Homicídio é investigado pela Delegacia Sede de Guarujá (Daniel Gois/AT) Uma discussão em uma festa que acontecia dentro de uma casa em Guarujá, cidade do litoral de São Paulo, terminou com Ederson Tavares, de 34 anos, baleado e morto na noite de sábado (7). A morte aconteceu após a vítima ser convidada a se retirar festa por um policial militar à paisana de 24 anos, que trabalhava na segurança do evento. A Polícia Civil investiga o caso e busca esclarecer a autoria dos disparos, bem como a motivação do crime. Em nota, a Polícia Militar (PM) informou que uma viatura que realizava patrulhamento próximo ao local do crime ouviu os disparos e, de imediato, se dirigiu à Avenida Pernambuco, onde encontraram Ederson caído no chão. A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com a Prefeitura de Guarujá, o Samu constatou a morte de Ederson no local, por ferimentos de arma de fogo. Na cena do crime, os PMs que atenderam a ocorrência ouviram testemunhas, as quais foram encaminhadas à Delegacia Sede de Guarujá, onde prestaram depoimento à Polícia Civil. Versões A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência do caso, que traz as versões dos PMs que atenderam a ocorrência, além de depoimentos das seguintes testemunhas: do organizador do evento; da mulher que convidou a vítima para a festa; da namorada de Ederson, que estava com ele na casa; de dois seguranças do evento; de outra mulher que presenciou o começo da discussão e do policial à paisana envolvido na desavença. As versões não deixam claro o motivo da discussão, tampouco a autoria dos disparos. Segundo os PMs que testemunharam, a equipe atendia outra ocorrência na Avenida Cruzeiro do Sul, quando ouviram três disparos, uma pausa, e outra sequência de tiros. Em seguida, eles foram ao local e encontraram Ederson no chão. O organizador da festa, de 42 anos, também depôs. Ele disse à Polícia Civil que não conhecia a vítima, contudo, teria recebido informações de que Ederson teria exibido uma arma de fogo para um convidado, embora não tivesse visto o ocorrido. O organizador, então, pediu ao PM à paisana que fazia a segurança do evento para que retirasse a vítima da festa com cautela, sem ser ríspido. Já a mulher que convidou Ederson à festa, de 23 anos, relatou que a vítima havia a procurado na festa, dizendo que havia sido convidado a se retirar. Quando ele se aproximou dela, um segurança o retirou. A mulher disse, ainda, que não presenciou a discussão. Outra testemunha, uma mulher de 24 anos, declarou que presenciou o início da discussão entre Ederson e o policial à paisana, mas não soube dizer o motivo. Ela afirmou à Polícia Civil que viu o PM pedindo para que a vítima deixasse o local por diversas vezes. Ederson, contudo, se negou a sair, o que motivou o segurança a avisar o dono da festa. Em seguida, houve uma nova discussão, na qual Ederson teria apontado uma arma de fogo para o policial à paisana. Após isso, a mulher disse que não viu mais nada, pois o PM que fazia a segurança da festa pediu para que ela se retirasse do local. Ainda segundo o depoimento, a testemunha ouviu disparos minutos depois. Dois homens que também trabalhavam como seguranças, de 29 e 40 anos, depuseram. O homem de 29 anos disse que trabalhava na portaria da festa. Ele contou que havia muitas pessoas reclamando da postura de Ederson, que teria assediado mulheres acompanhadas, ação que não foi vista por ele. O funcionário disse que não participou diretamente da retirada da vítima, mas que ela estava alterada nesse momento. Tanto ele quanto o homem de 40 anos disseram não ter visto o que aconteceu do lado de fora da casa. Namorada negou que vítima estava armada A namorada de Ederson, de 24 anos, o acompanhava na festa e negou que ele estivesse armado. Segundo o depoimento dela, que tinha um relacionamento de dois anos com a vítima, o segurança abordou seu namorado para retirá-lo da casa. Ela, que afirmou ter ficado próxima dele na maior parte da festa, disse não ter visto nenhuma discussão entre ele e o PM à paisana. No momento da abordagem, ela questionou o segurança, que teria respondido de forma ríspida. Em seguida, ele teria dito que apenas seguia ordens do dono da festa. Ainda conforme o depoimento da namorada, Ederson teria dito ao segurança que precisava esperar um carro de aplicativo dentro da casa, contudo, o PM à paisana insistiu que ele esperasse do lado de fora. Após isso, ele foi tirado da casa, que teve o portão trancado. A mulher acrescentou que não presenciou os disparos. A namorada também disse à Polícia Civil não saber se Ederson conhecia pessoalmente o segurança nem o motivo da morte. Ela também afirmou que seu namorado não tinha problemas com ninguém que estava na festa. Policial negou autoria dos disparos A Polícia Civil ouviu o policial militar à paisana que fazia a segurança do evento. O agente revelou que o dono da festa havia o acionado, dizendo que Ederson estaria incomodando outros frequentadores, com suspeita de que poderia estar com drogas. O segurança, então, afirmou em seu depoimento que acompanhou a vítima até o lado de fora da casa e que, embora não o tivesse revistado, Ederson não havia mostrado nenhuma arma. Segundo o PM, ambos ficaram do lado de fora da casa. Na esquina, havia uma moto estacionada com duas pessoas. O garupa desembarcou e, sem retirar o capacete, foi na direção deles. Com medo de ser roubado, o segurança disse que ficou atrás de uma árvore, observando. Ao se aproximar, o garupa teria sacado uma pistola e disparado contra Ederson. O PM, então, sacou sua arma e se posicionou para atirar contra o suspeito misterioso. No entanto, ele disse que não disparou contra o garupa porque havia muitos carros passando naquele momento, e ele não tinha visibilidade para atirar. Investigações Para esclarecer o ocorrido, a Polícia Civil abriu investigações do caso, registrado como homicídio na Delegacia Sede de Guarujá. Segundo o boletim de ocorrência, o Instituto de Criminalística (IC) foi acionado para a realização de exame residuográfico no PM à paisana, o qual pode indicar uso recente de arma de fogo pela pessoa examinada. Além disso, segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), foi requisitada perícia no local. A arma do agente também será periciada. A Tribuna questionou a PM sobre a possível abertura de inquérito para investigar a conduta do agente à paisana. No entanto, até a publicação desta reportagem, não houve resposta.