"Ela não tinha liberdade, tinha até o WhatsApp monitorado por ele", afirma a amiga (Reprodução/Instagram e Daniel Rodrigues/AT) A filha de 10 anos do sargento da PM que matou a própria esposa a tiros em uma clínica médica em Santos, no litoral de São Paulo, foi ferida após se jogar na frente da mãe para tentar salvá-la. A menina segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica da Santa Casa de Santos, sem previsão de alta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As informações foram apuradas pelo g1 Santos nesta sexta-feira (9). Devido aos disparos, a menina teve uma fratura no antebraço esquerdo e teve as duas pernas feridas. Detalhes sobre o estado de saúde dela ainda não foram divulgados oficialmente. Ainda de acordo com o g1 Santos, a menor tentou salvar a mãe, Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, que era o alvo dos disparos por parte do sargento Samir Carvalho, pulando na frente dela. Em seguida, ele pegou uma faca e deu aproximadamente dez golpes na mulher. Em depoimento à Polícia Civil, o médico proprietário da clínica disse ter sido surpreendido por Amanda e pela filha enquanto estava na própria sala aguardando o horário de chamá-las para uma consulta que estava agendada. Ele disse que trancou a porta do consultório e colocou duas cadeiras atrás da porta, com medo que ela fosse arrombada. Em seguida, ele insistiu que a paciente acionasse a Polícia Militar (PM), que revelou que a corporação já havia sido acionada por uma amiga. O homem relatou que ouviu uma batida na porta e questionou quem era, mas não teve retorno. Momentos depois, ele escutou a voz da secretária pedindo para a porta ser aberta porque a PM havia chegado. Segundo o relato, também foi possível escutar uma voz masculina dizendo: “pode abrir, é a polícia, está tudo sob controle”. Após questionar se os agentes estavam uniformizados, o médico abriu parcialmente a porta e, em seguida, foi para atrás da mesa. Ele disse que viu, no fim do corredor, um policial fardado e depois ouviu uma sequência de mais de dez tiros. O profissional disse para a polícia que se abrigou debaixo da mesa para se proteger e acredita que o atirador tenha começado os disparos do lado de fora da sala. De acordo com o médico, ele só se levantou depois que o agressor foi contido pelas equipes policiais. O homem contou que socorreu a filha de Amanda e, logo depois, viu o corpo da mulher com uma faca “cravada no pescoço e banhada em sangue”. Ele garantiu que nunca havia visto as vítimas antes e não chegou a ver o atirador porque se escondeu ao ouvir o primeiro tiro. Investigação Em nota, a SSP-SP informou que a PM instaurou um Inquérito Policial Militar para “apurar rigorosamente a conduta dos agentes acionados para atender uma ocorrência que evoluiu para feminicídio e tentativa de homicídio em uma clínica de saúde”. A secretaria informou que Samir foi preso e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. Defesa Por meio de nota, o advogado Paulo de Jesus, que representa Samir, afirmou que na tarde de quinta-feira (8) foi realizada audiência de custódia, com a prisão em flagrante do cliente sendo convertida em preventiva. Ainda de acordo com o profissional, Samir foi encaminhado ao presídio Romão Gomes. Paulo de Jesus acompanhou a audiência disse que a defesa se manifestará apenas quando as investigações forem concluídas. Agressões Conforme apurado por A Tribuna, Amanda já vivia um histórico de violência do parceiro e havia sido ameaçada de morte por ele outras vezes. As informações foram confirmadas por um amigo e sócio da empresa de comércio exterior que Amanda possuía - que teve a identidade preservada por questão de segurança. O casal estava há cerca de 13 anos juntos, e o policial sempre demonstrou comportamento violento e possessivo, segundo pessoas próximas do casal. "Ela não tinha liberdade, tinha até o WhatsApp monitorado por ele. Tudo que ela conversava ele sabia", disse uma amiga.