Mais de mil agentes foram às ruas para a Operação Salus et Dignitas (Divulgação/ Estado de São Paulo) Apontado como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuava na Cracolândia do Centro de São Paulo, Leonardo Monteiro Moja, o Leo do Moinho, foi preso na manhã desta terça-feira (6) em Praia Grande. A prisão aconteceu durante a megaoperação Salus et Dignitas. Essa é a terceira vez que Moja é preso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Praia Grande, todos relacionados a Leonardo Moja e parte da Operação Salus et Dignitas (que significa, no latim, saúde e dignidade). O acusado foi preso no apartamento em que morava com a esposa e as filhas na Rua Laercio Corte, no bairro Vila Caiçara. No local, foram encontrados cerca de R\$ 26 mil em dinheiro, celulares, notebook e documentação. Segundo as investigações, Moja é um dos chefes do esquema criminoso do Primeiro Comando da Capital (PCC) e voltou a comandar a área da Cracolândia do Centro de SP mesmo após prisões anteriores. Leo do Moinho foi capturado no dia 24 de novembro de 2021 pelos policiais da 1ª Delegacia da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos. Ele foi detido em uma cobertura de luxo no bairro Canto do Forte, também em Praia Grande. Em maio de 2017, Léo do Moinho também já havia sido preso. De acordo com o Governo do Estado, Moja estava em liberdade condicional e é apontado como dono de hotéis e estabelecimentos comerciais da região central da Capital, porém esses negócios foram registrados em nome de laranjas. Tais comércios eram considerados pontos de tráfico de drogas. Operação paulista Desde as primeiras horas desta terça-feira (6), o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) divulgou que agentes estão nas ruas para dar cumprimento a sete mandados de prisão, 117 de busca e apreensão, 46 de arresto, sequestro e bloqueio de bens e 44 de interdição de imóveis. Outras três pessoas foram presas em flagrante e mais duas apreendidas para averiguação. Mais de 50 locais já foram patrulhados e foram apreendidos 65 celulares, cinco computadores, HDs, UBS e 40 veículos. A megaoperação conta com mais de 1,2 mil policiais militares e civis, 327 viaturas e 30 cães farejadores nas ruas. Segundo o Governo Estadual, a ação é resultado de mais de um ano de trabalho de inteligência e investigação. Ainda conforme o Estado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, sobrevoaram a região para acompanhar o trabalho das forças de segurança. A ação é uma parceria do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual e da Prefeitura de São Paulo. A operação foi deflagrada pelo MP-SP, pelo Governo do Estado, pela Polícia Militar, pela Polícia Civil, pela Polícia Rodoviária Federal, pela Polícia Federal, pela Receita Federal e pelo Ministério Público do Trabalho. Chamando a Operação Salus et Dignitas de um ‘golpe contundente’ contra a criminalidade organizada que transformou a região central da Capital em um ecossistema de atividades ilícitas controlado pelo PCC, o MP ressaltou que os grupos criminosos atuavam pela violação sistemática dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade. "O tráfico de entorpecente é apenas uma das atividades dentro do repertório criminoso dessa região, que envolve profusas atividades ilícitas, como o comércio ilegal e receptação de peças veiculares, armas e celulares; contaminação do solo com a reciclagem e ferro-velho; exploração da prostituição; captação ilegal de radiotransmissores da polícia; submissão de pessoas a trabalho análogo à escravidão, entre outras graves violações dos direitos humanos", sustentam os promotores do Gaeco nos pedidos deferidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. A reportagem de A Tribuna procurou a defesa de Leonardo Moja para um posicionamento sobre a prisão, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria.