mil, estava sem placas. Confusão ocorreu na tarde de domingo (27), no Gonzaga

O oftalmologista Alessandro Perussi Garcia, de 45 anos, foi algemado por policiais militares e conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ), às 16h40 de domingo (27), no Gonzaga, em Santos. Segundo os agentes públicos, após ter o seu automóvel Porsche 911 Carrera, ano 2020, apreendido, o médico os ameaçou dizendo: “Vocês não sabem com quem estão mexendo. Eu vou detonar com a vida de vocês”. Porém, o advogado Ricardo Duran contesta esta versão e afirma que o seu cliente foi agredido pelos PMs.

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Disponível em seis versões que variam de R$ 519 mil a R$ 769 mil, o carro importado de luxo trafegava pela Rua Dr. Tolentino Filgueiras. Os PMs solicitaram a sua parada durante fiscalização de trânsito, porque ele estava sem as placas. De acordo com os policiais, o oftalmologista alegou que comprou recentemente o veículo e ainda não o emplacou, porque alguns serviços do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) estariam prejudicados devido à pandemia do novo coronavírus.

Os policiais, então, disseram que realizariam consultas ao sistema para verificar se consta emplacamento cadastrado ao Porsche Carrera. Ainda conforme os agentes, caso fosse confirmada a existência de placa, eles adotariam as providências administrativas cabíveis, como aplicação de multas e apreensão do automóvel. Neste momento, Alessandro contou que as placas estavam no porta-luvas, justificando não existir suporte para a afixação das peças no para-choque.

Porsche foi apreendido na Rua Tolentino Filgueiras, no domingo, em Santos (Foto: AT)

O documento do veículo sugere que ele foi adquirido em junho, tendo havido tempo hábil para a colocação das placas, conforme os policiais. Quando o carro estava sobre o guincho, ainda conforme os PMs, o médico declarou: “Tá feliz? Tá feliz porque tá guinchando meu carro? Tá com inveja, né? Você nunca vai ter um carro desse”. Em seguida, se valendo de suposta influência, o oftalmologista teria ameaçado prejudicar os policiais, recebendo voz de prisão e sendo colocado algemado na viatura.

O delegado Otávio Augusto C. R. Carvalho tomou os depoimentos dos envolvidos, mas deixou de elaborar termo circunstanciado (TC) porque ainda há testemunhas a serem ouvidas. Preliminarmente, foi registrado boletim de ocorrência de “desobediência” e “lesão corporal”. Um policial relatou que precisou se valer de “força física moderada” para conter o médico com o apoio de uma colega de farda. Segundo os PMs, Alessandro se jogou no compartimento de presos da viatura para “simular” lesões.

O oftamologista teve o braço enfaixado e precisou passar por atendimento em um hospital (Foto: AT)

'Truculência'

De acordo com Duran, a questão administrativa do carro será discutida no foro competente, mas adiantou que o cliente está tranquilo, porque a documentação do Porsche se encontra “em ordem”. Segundo o advogado, o mais grave é a “forma truculenta” da abordagem ao médico. “Antes mesmo dele sair do veículo, o PM lhe disse que o guincharia. Em seguida, ocorreu uma sucessão de abusos e agressividade por parte do policial, que foi rechaçada por vários populares”.

A manifestação destas pessoas, de acordo com Duran, deixou o policial irritado, motivando-o a pegar o próprio celular para filmar o Porsche sendo guinchado. Ainda conforme o advogado, o PM gravou a si mesmo dizendo: “Você está me chamando de bosta, está dizendo que PM não ganha porra nenhuma, que eu não tenho condição de ter um carro igual a esse”. Amedrontado com a falsa prova que o agente produzia, o médico afirmou que chamaria o seu advogado porque acontecia um abuso de autoridade.

“Quem chama advogado para polícia é ladrão”, teria retrucado o policial. Em seguida, Duran declarou que o PM algemou o médico e o “arremessou violenta e desnecessariamente” para dentro do compartimento traseiro da viatura. Alessandro sofreu lesões no joelho e ombro, sendo medicado e enfaixada no hospital. “Há testemunhas e imagens gravadas dos fatos. Todas as medidas judiciais e administrativas estão sendo adotadas para a responsabilização do agressor”, concluiu o advogado.

Advogado Ricardo Duran representa o oftamologista (Foto: Divulgação)
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