Ex-vereador de Guarujá é condenado a 22 anos de prisão por caso de 'rachadinha'

Investigação apontou que Givaldo do Açougue exigia de assessores a devolução de parte dos seus respectivos salários

Ex-vereador de Guarujá Givaldo dos Santos Feitoza, o Givaldo do Açougue, foi condenado a 22 anos de prisão pela prática de "rachadinha" enquanto estava na Câmara Municipal. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), ele exigia de assessores a devolução de parte dos seus respectivos salários. Não há mais possibilidades de recurso, já que o processo transitou em julgado.

Givaldo se filiou recentemente ao PSB. Na época da investigação, o parlamentar era ligado ao PSD. De acordo com a denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Gabriel Rodrigues Alves, Feitoza contou com os serviços de diversas pessoas durante a campanha para as eleições municipais de 2012. Em troca, ele prometeu que, se eleito, as nomearia para funções comissionadas. Como parlamentar, o réu dispunha de quatro cargos de assessores parlamentares. Além disso, ele garantiu que poderia influir na nomeação para cargos junto à Prefeitura do Guarujá.

Segundo o MP, após o pleito, Givaldo do Açougue passou a exigir de seus indicados o repasse de valores que foram de R$ 500 a R$ 5 mil como condição para manutenção das pessoas nas respectivas funções. Os crimes foram cometidos de 2013 a 2016, possibilitando ao ex-vereador obter ilegalmente R$ 283 mil no período.

A Tribuna.com.br tentou contato com o ex-vereador, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Investigação

Givaldo do Açougue foi alvo de um mandado de busca e apreensão em sua residência e em seu gabinete no Legislativo, em 2016. O MP-SP e a Polícia Civil investigavam o parlamentar por obtenção de vantagens, além de lavagem e desvio de dinheiro.

A investigação chegou até o então vereador após uma denúncia de que ele, Feitoza, utilizaria empregados da Câmara Municipal para serviços indevidos, além de exigir parte do salário de seus funcionários.

À época, em entrevista a TV Tribuna, Givaldo negou as acusações. "Não tem nenhum funcionário meu, de açougue, aqui na Câmara. Pode ter certeza absoluta. Eu nunca nomeei nenhum funcionário que era do meu açougue, nem tenho outra empresa a não ser no ramo da carne, que é meu açougue. Já participei de licitações, há muitos anos, 12 anos. Hoje não participo de nada. Não sei nem o nome dessa empresa", disse.

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