Mãe de criança (ao centro, em pé) confrontou homem em situação de rua (deitado, à esquerda) após ele puxar o cabelo de sua filha, de 6 anos (Reprodução/ Marcelo Ricky) Uma confusão se formou no Centro de São Vicente nesta segunda-feira (22) após um homem em situação de rua puxar o cabelo de uma menina de 6 anos de idade.No momento em que foi atacada, a criança passava pela Rua Tibiriçá, próximo à esquina com a Rua Jacob Emmerich. Ela estava com a mãe, que não se conteve e chegou a agredir o homem. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a mãe, a autônoma Natasha Lucinaro, de 25 anos, ela e a filha caminhavam pela calçada por volta das 15h quando sentiu a criança sendo puxada. Ao olhar para trás, viu o homem segurando um tufo de cabelos, enquanto a garota colocava a mão na cabeça . À reportagem de A Tribuna, Natasha disse que, ao perceber o que tinha acontecido, foi tomada pela “raiva de mãe” e não conseguiu se conter. “Comecei a bater nele, joguei suco na cara dele. Bati nele, mas voltei à consciência”. Imagens obtidas pela reportagem de A Tribuna mostram a autônoma transtornada confrontando o homem, que aparece deitado sobre um canteiro que fica na lateral da calçada, próximo a um supermercado. (Veja vídeo mais abaixo) Em seguida, ela liga para o marido, que almoçava em um shopping próximo, e para a mãe, que também vive nas proximidades do local do ocorrido. Os dois foram rapidamente encontrar a mulher. Outros moradores também se aproximaram da confusão, mas, conforme a autônoma, ninguém além dela agrediu o homem. A Polícia Militar (PM) foi acionada. Em nota, a corporação afirmou que, ao chegar, viu o homem em situação de rua sendo atendido pela equipe da assistência social da Prefeitura de São Vicente, a qual havia solicitado o socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Aos PMs, um dos servidores disse que o homem em situação de rua apresentava transtorno mental e já era conhecido pelos assistentes sociais. -Veja o vídeo (1.427787) Insegurança Por essa razão e pelo fato de o homem não portar documentos, Natasha não fez um boletim de ocorrência. De acordo com ela, policiais militares disseram que, naquela situação, nada poderia ser feito. “A polícia chegou e disse ‘não tem como levar ele para a delegacia. Olha o estado que ele está, não tem documentos, Vai chegar lá (na delegacia) e o delegado vai liberar ele’”, conta a mãe, afirmando que tais frases foram ditas pelos agentes que atenderam a ocorrência. “Comecei a passar mais mal porque vi que aquilo ia ficar impune. Foi uma situação desesperadora, de verdade”, acrescentou a autônoma, que vive em São Paulo e, no dia, visitava a filha, que mora com a avó materna no Centro de São Vicente. De acordo com ela, o episódio aumentou a sensação de insegurança na família, já que a região central da cidade conta com uma presença significativa de pessoas em situação de rua. “Minha mãe ficou até receosa de levar a minha filha para o balé, que fica ali perto. E se isso acontecer de novo?” Reincidente A respeito do homem que puxou o cabelo de sua filha, Natasha disse para A Tribuna que, durante a confusão, ouviu de moradores que ele costumava vagar pelo Centro da cidade e que não era a primeira vez que atacava pessoas. “O pessoal que estava ali comentou que ele já fez isso com outras pessoas, que ele fica mostrando o dedo do meio, que agride outras pessoas no Centro, e que todos evitam passar perto dele”, diz. A Prefeitura de São Vicente, em nota, informou que conta com equipes de abordagem social 24 horas, as quais oferecem “apoio e acolhimento às pessoas em situação de rua em abrigos da cidade, como também realizam encaminhamento aos equipamentos públicos de saúde, como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps)”. A Administração Municipal ressaltou que, entretanto, a decisão de cada indivíduo é respeitada, pois há o entendimento de que as pessoas possuem autonomia para optar ou não pela adesão à prestação de assistência. A Prefeitura acrescentou que a Guarda Civil Municipal (GCM) realiza patrulhamento na região e utiliza recursos do Centro de Controle Operacional (CCO) para monitoramento via denúncias no 153. Caso alguém presencie alguma ação suspeita, pode acionar a GCM pelo telefone 153, a PM pelo 190 ou apertar o botão do pânico de um dos 30 totens de segurança distribuídos pela cidade. Por fim, o Município reforçou que o registro do boletim de ocorrência é “fundamental para que, em caso de menores de idade, o Conselho Tutelar seja acionado e tome as devidas providências e passe a acompanhar o caso, oferecendo suporte ao menor”.